24.11.07

Right Speech




"We think that words are not deeds, that they have little power and a short life, that somehow words evaporate with the breath that speaks them. But words do have power and they can live forever; and furthermore, they can heal as well as harm."



Master Hsu Yun, in Empty Cloud

20.11.07

Obrigada

:(

Nem sempre conseguimos estar onde queremos, no momento que queremos, sempre que desejamos... Foi isso que me aconteceu hoje. Cada vez que o telefone tocava ou que recebia uma sms, eu não estava lá...
Estava muito provavelmente dentro de água, onde devem estar os seres com os quais digo que sou parecida ;)

A omnipresença é um dom reservado a deuses... e como todos sabemos... eu sou só uma Sereia*

Gostava muito de ter respondido a todos, de ter falado com todos e ter ouvido todas as vossas vozes. Não consegui.

Um dia eu vou ter todo o tempo do mundo! Para responder a todos, falar com todos e ouvir-vos a todos. Um dia eu vou ter esse tempo!

Por hoje, digo-vos a todos Obrigada!
O Dia não foi especial porque faltaram todos vocês que tornam a minha vida especial, de verdade.
Mas vou combinar uma data para que todos possam estar presentes e alegrar esse dia como se tivesse sido hoje. Vão preparando as vossas melhores e maiores gargalhadas para serem soltas ao pé de mim.

Obrigada a todos. De coração*

18.11.07

É dia




Pôr do Sol

Início do fim, tarde, recomeço,
reconstituição, regresso.


Beleza natural com breves minutos contados.
Sete ondas, mais sete ondas, mais sete ondas.
Vai descendo, quase sem mostrar esse movimento descendente.
Quase sem mostrar que vai. Que já foi.
E desaparece. Num instante já não está lá.


Ou melhor, está. Mas não se vê.
Só o céu azul e o branco da espuma e um horizonte amarelado.

Neste dia, só podia postar uma fotografia do areal que eu considero a minha Paz. E transcrever dois textos que me dizem muito. E que vos podem dizer muito sobre mim também.

Desci à Perfeição, vim ver a minha Paz. Ver como está, ouvi-la por momentos. Sem tentar já perceber os "porquês" e os "comos".

Sem tentar perceber por que é que este lugar me diz tanto, por que é que gosto deste sítio e o acho perfeito e o chamo "minha Paz". Sem tentar lembrar-me de como é que comecei a chamar-lhe Perfeito...

Vim visitar isto tudo e ver com os os olhos, mais uma vez, cada onda a tomar forma, a ganhar corpo, volume, cor e, por fim, a rebentar e a tentar chegar mais perto daqui.

Tentativas infinitas para me trazerem qualquer coisa invisível, qualquer mensagem imperceptível, 'indescodificavel'. Um segredo que eu não sei nem quero desvendar, só para continuar a ouvi-las rebentar à minha frente. Só para continuar a vê-las na sua repetição fabulosa.

Já imaginei 1000 fotografias diferentes desde que aqui cheguei. Muitas delas repetidas no conteúdo e na forma, mas com significados múltiplos. Todas elas repletas de perfeição, sem serem espelho do que é eternamente belo para mim, mas antes sendo memória.

A memória que não tenho cá dentro e sempre me falha. Por isso, quero voltar sempre. Quero poder sentar-me sempre nesta areia.

E perceber... e saber... que a Praia da Adraga vai estar sempre aqui. E o meu regresso, esse... pode estar sempre para breve. Pode ser sempre que eu queira.

A minha Adraga vai existir sempre. Principalmente dentro de mim.


17.11.07

Se...



Se hoje fosse um dia de sol,
Ainda que chovesse, o horizonte estaria mais colorido.
Se ontem não tivesse sido apenas mais um dia,
Eu estaria ansiosa para chegar a amanhã.
Se amanhã for o dia da minha felicidade,
Quero dormir esta noite descansada.

14.11.07

Fernando Pessoa




"Se não fosse o sonhar, o viver num perpétuo alheamento, poderia, de bom grado, chamar-me um realista, isto é, um indivíduo para quem o mundo exterior é uma nação independente.


Mas prefiro não me dar nome, ser o que sou com uma certa obscuridade e ter comigo a malícia de me não saber prever.


Tenho uma espécie de dever de sonhar sempre, pois não sendo mais, nem querendo ser mais, que um espectador de mim mesmo, tenho que ter o melhor espectáculo que posso.


Assim me construo a ouro e sedas, em salas supostas, palco falso, cenário antigo, sonho criado entre jogos de luzes brandas e músicas invisíveis."



Este texto foi-me transcrito numa fita de final de curso por uma pessoa que julgo não ver desde essa altura. Quem tiver a paciência de me ir lendo, de vez em quando, vai perceber o porquê deste post. Não vai ser hoje, nem amanhã... vai ser um dia.


