14.2.08

Carta de Amor no Dia dos Namorados

Amor da minha vida,
Hoje tenho que escrever um post dedicado a ti e só a ti.
Perdoa-me a indelicadeza de tornar públicas as palavras que seriam só tuas. As palavras únicas que eu tenho para te dizer e que só tu deverias ler, num momento de silêncio, só com a tua voz grave a soletrar a melodia de sons que eu escrevo, aqui e agora, com o coração na ponta dos dedos.

Perdoa-me, mas tenta perceber que sou uma Sereia* e, dada essa minha condição, tenho características especiais. Nem sempre são perceptíveis, nem sempre... acompanho as correntes de mar que tornam a minha vida mais líquida, mais sentida, mais vivida. Porque sou líquida, não tenhas dúvidas de que sou líquida.

Um dia escrevi um poema que é uma espécie de auto-retrato, não tem nome. Vou escrever-to de novo aqui nesta Carta de Amor para que no dia em me vires, saibas quem sou.

Porque gosto de ouvir sentada e não de pé
Porque sonho com o que é eterno, mas tenho fim
Porque só vejo bem em silêncio
Porque nem todos os sons me falam, nem todos me soam
Porque sou da terra e não do céu
Porque sou líquida e não sou sólida.

Quando pensares em mim, pensa com um gesto suave da tua mão perfeita, e que eu adoro, pelo meu rosto. Deixa que eu sinta a tua mão pensar em mim.
Quando pensares que eu sou o teu Amor, deixa os teus olhos olharem os meus com a profundidade e a clareza de quem acredita.

Porque quando eu penso em ti, penso naquele que me corresponde no universo, naquele que me continua, que dá seguimento à minha linha, que completa a minha espiral com a sua espiral da existência.
Quando penso em ti não consigo imaginar onde termino eu e começas tu, não consigo identificar o ponto onde tudo pára e tudo recomeça, porque só vejo um continuum.

Queria poder acompanhar cada passo que a tua alma dá, queria saber ler-te nas estrelas dos olhos, quando brilham. Queria saber-te sempre imprevisível, sempre bem humorado. Sou exigente quando quero ou quando peço alguma coisa. Se quero e se peço, é porque preciso. Quero-te, peço-te, preciso-te.

Se duas pedras se encontraram um dia e se juntaram para a eternidade...


Também nossos passos se encontrarão...


Chega ao fim a minha Carta de Amor. Foi difícil escrever tudo isto, foi difícil pensar na palavra e na expressão certa para ti. É sempre difícil escrever uma Carta de Amor para alguém que não conhecemos e que, por isso, aos nossos olhos parece que não existe.
Tu és TU. Onde, quando e como te revelares aos meus olhos de Sereia*. Quase sempre distraídos, ausentes de tão presentes que estão.

2 comentários:

Pipinha disse...

Uau!!! Que lindo amiga!!! Adorei!
Tu mereces alguém muito especial, porque TU és uma pessoa muito especial!!
Gosto muito de ti, amiga kida!!
A tua vez há-de chegar, um dia quando menos esperares!!!!
Beijinhos e um abraço muito apertadinhooooooooo.

Thiago disse...

Antes de mais, obrigado por teres decidido partilhar esta bonita carta de amor comigo...

creio que buscamos o mesmo tipo de Amor, o mesmo tipo de pedra que encaixe connosco, os mesmos passos que na areia deixem as suas marcas...

deixo-te um vídeo que te dedico:

http://www.youtube.com/watch?v=4etM4_eMo10

beijinhos