30.12.08

E assim passaremos de um dia para outro...

A caminho de 2009...

Saúde!
Festa eterna na alegoria, no sonho e na manhã seguinte!
Fechem os olhos e deliciem-se com a festa de luz e cor que cada um tem em si mesmo!
Gargalhadas vindas do útero da alegria que todos trazemos cá dentro!
Saltos no infinito de tudo o que não somos, nem nunca seremos.
Porque o que somos sempre deixamos de ser a cada momento, a cada passo do Universo.
E o Universo não se engana. O tempo passa porque é assim que tem que ser.
E assim, passaremos de um dia para outro. E a cada dia supomos que se siga uma nova noite.



Não me apetece dizer o costume, não me apetece dizer "feliz ano novo"...
blá blá blá...
Confesso que gosto muito da festa que se proporciona nesta altura do ano e que pretende comemorar a chegada de um ano novo (muito mais do que do Natal).
Mas agrada-me especialmente se o ano novo que vier for ímpar. Quem me acompanha nesta coisa do blog, sabe que tenho aquela coisa dos anos pares.
E pronto. Eis que se afigura um belo de um ano ímpar: 2009!

O que for, o que tiver de ser... cá estarei e vós também.
Certo???
Ceeertoooo!!!

Até lá*

29.12.08




A escrita é a minha primeira morada de silêncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás das palavras
extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde os dedos murmuram o último crime
escrever-te continuamente... areia e mais areia
construindo no sangue altíssimas paredes de nada


era paixão pelos objectos que guardaste
esta pele-memória exalando não sei que desastre
a língua de limos

espalhávamos sementes de cicuta pelo nevoeiro dos sonhos
as manhãs chegavam como um gemido estelar
e eu perseguia teu rastro de espuma* à beira-mar

outros corpos de salsugem atravessam o silêncio
desta morada erguida na precária saliva do crepúsculo


Al Berto
in O Medo


* palavra alterada em relação ao texto original.
O autor real e verdadeiro do poema escolheu "esperma", eu escolhi "espuma".

25.12.08

É assim o Natal...



Amigos e mergulhadores,
peixes e algas,
ondas e ondinas,
sereias e conchinhas deste e doutros mares...

Lamento só hoje, e já no fim do dia, deixar a minha mensagem de Natal.
Lamento não ter uma mensagem linda para vos deixar, nesta altura.
Lamento.

Na verdade, eu não sou muito natalícia, não sou muito fã do Natal.
Este ano, já fiz a minha parte... já passei horas a fio, minutos perdidos nas filas infinitas das várias casas comerciais para conseguir contribuir para o espírito natalício generalizado. Não é uma tarefa que me deixe feliz e que me encha de orgulho, mas teve que ser.
Fui pacientemente ao centro comercial mais próximo e esperei pacientemente pela minha vez, de todas as vezes que levei em frente esse grande empreendimento que é concretizar a compra de uma lembrança para alguém que me enche o coração e que habita a minha vida, seja de que forma for...

Pronto.
E depois, fui pacientemente entregar as prendas a quem eram dedicadas.
E depois, fiz uma refeição com a família, como manda a tradição.
Assisti ao momento em que as crianças abrem os embrulhos.
E depois... curiosamente... não fui abrir os meus presentes.
Fui dormir descansada.

Isto chega a ser triste de se dizer assim desta maneira, mas é que não ligo nenhuma ao Natal. Não faço questão de ter prendas... etc, etc,etc...
A única coisa que me deixa mesmo feliz no meio disto tudo... é que é feriado e não trabalho. Fico em casa no meu canto, como gosto de ficar. Fico no quentinho da lareira. Humm!

Mas bom...
Eu queria deixar uma mensagem de Natal...
Era isso que eu queria.

Neste Natal, eu queria pedir para mim uma coisa especial.
No Ano passado fiz um pedido especial também, muito melhor e mais bonito do que o deste ano. Mas, ainda assim, vou dizer...

Neste Natal, quero pedir para eu a prender a perdoar.
É um pedido que me diz muito e que espero que o Universo me ensine, durante todo o ano que vem aí.
Tenho este, entre muitos outros milhões de defeitos... mas queria mudar, queria aprender a perdoar. É uma coisa que tenho muita dificuldade e me custa muito.

À semelhança da dificuldade que tenho em ser magoada ao ponto de não perdoar... é que só fico magoada e desiludida depois de me fazerem cair ao chão umas boas dezenas de vezes. Mas, no dia em que caio, fico ali no chão como se fosse um íman, como se perdesse as forças todas, como se os músculos não tivesses presos e não me suportassem os ossos... É assim que fico. E se não me consigo levantar, não consigo perdoar a pessoa que me fez cair.
É um problema que eu tenho e que está dentro de mim mesma.

Por isso, queria pedir para a prender a perdoar.
Só assim vou conseguir seguir em frente o meu caminho.
Só assim vou conseguir levantar-me do chão e sorrir.

O PERDÃO.
É isso que quero neste Natal e no próximo ano...

Não me levem a mal.
Fiquei na dúvida entre pedir o mesmo para todos vocês ou deixar que este desejo fosse só para mim. Porque assumo a minha dificuldade e porque imagino que nem todos tenham o mesmo problema.

Há ainda uma outra face da moeda.
A do meu perdão. Porque tenho ideia de que já devo ter feito cair uns quantos ao chão... Não sei ao certo, mas imagino.
Nos últimos... talvez... dois anos... não tenho tido tempo pra mim, nem para os que mais gosto. Isso vai mudar, já todos sabem. Em 2009 vou ter tempo para tudo e provavelmente para mais alguma coisa... isso vai ser bom para mim e para todos os que me conhecem e gostam de mim.





Meus Queridos,
Amo-vos com todo o coração e é aberto que quero que fique em 2009, para vos poder abraçar a todos e a cada um.
Para poder estar convosco mais do que estive, para vos poder sorrir mais do que vos sorri.

Feliz Natal*

21.12.08

ups and downs between heaven and hell

Tomorrow is my last day in paradise.
Hell is coming, while I run away



A noite está linda.
Não há lua visível, mas há todas as estrelas a brilhar neste céu azul escuro.
Perdi tempo a olhar o céu sem luz.
Gosto de vê-lo assim escuro, a deixar realçar as estrelas.
Vénus estava lá, entre constelações que adoro e admiro mas não sei identificar.

Tudo calmo, tudo belo.
Podia ser um bom presságio para o meu dia de amanhã.
O chamado "último dia".

Os últimos dias são tendencialmente tristes.
Este, não vai, provavelmente, fugir à regra.

