17.2.08

Sem Título II



Que o dia amanheça e escureça,
que a casa tenha porta e janela,
que a luz desça e mostre a cor,
que o escuro não seja nunca o único lugar,
que cada lugar seja de alguém, um dia,
que sempre haja uma espécie de líquido que nos envolva por fora e por dentro,
que o chão que piso seja o tal apoio para as quedas e para os caminhos,
e que os caminhos sejam sempre muitos, mas um só, ao mesmo tempo.









Que de palavras se encham as folhas de papel, livros, blocos, blogues,
que hoje tenha sempre um ontem e um amanhã,
que o amanhã faça o anteontem ter parecido um dia e seja mais do que isso,
que estrelas brilhem no céu, nas ribaltas, nos olhos,
que pulsações sejam sentidas a galope dentro dos peitos deste mundo,
que os sorrisos vindos de dentro se vejam cá fora,
e que o que julgo que sejam sentimentos falem sempre mais alto e, ás vezes, gritem.








Que haja sempre luz daquela que ilumina e nos deixa ver mais claramente,
que os povos habitem os espaços em harmonia,
que o sol permita os regressos e as partidas, mas nunca para sempre,
que possamos ouvir mais sons e emitir menos ruidos,
que gostemos de outros ao mesmo tempo que não gostamos disto ou daquilo,
e que tenhamos tempo para podermos partilhar qualquer coisa com cor, com sabor, com cheiro, aparência, melodia, qualquer coisa que se sinta.






Que espíritos se soltem, dançem e sonhem,
que alguém em conjunto com alguém possa construir,
que toda a construção humana e espíritual, material e imaterial, dê frutos,
que todos sejamos crianças contentes em dias de sol,
que sempre rebentem ondas salgadas aos nossos pés,
que as tempestades por que passamos sejam breves e passageiras,
que as bonanças sejam só as calmarias da alma e do coração,
e que alma e coração possam juntos ser sempre o mais importante das nossas vidas.




Que tenhamos imagens de sobra para ver e lembrar, para mostrar e para fazer de novo,

que um seja sempre equivalente a outro, ou a dois,

que o conjunto e as partes sejam o pé que sustenta o corpo, a mão que abre, o braço que estende,
que o corpo seja um nenúfar e se suspenda na água,
que cada ponto do universo tenha um ponto correspondente,
que objectos especiais tenham lugares especiais ou corações especiais onde habitem,
que cada um tenha uma janela favorita para olhar, para espreitar, para abrir e fechar,
que os olhos vejam sempre mais além, mais por cima das núvens, mais depois dos montes,
e que nem sempre tudo seja o que os olhos vêem, mas antes o que a alma sente.









Sereia*

4 comentários:

Pipinha disse...

Que lindo, amiga kida! Que profundo!! Eu consigo olhar dentro dos teus olhos e ver a tua alma! E adoro ser tua amiga!!! Abraço apertadinho.

Mundo Azul* disse...

Gosto de te ler.

Abraço do tamanho do mundo*

Mundo Azul* disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Angel of Light disse...

Só tenho uma palavra a dizer ao que me convidaste a ler:

- Que sejas sempre o lindo Ser de Luz que és!

Texto maravilhoso! Obrigada pela partilha. Fiquei sensibilizada!

Saiu agora um novo livro da Tereza Guerra que, ao que vi, é bastante bom. Se puderes compra. Chama-se "Poder Índigo e Evolução Cristal"

Beijinhos de Amor, Paz e Luz!