14.11.07

Fernando Pessoa




"Se não fosse o sonhar, o viver num perpétuo alheamento, poderia, de bom grado, chamar-me um realista, isto é, um indivíduo para quem o mundo exterior é uma nação independente.


Mas prefiro não me dar nome, ser o que sou com uma certa obscuridade e ter comigo a malícia de me não saber prever.


Tenho uma espécie de dever de sonhar sempre, pois não sendo mais, nem querendo ser mais, que um espectador de mim mesmo, tenho que ter o melhor espectáculo que posso.


Assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, palco falso, cenário antigo, sonho criado entre jogos de luzes brandas e músicas invisíveis."



Este texto foi-me transcrito numa fita de final de curso por uma pessoa que julgo não ver desde essa altura. Quem tiver a paciência de me ir lendo, de vez em quando, vai perceber o porquê deste post. Não vai ser hoje, nem amanhã... vai ser um dia.


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