Da última vez que fugi deste sítio de onde devo fugir amanhã escrevi o seguinte:

This is my last day in hell.
It could be paradise.


Por tudo isto e muito mais que ainda me escapa, ainda não estou em condições de desejar um bom natal...
Mas, mais dia menos dia... lá chegarei. Prometo*

17.12.08

A cor azul




Houve alguém que olhou para mim e viu azul...

Pintou-me dessa cor e falou-me dessa cor que trago por fora e por dentro.
E explicou o verde que não se vê. O verde em potência, em possibilidade.





Sou azul.
E sou da terra, não sou do céu.
Na altura, eu sabia só com o coração.
Mas, agora...

Houve alguém que olhou para mim e viu azul*

Mergulho no meu Mar azul, antes de adormecer e agradeço-lhe a minha cor.
Foi ele que ma deu.
Dentro do Mar há uma terra. Foi dessa terra que vim, um dia.
É a ela que regresso todas as noites*

Esta noite sonhei III

Ao longe parecia uma cor quente.
Mas quando ela saiu debaixo de água os olhos demoraram na adaptação da luminosidade e da cor. A cor chegou primeiro aos seus olhos salgados, do que o foco.
Mesmo assim, era longe.





Quando chegou mais perto, viu...

Eram Línguas de Fogo do Santo Espírito da Mãe Natureza que ardiam.
Não havia uma foligem no ar, não havia fumo.
Era a Mãe Natureza que brotava de si mesma
e dela saiam línguas vermelhas, a fervilhar, num ardor de Amor
Num Amor que ilumina qualquer par de olhos que o vislubrem, ao longe





Se fechar os olhos, ainda vejo a cor e a luz.
E as labaredas vermelhas a arder*

14.12.08

Gota a gota




As gotas sucedem-se numa fileira dupla de queda amiúde
São pálidas, são cristalinas, transparentes

São fruto do bater do coração
São fruto da razão, também. Por que não?

*

Caminho a passos largos para a grande mudança.
Caminho sem parar, porque a vida não pára e os ciclos são para se cumprirem.
Sinto frio e sei que não é só porque a meteorologia assim nos propõe passarmos por estes dias. Sinto frio depois do calor de ontem que me encheu de lágrimas até hoje.

Há dias na minha vida em que parece que o dia vai ser só isso.
E penso que 'só isso' é muito... e sei que é muito mais do que isso
Ontem, foram lágrimas. Hoje, também.

Porque estou sem palavras*

4.12.08

Universo em festa*




Eram grãos de areia que nunca mais acabavam
Eram gotas de água salgada que nunca mais adoçavam
Eram estrelas que luziam e nunca mais se apagavam

Eram corações que pareciam que nunca mais batiam
E, logo ao lado, outros tantos em forma de coração que só amavam, só sentiam

Eram braços que só envolviam e confortavam
Eram olhos que só brilhavam e, ao longe, pareciam aquelas estrelas que luziam
Eram pés assentes na terra quente com as cabeças bem soltas nas nuvens

E as almas, essas, estavam vivas entre tudo e todos.
Eram almas soltas que nunca mais deixaram de sonhar

E o sonho?
O sonho.
O sonho tinha tantas cores como as do arco-íris vezes sete

Eram gotas de água, eram grãos de areia, eram estrelas.
Era um praia onde tudo e todos chegavam a cada instante e de lá saíam, em grande algazarra, sem saber para onde ir a seguir. Riam, dançavam, soltavam areia no ar, corriam, cantavam e sentavam-se à conversa com outro qualquer.

Era o mar a dizer-lhes que ficassem.
Eram as ondas a rebentar pelas costuras do mar
E de tanto tentarem alcançar a areia, as rochas, os pés secos
De tanto irem e virem

As ondas e o mar já iam e vinham como se não soubessem que nome tinham
Era o mar sem dar nome às coisas e a dizer que ficassem perto dele.

Eram grãos de areia que nunca mais acabavam
Eram gotas de água salgada que nunca mais adoçavam
Eram estrelas que luziam e nunca mais se apagavam

O universo em festa*

20.11.08

Sons

A Voz, aquela voz...
Esta voz!
Consigo ouvir e voar nesse mesmo instante!

O James Morrison é a minha paixão!
A voz é fenomenal*
Num dueto fantástico com a Nelly Furtado


Let me hold you,
for the last time,
it is the last chance to feel again.

But you broke me,
now I can't feel anything.

(...)

You can't play on broken strings
you can't feel anything
that your heart don't want to feel
I can tell you something that ain't real





(as imagens são assim um boacdito básicas... mas fechem os olhos e ouçam a música, que de básica não tem mesmo nada!)

Enjoy*

18.11.08

lá fora... é amanhã*





Um dia fiz-me actriz e representei para o mundo o meu único papel.
Nesse dia, vi voar a minha alma em liberdade;
Nesse dia, eu própria me libertei do mundo.
E que bom foi saber que ainda há tanto para ver!
Ainda há tanto para representar!
Que não cabe num só mundo.
Foi esse o dia em que nasci...
E é esse o dia em que vou partir...
Para longe do mundo
E representar outras coisas.



*

O texto é antigo, mas nunca foi publicado.
Hoje, ainda em véspera do dia que o Universo me concebeu e me materializou, resolvi transcrever estas palavras.
Não espero pela hora, nem pelo amanhã que me espera.
Não porque tenha pressa de lá chegar, antes pelo contrário, porque tenho muita vontade de passar o dia de amanhã devagar. Porque, na realidade, não tenho vontade de comemorar...

De qualquer forma, teria sempre que mergulhar no Meu Mar*
Em Sereia* escolhi me transformar e foi Sereia* que passei a Ser e Estar.
Foi no Mar que escolhi viver, rodeada de água e de sal. De areia e de espuma.

Quis ter por amigos os peixes e todos os seres marinhos. E, com eles, aprender a partilhar esta vida, que há muito deixou de ser 'a minha vida', para ser outra coisa.

Para ser o cumprimento de um destino, para ser o Universo a contorcer-se e materializar-se para além das constelações que me iluminam esta noite e todas as estrelas que, sozinhas, adormecem comigo todos os dias, em cada céu estrelado.

Esta noite, quero muito sonhar
Pode ser um sonho com um azul do Mar e o brilho das Estrelas*

14.11.08

Aforismos




Só existe um destino, nenhum caminho.
Aquilo a que chamamos caminho é hesitação.


Franz Kafka, Parábolas e Fragmentos


E eu caminho...
Ou hesito...
Acelero o passo a saber que devo abrandar.
Tenho encontro marcado com o meu futuro, mas não sei onde, nem a que horas.
Só sei que estarei lá à hora certa e no lugar certo.