Escrevo



Escrevo.

Escrevo aqui nestas folhas verdes ou em qualquer outro lugar, mas escrevo.

Escrevo sempre. Para mim, para os outros.

Escrevo o que sinto, o que penso, o que vejo, o que espero ver um dia, o que desejo ver mais vezes, o que não quero ver, nem pensar, nem sentir.

Por que é que escrevo tanto?

É uma necessidade. É uma vontade, um hábito bom, um gosto.

Um gesto que repito vezes sem conta, anos a fio, frases sem fim.

Gosto de pôr tudo em palavras para poder ler depois, reler mais tarde, recordar. E junto a necessidade que tenho de escrever tudo à sensação gostosa de reler e recordar tudo isso.

Nem sempre são palavras de felicidade. Não são essas as mais importantes para mim. Não tenho palavras favoritas. Todas elas, as que escrevo, são importantes, sejam de tristeza ou de alegria, todas são um pouco de mim, dos meus dias, dos meus sentimentos. Todas me retratam, me descrevem ao pormenor. Ao meu pormenor.

Não posso, por isso, preferir umas e rejeitar outras. Isso seria rejeitar-me a mim mesma.

Para muitos é um exercício difícil de fazer, escrever.

Para mim não. faço-o com gosto.

Por isso, escrevo.

Escrevo.

13.11.07

Aí estou, Aí sou

Quando o meu pensamento me liberta, em vez de me aprisionar;
Quando eu me solto dos pensamentos negativos,
em vez de os direccionar;
Quando o meu pensamento sabe esperar pelo pensamento
positivo, em vez de o esconder...
Quando eu deixo de pensar e simplesmente ganho a paciência
e a sabedoria de saber esperar...
Então há tempo e espaço para o meu coração me guiar
e algo de novo acontece.
Algo novo, algo de bom acontece.
Acontece mesmo.
Aí estou, aí sou.
Ganho vida, energia e, com novo olhar, contemplo essa magia
que acontece em mim. Espectadora de mim mesma,
como Fernando Pessoa foi de si, um dia.



SUGESTÃO DE LEITURA: Neste momento, leio um livro de um autor português chamado Paulo Borges cujo título é "FOLIA, Mistério de uma noite de Pentecostes". Trata-se de uma peça de teatro que foi levada a cabo na Quinta da Regaleira durante este verão de 2007 pelo grupo de teatro Tapafuros...
Para quem teve a sorte de ir ver, fica aqui a possibilidade de ler. Para quem, como eu, nunca conseguiu ir ver o espectáculo (porque sempre que eu podia esteve esgotado) fica a dica do livro.
Ah! A peça diz-me muito e, já agora, justifico. É que trata exactamente da noite de pentecostes aquela em que se comemora a Festa do Divino Espírito Santo. A minha aldeia prestou essa homenagem durante muitos anos.

11.11.07

Porque...



















Porque gosto de ouvir sentada e não de pé;

Porque sonho com o que é eterno, mas tenho fim;

Porque só vejo bem em silêncio;

Porque nem todos os sons me falam, nem todos me soam;

Porque sou da terra e não do céu;

Porque sou líquida e não sou sólida.

10.11.07

Sereia, explico porquê



Sou Sereia porque me identifico com a imagem comum, pagã e mítica que todos temos deste ser: metade mulher, metade peixe.
Não nasci Sereia, fui-me transformando ao longo dos caminhos que fui fazendo. Afinal, a vida é mesmo isso: transformação permanente.

Hoje, deixo uma frase retirada de uma música dos James de que gosto muito:


"May your mind set you free,
May your heart lead you on"

9.11.07



















Se, em vez de ser uma Sereia, eu fosse um lugar no mundo, estaria aqui.

A Adraga do meu coração.

Esta seria a minha cara se me tirassem uma fotografia. Este seria o aspecto do meu corpo em cada pôr-do-sol.

Mas, sendo Sereia, este é apenas o meu lugar.


Boas Vindas

Obrigada por ter clicado neste blog.
Não prometo grandes revelações, nem debates sobre questões de fundo que possam afectar a vida quotidiana dos Portugueses, não prometo prémios nem créditos sem juros, nem prometo que este seja um grande blog...
Afinal, eu sou uma Sereia e as Sereias não têm esse tipo de funções na sociedade em que se encontram inseridas.
O blog Da Sereia* é um blog que tem por base os 5 sentidos. São eles que me vão dar os sinais para eu ir escrevendo por aqui. São eles que vão conectar com a minha alma e lhe vão dar o tema e a liberdade para transmitir o que for, quando tiver de ser, da forma que as palavras acharem que ficam mais confortaveis ao juntarem-se numa frase qualquer...