Também não o conheço, não sei como ele é - o futuro.
Só sei que quando o vir, vou reconhecê-lo.

Saberei que é o meu futuro.
Ou melhor, prefiro chamar-lhe destino.

11.11.08

Hoje, choveu diferente...




Ela começou o dia com uma chuva de folhas.

Passou para lá... passos lentos, olhos distantes, mãos nos bolsos.
Em estado de despreocupação ou sintonia.

Quando voltou, soltou-se uma brisa, imperceptível ao seu redor,
mas visível de baixo para cima.

Foi aí. Nesse momento, choveram folhas pequeninas.
Muitas ao mesmo tempo, salteadas, dispersas e dessincronizadas.

Ela ficou intacta, imóvel.
Abriu os braços, olhou para cima, de onde caíam as folhas, e sorriu.

Que mais podia querer para começar o dia?

O momento de rara beleza ficou a ecoar na sua cabeça o resto do dia.
Era um sinal. Um sinal dos mais bonitos a que já tinha assistido.
O Universo estava, naquele momento, atento à sua passagem
e deixou que as folhas caíssem sobre ela.

Foi maravilhoso!

8.11.08

Música para embalar...




Lugar Comum

"Beira do mar, lugar comum
Começo do caminhar
P'ra beira de outro lugar
Beira do mar, todo mar é um
Começo do caminhar
P'ra dentro do fundo azul
A água bateu, o vento soprou
O fogo do sol, o sal do senhor
Tudo isso vem, tudo isso vai
P'ro mesmo lugar
De onde tudo sai"


Gilberto Gil

Adoro esta!
Ouvi, hoje, na Rádio Marginal (passo a publicidade).
Já não ouvia esta música há muito tempo. Deixa-me sempre bem disposta.
Ouço a melodia e o acompanhamento, o som da bossa nova, do samba.
E sorrio. Um sorriso de sol e de mar.
E penso: "Como é bom ser Sereia*"

Poesia para ler antes de ir dormir

(e antes de sonhar)















Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que soube não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.


Fernando Pessoa

*

... E que depois de sonhar, a realidade se cumpra pra se ver, pra se sentir, pra se saborear.
As almas que temos são as que escolhemos ter. Mudam e também nós mudamos a cada instante, porque o tempo não pára e não perdoa os atrasos. Ou, se calhar, perdoa. Perdoa TUDO.

Só que eu não sou o tempo e o perdão divino não me assiste.
Eu não sou o tempo, passo nele ou ele passa por mim.
E a alma vai mudando a cada dia, cada instante.
E eu vou e fico, saio do lugar onde sempre estive, onde nunca vou estar, de facto.
Não. Saio do lugar onde nunca estive, sem saber para onde vou...
E volto para onde sempre estive. Aqui. Lá longe, mas, sempre, aqui.

E evito. Evito olhar para mim.
Conhecer-me a mim própria é um desafio maravilhoso.
Mas quero muito concretizar tudo o que sou ou serei, sempre sem me olhar,
sem espelho. O espelho mostra tudo. O que é bom e o que é mau.
Quero conseguir ver-me e reconhecer-me, sem olhar.

Só pelo tacto (tacteando, passo a passo),

Só pelo sabor (ao sabor dos dias e das noites, das madrugadas, das auroras e dos entardeceres iluminados),

Só pela visão (pelo que vejo, vislumbro pelo que me dislumbra e me entretece, pelo que se mostra e se deixa ver e perceber. não pelo que olho, mas antes pelo que vejo)

Só pelo cheiro (em cada inspiração, em cada gole de ar puro renovado e renovador, cada gota de oxigénio que me dá vida e me tráz o cheiro da alfazema e do jasmim, o cheiro da terra molhada e das folhas secas, o cheiro da água em estado líquido ou em vapor, o cheiro da água fria e da água quente)

Só pelo que ouço (melodias, vozes, sons. Nem todos os sons me soam, nem todos me falam. Os que chegam aos meus ouvidos e são acarinhados, dão sempre frutos)

Só pela alma... Qualquer alma que seja a minha. Qualquer que seja eu a sonhar ou acordada.

Fernando, palavras sábias, as tuas!

5.11.08

Crónica de uma vida anunciada... OU... A caminho de um novo ciclo de vida... OU AINDA... Because change happenzzz...

(é a vida que é anunciada, não é a crónica. Atenção!)





As mão abertas podem receber o que de melhor a natureza tem para nos dar.
E o melhor é sempre belo.
Caiu do alto, desprendeu-se. Foi descendo devagar e, ao mesmo tempo, ia desenhando no ar desenhos imaginários, círculos infinitos, com uma alegria inerente e característica, não de quem está a cair, mas de quem sabe o caminho que desenha, de quem não sente que é uma queda. Antes, uma viajem.



***


De certo modo, é bom quando sabemos com alguma antecedência que a vida vai mudar.
Sabermos o quando, sabermos o porquê, ajuda-nos a ter a sabedoria suficiente para conseguirmos encarar o futuro com um sorriso. Mesmo que o motivo que leva à mudança não seja o mais feliz. Mesmo que não saibamos muito bem para onde vamos a seguir.

E é assim, a saber que a minha vida vai mudar, a saber o porquê, mas sem saber para onde, nem em quê que se vai transformar, que vou chegar ao fim deste ano de 2008.

Caminho em direcção ao final de um ano que coincide com o final de um ciclo.
Mas faltam dois meses até lá.

Dois meses em que preciso saber gerir as emoções fortes que se fazem sentir e que se vão intensificar à medida que o fim do ciclo se vai aproximando.
Dois meses em que vou ter que me dirigir a uma grande quantidade de gente de que gosto muito para dizer: Adeus, até um dia.

Não é fácil dizer 'adeus' a pessoas com quem convivemos diariamente. Mas eu já sabia que era assim. Sempre soube que o dia ia chegar. Mas, mesmo assim, quis voltar onde aprendi, onde senti que era bom estar e fazer parte. Foi bom enquanto durou. Não me arrependo nunca de ter voltado, nem ter saído, nem de voltar a sair.
Faltam dois meses...

Dois meses que me vão levar, depois, a qualquer lado, a qualquer coisa diferente, a um novo ciclo. Quem sabe, a uma nova vida, dentro desta que tenho, que me foi dada...

Consigo, a esta distância, imaginar duas saídas possíveis, dois desfechos agradáveis para a minha futura, mas muito real, situação.
Só não consigo ainda decidir qual deles vou escolher dar prioridade.

É a eterna luta que sempre sobe ao cimo de mim mesma, entre a razão e o coração.
Sou péssima a tomar decisões, se essas decisões implicam uma escolha entre duas coisas que podem ambas ser positivas. De qualquer modo, olho com bons olhos as duas hipóteses que consigo ver daqui de onde estou. O que, diga-se de passagem, é muito bom.

Vamos ver...
O que for... será!
Eu estarei aqui para ver e sentir na pele o que tiver que ser o meu destino.
Cumpri-lo-hei da forma que melhor souber, dentro de todas as limitações que tenho enquanto Sereia* que sou.

30.10.08

Xubinha :-)




Hoje fui visitar-te na escola para te dar um beijinho.
Lembrei-me dos velhos e bons tempos em que era eu a ir buscar-te ou levar-te ao infantário. Adorava fazer o papel de tia dedicada e presente.

Agora, esse tempo parece-me longe demais. E é longe que, de facto, ele está.
Agora, não te dedico metade do tempo que dediquei, em tempos.
Agora, não sou a tia presente e dedicada que tanto gostava de ser.

Hoje fui visitar-te à escola para te dar um beijinho porque é um dia especial.
Fazes anos e eu quis ver-te só por um minuto. Um minuto mais curto do que os minutos que costumam ter 60 segundos. Não me pareceram 60 segundos...
Foi um pedido especial que fiz ao professor, que te deixou interromper os estudos e sair da sala de aula para eu te ver. Recebeste uma sombrinha de chocolate, uma lembrança simbólica e doce :) e um beijinho meu.

"A tia tem uma prenda para ti, lá em casa"

Foi assim.

Aqui, sentada em frente do ecrã, a escrever-te, penso em ti.
Penso na distância e na ausência que sou para ti.
Fico triste com esta minha forma de ser para contigo e por saber que não consigo ser de outra forma. Fico triste comigo mesma, porque tu mereces muito mais!

Fico triste por sentir essa distância mesmo quando estás sentada ao meu lado, ocasionalmente. Porque tu sabes que eu gosto de ti, mas também sabes que raramente estou presente.

E, hoje, é um dia de presença. Eu consegui estar presente por um minuto. Uma verdadeira gota de água no meu oceano. Daquelas gotas que, quando pingam, provocam o efeito de uma onda. Uma onda que vai levar tudo à volta.
Um minuto, um verdadeiro grão de areia do deserto.

Queria só que o teu dia fosse bom.
Queria que tivesses coisas boas para te alegrarem e prvocarem o sorriso maroto que tens. Um sorriso meio fechado, meio tímido.

Feliz Aniversário, Xubinha.
Os anos passam e vais ser sempre a minha Xubinha.
Aquela que me escrevia bilhetes e me dedicava palavras até há bem pouco tempo.
És tu.

E se alguma Fada ou algum Doende me ler hoje, queria pedir o favor de olharem pela minha Xubinha. Olhem por ela e deitem-lhe uns pózinhos mágicos por cima dos cabelos loiros. Podem ser pózinhos de perlim-pim-pim, eu acho que ela vai gostar.
Ou podem acenar a varinha mágica com a estrelinha na ponta na direcção que ela passar. Ou estalar o dedos...

Se tudo isso fizer com que a minha Xubinha tenha um dia mais feliz... Por favor!
É o pedido especial de uma tia como eu (não tenho mais palavras para me descrever).

Beijos enormes para ti. Hoje, em especial.
Ah! Já me esquecia de te dizer: ADORO_TE MUITO!

28.10.08

Neura

O vento deixa-me com a neura!
Não gosto de vento, não me deixa pensar nem me acalma.
Eu compreendo que é uma necessidade natural e que o vento faz parte da natureza.
Mas não gosto.
É o único elemento que me deixa 'desaustinada', furibunda, chateada, com a neura. Pronto.

E hoje é um dia de vento.
Puff!

Acorda-se de manhã com as portas e as janelas a abanicarem todas.
Depois, espreita-se pela janela para ver como nasceu o dia... e eis que... se vê tudo a voar e abanar violentamente. As árvores prestes a largarem as raízes do chão e tornarem-se no maiores pássaros alguma vez vistos no céu azul.
As folhas, coitadinhas, dão voltas infinitas, círculos viciosos, espirais intermináveis.

Assisto a isto tudo e fico sem vontade de ir passear a Bolota.
Mas vou. Fui.
Passo a vida a brincar com a malta nova a dizer que sei voar... e, hoje, quase voei.

Como é que se pode sair de casa bem disposta quando tudo à nossa volta se mostra em suspensão e a circundar o nosso eixo?
A qualquer momento a minha bolha social (para recordar os velhos tempos da faculdade :)) é invadida por uma ventania que incomoda, que me espeta os cabelos nos olhos e mais o pó todo que levanta do chão.

Resultado: neura instalada, sentimento de desconcentração permanente, perda de paciência para o que quer que se afigure à minha frente, ocasional mau estar, súbita vontade de fugir.
Para longe, para o sol e o céu azul, sim. Sem vento.
Que neura!

17.10.08

A Ti, PAI





Não nasci Sereia*
Nasci com os pés iguais aos teus.
E arrisco a dizer que, para além dos pés, também o feitio é igual.
Arrisco... com aquele brilho nos olhos que denuncia o orgulho que sinto quando digo (escrevo) isto.

Hoje foi o dia do Teu Aniversário. Mais um que a distância física não permite comemorar, mas a proximidade que sempre sinto não me deixa esquecer. Nunca me perdoaria se me esquecesse!
Porque na realidade Tu és para mim, Tudo!

E neste 'Tudo' cabe o nada, a ausência e o vazio. Cabe cada dia de Sol, cada onda a rebentar de tanto Sal, cada grão de areia que piso. Neste 'Tudo' cabe a pomba branca da Festa do Divino Espírito Santo feita pelas Tuas mãos, cabe o coreto, cabe o saxofone soprano que aprendi a tocar durante anos, cabe a minha bicicleta.

Cabe ainda, neste 'Tudo', aquilo que sou e que sinto da cabeça aos pés.
Estes pés, que são os Teus.

E as mãos. As mãos com que me ensinaste a semear batatas e colher frutos e feijões. A distinguir uma bolota duma castanha, a pintar com pincéis ou com lápis de cor.

Sabes bem o quanto de falo, o quanto te ouço.
Sabes bem o quanto te choro e te sorrio.
Sabes o quanto adoro abraços e o quanto preciso deles.
E hoje era dia de te abraçar.
Não apenas um abraço etéreo, assim dado pela alma e com a alma. Mas, um abraço de verdade, com carne e osso e músculos e poros, com braços envolvidos e envoltos, com o peito apertado e junto ao Teu.

Sabes bem o que sempre Te digo nestes dias...
Para além de todas a Felicidade que Te desejo para a alma,

"Um ser nunca morre enquanto alguém se lembra dele"
Eis a prova da tua eternidade!


É o que sempre Te digo.
E é o que sinto, de facto.

Tu vives em mim
O meu sangue é teu,
E até os pés... esses pés, estes pés...

Guardei-os bem guardados, dentro das barbatanas de uma Sereia* no dia em que chorei tudo o que tinha para chorar. Nesse dia criei o Mar*
Este Mar* onde vivo.
E, daqui, vejo o horizonte, todos os dias (todos os dias!).

Foste Tu!
Foste Tu que me ensinaste a olhar e ver!
Até ao horizonte, sem ficar pelo que está aos Teus pés, aos meus pés*

Feliz Dia de Aniversário. Pai*

9.10.08

Estrela




As estrelas têm todas horas diferentes.
Numas é ontem, noutras hoje, noutras ainda é há vinte séculos.


Rámon Gómez De La Serna, Greguerías

1.10.08

O Saxofone




Hoje lembro-me do meu saxofone.
Está guardado dentro da caixa de veludo bordeux desde Dezembro.
Não tiro uma nota desde essa altura.

Lembro-me dos últimos ensaios em que estive presente. Foram difíceis de me suportar. Os meus limites físicos estavam a chegar ao cimo de mim e eram cada vez mais evidentes. Não aguentava. Parei.

Foi uma decisão difícil. Mas teve de ser.
A caminhar a passos largos para fazer um ano sem tocar saxofone, na realidade não sinto saudades de tocar música. É como se sentisse saudades apenas de ter essa capacidade de tocar um instrumento musical, (afinal foram muitos anos) mas não do acto de tocar em si mesmo.

Não quer dizer que não volte, não pus de parte a minha participação naquele grupo de pessoas. Mas, para já, a vida não assume essa forma de música que eu toque.

Dedico este post a todos os músicos que vierem, sem querer, aqui parar.
Os que tocaram hoje ou que, como eu, não tocam há um ano.
Os que começaram hoje a aprender as notas musicais e os tempos, os que já ensinam música desde que eu aprendi.
Os que vão ensaiar na próxima sexta-feira, como é habitual, e os que já não ensaiam mais e já desistiram de deitar cá para fora sons.
E a todos os que gostavam de saber e ainda não sabem tocar, produzir, ouvir, fazer soar qualquer tipo de música.

Mas também aos que ouvem música.

Eu confesso que não vivo sem música nos meus ouvidos.
Tenho a sorte de ter um emprego onde a música toca sem parar.
Tenho a sorte de ter aprendido a tocar um instrumento musical desde muito nova.
Passei por alguns mestres, por algumas direcções, dediquei algumas horas e alguns dias à Instituição musical que eu acolhi no meu coração e que me acolheu.

A minha primeira música contrariou a tendência que se fazia sentir na Banda até à altura em que eu saí para a estante.
Foi a Saudação a Mateus :)
Não foi o Hélico em Paris.

E, por isso, eu fiquei contente, na altura. Porque saí com uma música diferente de toda agente. Por coincidência, eu gostava mais da minha

;)

Depois, há a minha outra paixão: A guitarra.
Mas essa, não sei mesmo tocar.
Terei que aprender.
Até já sei quem me pode ensinar... mas como o tempo não me sobra, antes escasseia...
Vai ficar para outro ano da minha vida.

2008 não é um ano de projectos, não é um ano de concretização.
É um ano de continuum. É um ano onde nada de novo se passa.
Resumindo, é um ano par.
E eu já sei que os meus anos pares... são para cumprir passagem.
Não são os melhores, nem os mais memoráveis.

O Saxofone Soprano que o diga!


*foto retirada ao desenho que ilustra o album "Ultimate" do Santana.



Pieces don't fit here anymore

Um dia de outono




Estava uma brisa que já não era agradável... era fresca.
Em pele de galinha, ela seguia por caminhos de terra batida
e pensava que a terra molhada tinha um cheiro bom.

Pedras e folhas, alguns troncos pequenos que encontrava ocasionalmente no chão, deitados a baixo pelo vento da noite anterior.

E, de repente, a brisa planou e a folha desceu.
Numa dança fantástica, girou sobre si mesma e desenhou no ar fresco um rodopio que parecia ser infinito de alegria.
Até poisar, suavemente. Na realidade, não foi uma queda.
Foi uma chegada ao destino.

Na véspera, ela tinha visto, mais uma vez, aquele pássaro de asas grandes e escuras.
Estava atento para caçar um pobre coelho que saísse da toca distraído ou um qualquer animal que se dispusesse a atravessar um erva qualquer ao seu alcance.
Pousada num muro alto, quieta, a águia esperava pelo momento certo.
Levantou voo e desceu a pique.
Não esperei para ver se tinha conseguido uma refeição.

Ás vezes, ela ouve o seu chamamento e vê planagens que só podem ser desenhadas por asas grandes que, vistas de longe e imaginadas com os olhos fechados, podem querer mostrar caminhos e desvendar sonhos.

Logo ela, que nunca se lembra dos sonhos que sonha...

29.9.08

Amor Platónico

Hoje apeteceu-me escrever de ti (não sobre ti).
Hoje lembrei-me de ti quando vinha a conduzir, depois de sair do trabalho.
Tive um dia banal, nada de especial aconteceu. Nada de novo.
Nada, por isso, fazia prever que me lembrasse de ti.
Mas lembrei.

Faz tempo que não te vejo, nem sei nada de ti. Nunca mais nos falámos.
Pensei: Por onde andarás? O que é que tens feito? Estás bem? És feliz?

Não sei. Não posso saber.
Nem tu me dizes, nem eu te pergunto.

Tu foste o meu "Amor Platónico". Todos os dias eu espreitava por aquela janela minúscula só para te ver. E todos os dias recebia um sorriso teu e devolvia o meu melhor olhar apaixonado.
Lembro-me tão bem da primeira vez que falámos... E da última, também.
Durante muito tempo eu pensei que era só eu que tinha vontade de espreitar todos os dias pela janela. Eu, ingénua. Eu, jovem. Eu, sem jeito nenhum para coisa nenhuma.
Eu sempre assumi para mim mesma que serias o meu "Amor Platónico". E foste. Sempre.

Até ao dia em que pedi que me dedicasses umas palavras numa fita de finalista de faculdade. Puff!!! Nesse dia, foi difícil. Mas eu portei-me à altura, dei o meu melhor e não fraquejei. Fiquei surpreendida comigo mesma.

Nada, nada faria prever que me revelasses um segredo, ou um sentimento momentâneo. Não perdeu a beleza por ser momentâneo. Mas também não ganhou maior importância por ter sido revelado.

Tu eras o meu "Amor Platónico". Só isso. E isso para mim era tanto, mas tanto... Eu não queria mudar nada, nem queria que tu mudasses nada.
Sem eu te dizer nada, tu percebeste (claro!).
E mudaste.

Tínhamos dito tantas vezes 'Adeus' e de todas as vezes eu julguei que era a última.
Mas não. O último 'adeus' foi nesse dia em que assinaste a fita de finalista.
Depois disso, nunca mais te vi.

Ás vezes, tenho saudades tuas. Mas, gosto de me lembrar destas coisas assim... sem mágoa. Só com um sabor gostoso de saudade que se sente de bons momentos.

Não sabes (nem podes saber), nem sonhas que tenho um blog e que aqui deposito fielmente o que me vai na alma, consoante os dias vão passando por mim, conforme eu vou passando pela vida de Sereia* que cumpre a sua passagem por este e por outros mundos. Não sabes que te dedico este post e, muito provavelmente, nunca chegarás a ler nada que eu tenha escrito. A não ser aquela carta de despedida que te escrevi, num desses 'Adeus' que julguei ser o último, e não foi.

Passados estes anos, fiquei sem Amor Platónico.
Mas, para mim, eras tu. Por isso, nunca senti vontade, nem necessidade de te substituir. Terás sempre no meu coração de Sereia*, um lugar só teu.
Um lugar que já foi maior e que o tempo e a distância foram minguando.

Só espero que sejas feliz.

*

Em Maio de 2002 dediquei-te estas palavras...

A surpresa de um olhar, pode ser a razão de uma felicidade pura,
ainda que momentânea.
A lembrança constante desse olhar, pode ser a razão de uma tristeza profunda,
ainda que inconsciente.
Apesar de me sentir triste agora, obrigada por me teres olhado assim.

*

Agora, já não me sinto triste.
Agora já fico contente só de me lembrar de ti, assim... de vez em quando.

28.9.08

Sossego de Ser




383

Sossega. Cria a tua própria alma no escrevê-la, o teu pensar que ignoras, a notícia da beleza que passou por ti. Cria a tua serenidade nos arredores afastados de onde és obrigado a existir o que não és. Corta a passagem do que és para o lado em que não consentem o que sejas. Inventa-te na ignorância dos outros sobre ti - e terás renascido inteiro para o inquestionável de seres. A porta. Fecha a porta.




Vergílio Ferreira, Pensar

26.9.08

Xisto







(

...)

Ah, pudessemos nós encontrar algo humano
puro, contido, simples, uma estria nossa de terreno fértil,
entre rio e penhascos. Porque o nosso coração nos excede tal como neles.
E não podemos segui-lo com os olhos em imagens que o apaziguem, nem em corpos divinos em que, maior, se contém.


Rainer Maria Rilke, As Elegias de Duíno

25.9.08

A Viagem na Cabeça





Do meu quarto andar sobre o infinito, no plausível íntimo da tarde que acontece, à janela para o começo das estrelas, meus sonhos vão por acordo de ritmo com a distância exposta para as viagens aos países incógnitos, ou supostos, ou somente impossíveis.


Bernardo Soares, Livro do Desassossego

23.9.08

Equinócio de Outono




O Outono é muito mais do que uma estação do ano.
Tem, na minha vida, um simbolismo muito grande. Não se resume à queda das folhas e aos ramos secos e vazios, não se fica pelo mau tempo, pela chegada do frio, pelos dias mais curtos.

O Outono tem em mim uma vida que se distingue do resto do ano.
A sua chegada marca-me lá bem fundo, no coração.
O Outono chega e o meu coração escurece, a minha alma desvanece e eu própria fico distante do resto do mundo e de mim mesma. É assim há dez anos. Sou assim de há dez anos para cá. Tenho relatos escritos que me retratam no Outono e me mostram distante.

É distante que me sinto e é distante que , de facto, fico.
Fico longe daqui, longe de mim e dos outros. Parto da minha vida para longe, vivendo, ao mesmo tempo, qualquer coisa fictícia e real. Não é encenação, é real. Mas como se eu não estivesse presente na minha vida. Como se fosse um passageiro incógnito e discreto nesta viagem, neste período de tempo em que estou e me sinto fora de mim.

O Outono começou hoje à tarde e eu não pude celebrar a sua chegada do modo que desejaria. Não pude receber esta bênção de estar fora de mim como gostaria. Ainda assim, o Sol cruzou hoje o plano do equador celeste, naquele que é o seu movimento anual (aparentemente elíptico) e a esse instante do Universo chama-se Equinócio de Outono.

Dia e noite demoram o mesmo tempo a passar. Dia e noite iguais, no hemisfério norte.
É linda esta Igualdade, é linda a Natureza e é lindo todo o Universo.
A harmonia entre dia e noite, luz e breu, Sol e Lua, claro e escuro.

Chego a esta altura do ano e começo a sentir saudades do futuro.
Espero pelos dois meses mais difíceis do ano, Outubro e Novembro.
Espero por eles a pensar neles e sentir falta deles em mim. Porque eles sempre me despertam para mim mesma, para a minha essência, para o que sou, para o que fui e para o que me tornei.
Nestes dois meses de Outono, olho-me no espelho, olho-me nos meus olhos e explico-me a mim mesma tudo aquilo que me quero dizer e não me entendo, não me reconheço.

Paro muito, recuo muito, avanço e volto a trás. Tudo isto em suspensão.
É uma altura de poucas palavras, de muito silêncio.
O Outono trás de volta a minha alma, o meu passado e o meu futuro. Traz-me de mim, recupera-me o "Ser".

Vem Outono!
Vem sem pressa, que eu não tenho tempo a perder com pressas e o meu passado e o meu futuro em ti se unem em mim mesma.

Chegaste, Outono!
E Cheguei eu!

Fechei os olhos, fiquei em silêncio e ouvi o som que tanto precisava ouvir:
o bater do coração.

Renasci e Morri de mim.
Preciso acender uma vela laranja, uma dourada e uma amarela.
Este Outono vai ser maravilhoso*


17.9.08

Ser sem Viver




Fosse Eu apenas, não sei onde ou como,
Uma cousa existente sem viver,
Noite de Vida sem amanhecer
Entre as sirtes do meu dourado assomo...

Fada maliciosa ou incerto gnomo
Fadado houvesse de não pertencer
Meu intuito gloríola com Ter
A árvore do meu uso o único pomo...

Fosse eu uma metáfora somente
Escrita nalgum livro insubsistente
Dum poeta antigo, de alma em outras gamas,

Mas doente, e, num crepúsculo de espadas,
Morrendo entre bandeiras desfraldadas
Na última tarde de um império em chamas...


Fernando Pessoa
Ficções do Interlúdio




Ser sem Viver, Morrer sem amanhecer-se.
E assomar-se, antes e/ou depois de escrever-se.
Alma fadada*

Coração de Sereia* - versão revista e actualizada




O meu coração podia ter o aspecto e a forma deste azulejo.
Não sendo rijo de barro, de cerâmica. Mas, sendo rijo de uma resistência que é inerente aos corações líquidos, nomeadamente o meu que é de Sereia*

Um coração tão forte e tão azul como a água.
Líquido, maleável, mole, que se entranha, que molha e tudo contagia 'líquidamente'

No fundo, o que eu queria era que o meu coração fosse assim... redondo, azulado, com gotas azuis em molduras amarelas à saída da sua forma circular. Gotas de um azul que unisse o interior do coração, de cor verde, ao exterior - o universo. O todo e cada parte e partícula, feita de todo o material, com toda forma e cor

E poder ver, como quem sente dentro do coração, que todo o universo é também da cor verde. A mesma cor desse centro que seria o meu coração...

E como que num sonho, todo o universo cabia dentro deste azulejo.
Num espelho mágico, descoberto num momento mágico, o azul podia ser o veículo, o modo de transporte do verde de dentro para fora e de fora para dentro

Num movimento lindo de Dar e Receber.
Num movimento contínuo que os corações têm quando batem, quando vibram*

Fotografias com legenda... ou legendas com fotografia



Podia correr por este claustros e esconder-me num ou noutro




Podia subir ao alto de uma palmeira só para ver como sou pequena, vista do alto




Podia espreitar para além da vedação feita de canas secas,
para ver se, ao longe, avistava o meu caminho





Podia escolher uma cor, ou muitas cores, para colorir o meu caminho
e todas as minhas paragens e mudanças de direcção.





Podia escolher outra sombra para me seguir no caminho ao Sol,
em vez de caminhar na sombra





Podia colher uma flor linda que me surgisse na vida
Podia magoar-me menos nos picos





E podia dizer "Adeus" como quem diz "Bom Dia"

15.9.08

FOLIA, Tu És Isso!

Cheguei e juntei-me à multidão.
Todos à espera de qualquer coisa que não sabiam o que era. Só imaginavam, como eu, o que poderia ser.

Uma voz feminina e forte chama por um nome: SEBASTIÃO!
As luzes acendem, as caras surgem e, com elas, as palavras que a multidão esperava ouvir.

Palavras.
Palavras de luz. Palavras largadas em noite de lua cheia. Uma noite fantástica de Pentecostes.

Todos estavam ali, em plena serra de Sintra, num dos locais mais fascinantes e que mais 'estórias' contam: a Regaleira. Todos estavam ali para festejar um mistério, para vislumbrar a luz que deveria descer sob a forma de línguas a qualquer instante, sobre as nossas cabeças duras. Todos haveriam de formar uma irmandade depois de renunciarem aos apegos e aos vícios de vidas que não são mais que "cadáveres adiados".

Todos haviam de passar os cinco níveis de libertação e chegar à luz do páteo para assistir à coroação do Imperador do Quinto Império.

Fui ungida com uma tinta braca na testa e encaminhada para junto de outras Ninfas e Deusas, assim apelidadas, como eu.

Sei que a coroação se deu e que todos comemos pão e azeitonas e bebemos água e vinho. Um bodo que tem tudo o que é sagrado e tudo o que é profano.

Fazia frio e a lua cheia estava cada vez mais alta.
As gaitas de foles tocavam, os tambores soavam, no peito batia também qualquer música que não soube identificar.

E, então, dancei.
Uma dança viva. Uma roda, um par, uns passos...
16 passos para lá, mais 16 passos para cá,
depois 8 com o pé direito e mais 8 com pé esquerdo,
depois 3 meias voltas...

Dancei vezes sem conta!
Numa alegria contagiante, num rodopiar de vida e de FOLIA!

Nessa noite, com o meu renascimento chamei-me Camila. Um nome que nunca deveria pronunciar... E acho que consegui identificar palavras que conhecia dentro de mim mesma, mas distantes de mim, de onde estou e sou agora.

Que pena!
Queria tanto viver AQUELA FOLIA toda a minha vida!
AQUELA FOLIA! Não uma folia qualquer. AQUELA!

SAÚDE IRMÃOS!
Renascidos depois de se terem abandonado, ainda que por breves instantes.

Foi LINDO!



P.s:
Caro Paulo Borges, A FOLIA é linda!
Não posso deixar de dizer que é LINDA!
E Linda é a palavra que para mim significa o meu gosto por qualquer coisa que me faz ver como eu gostaría de ser ou estar.
Quando sinto Saudades do meu Futuro, é assim que me imagino.
Foi mesmo o teatro da minha vida, das nossas vidas!

9.9.08

WATSU

O corpo, mantido em flutuação
por braços que embalam suavemente, retorna
a memórias perdidas de amor sem incerteza.
A alma se eleva ao experimentar a liberdade
de um corpo entregue à água -
em busca de planos mais elevados.
Mas não é separação o que acontece,
e sim o êxtase da Unidade.
Dentro do corpo que flutua
a alma está livre para cantar
e o corpo,
tendo derrotado a gravidade
e todos os laços materiais
livre de toda a escravidão,
volta a ser essência
em seus braços.


Alma Flor Ada

Caros amigos

Há uns anos atrás, tive a sorte de ser apresentada ao Watsu.
Digo isto, desta forma, porque, de facto, hoje sei que o Watsu estava destinado a estar presente em mim. E foi com a sua chegada à minha vida que eu me encontrei.

O Watsu, para quem não conhece, é o diminutivo para Water Shiatsu. Um trabalho corporal realizado dentro de água aquecida (quase à temperatura do nosso corpo), com base no Zen Shiatsu. O seu criador, Harold Dull, juntou movimentos de alongamentos e de massagem numa dança que a água aquecida potencia e faz elevar os nossos níveis de relaxamento, de tranquilidade e de confiança.

Flutuar nos braços de alguém é qualquer coisa de fabuloso. É uma viagem linda e sempre diferente em cada sessão de Watsu que recebo ou que ofereço.
O facto de estarmos com alguém nos braços e de nos conectarmos com essa pessoa e com o Universo, faz o nosso coração bater mais forte e faz a vibração aumentar.
Até surgir em nosso redor, até nos abraçar e nos embalar a todos.


Com este poema deixo um convite e peço desculpa pelo uso abusado deste blog, do qual me orgulho de fazer parte, para publicidade de uma actividade.

Dia: 5 de Outubro,
Local: na Escola de Natação Delfins Azuis, em Tires,
Hora: durante todo o dia

Haverá prática livre de Watsu. Também será possível receber sessões de profissionais (mediante marcação prévia). Mesmo assim, se ainda acharem que querem só ver para saber como é… podem ir só espreitar e depois seguirem para as vossas vidas
Espero que a viajem pelo mundo do Watsu seja bonita para quem queira experimentar.
Porque todos somos água… E eu, sendo Sereia*, tenho o dever de vos dizer que o Watsu existe e que é maravilhoso experimentá-lo em nossas vidas.

7.9.08




"Como sou atraído de volta àquela escuridão
mais uma vez
para permanecer de pé na praia
diante do mistério na proa do barco de Vénus

Enquanto ele arranha a areia e, jogando fora o vestido de espuma,
ela desembarca.
Como sou atraído de volta àquele lugar
Eu ouvi, lançando-me para seu novo vestido florido,
seu choro e seu riso

Oh, beleza nascida na profundeza da noite"


Harold Dull,
Poeta, Mestre de Zen Shiatsu e criador do Watsu

1.9.08

De Tudo e de Nada - Desisto




Vou por uma pedra sobre o assunto. Uma pedra qualquer, arredondada, para não me magoar mais. Vou deixar o mar levar de volta. Para longe daqui, para onde tudo começou e onde tudo há-de acabar. Assim, onda atrás de onda. Lua cheia, Lua Nova. Era após Era. Tudo depois de nada.

Vou entregar os pontos. Fechar a porta, apagar a luz, puxar o lençol e tapar-me.
Vou dormir sem sonhar. Vou parar de gritar em silêncio. Vou deixar de ouvir o grito,
de sentir o aperto, de chutar no vazio.

Hoje não se pode repetir dentro de mim. E eu sei que nunca se repete, mas aos meus olhos a repetição é infinita. Sou eu que não quero ver mais do que isto. Sou eu que não quero ver mais e melhor. Como se fosse possível. Eu digo a mim mesma: não posso mais. E respondo a mim mesma: desiste.

Desisto. Sou fraca demais para continuar. Quero parar aqui, saltar em andamento para fora de onde estou. Não me nego a mim mesma, não consigo negar-me. Nem quero. Apenas reconhecer que errei, que erro. Sempre, em cada onda que me rebenta nos pés.

Cumprir o destino. Esse destino que não compreendia, esse destino que não aceitava.
Cumpri-lo. Só isso. Sem contestar, sem imaginar como seria diferente. Nasci para isto que sou. Nasci para ser assim, estava escrito desde o princípio dos tempos.

Teimei, não quis ler o que o destino me escreveu. Lutei sem saber que antes de nascer já tinha perdido o que julguei poder ter como certo. A vida deu-me sinais que eu sempre identifiquei, mas o sonho e a esperança não me deixavam aceitar. É evidente demais. Dói demais pensar nessa evidencia. Não me quero lamentar. Não tenho essa vontade, nem esse direito.

Estou farta de procurar. Lembro-me de ditados antigos, valho-me deles. Lembro de palavras amigas, valho-me delas. Lembro-me do pensamento positivo. Mas, chega. Não me contento mais com este chão que me suporta o corpo. Preciso de um outro chão ou de um outro céu que me suporte a alma. A alma tem ficado lá atrás. A alma que tenho e já não sei onde deixei. Eu sei que tenho. Eu sei. Mas não ouço a sua voz faz tempo.
E é essa voz que quero ouvir agora. Aqui e agora. Já!




Chega. Não quero mais. Não quero mais esperar-te, pensar-te, sonhar-te, imaginar-te.
És-me impossível. És o meu nunca.

31.8.08

Regresso ao futuro

Olho para trás.
Não muito longe, aliás.

Aqui atrás. Já, aqui, a morder o meu calcanhar.
E consigo ver que o tempo passou e eu não fiz o que me prometi.
faltei à minha promessa a mim mesma.

Sinto-me desiludida e vazia quando penso nisso dessa forma.

Estive de férias um mês, tinha planos para todo o mês que não consegui concretizar.
Tenho que reconhecer a minha culpa total nisto.
Tenho que bater no peito e dizer para mim mesma "mea culpa".

Quase à porta das férias, jurei que ia ter tempo para mim mesma e para poder fazer os milhares de coisas que tinha para fazer e tratar. Separei tempo para arrumar, para comprar, para escrever, para ler, para mudar, para escolher o que queria guardar.
Cheguei ao primeiro dia de férias cansada fisica e psicológicamente, decidida a abrandar o ritmo que me impunha há um ano, ou há dois... já nem sei ao certo...

Cheguei estafada. Podre de cansada. Incapaz de continuar por mais tempo.
Olhei para mim e, quase irreconhecível, decidi que os dias que ia passar de férias iam ser dias de Paz.
Paz dentro e Paz fora. Paz para mim e para os que me rodeiam.
Paz.
Desde o momento em que acordasse até depois de adormecer.

Agora que as férias terminam dentro de poucas horas, percebo que não foi nada disso que aconteceu.
As coisas aconteceram à velocidade da luz, as decisões alteraram os planos anteriormente feitos e os acontecimentos sucederam-se assim: zzzzzzzttttt!!!!

Foi tudo a correr.
Não houve tempo para pausas, nem para fazer NADA do que queria e precisava.
As prioridade alterarm-se a meio. E, mal cheguei de viajem, cedi a dois convites para estar com amigos. Coisa que já não sabia o que era há um montão de tempo.

E pronto. Aqui estou eu. Sempre a voar a uma velocidade super-sónica.
Tenho mesmo que abrandar. Não é por este caminho veloz que quero seguir.

Mas o inevitável momento do regresso ao trabalho está a curtas horas de distância.
É amanhã. É já. É agora.

Regresso ao futuro...

30.8.08

Águia Azul




"Eu presevero com o fim de criar

Transcendendo a mente

Selo a saída da visão

Com o tom cósmico da presença

Eu sou guiado pelo poder da autogeração"



"Tenho a energia e o poder de atravessar a terra para recordar e despertar tudo o que sou"

19.8.08

Anedota do Sr. Abrantes ;)

Óh menina Sereia*,
por acaso... não tem uma irmã vestida ao contrário, não???

;)

É a única anedota de Sereias* que conheço.
Foi o Sr. Abrantes que contou, salvo erro, no magusto.
Nunca mais me esqueci.

:)

Sometimes...



Sometimes I run...





Sometimes I hide...





Sometimes one is not enough