5.6.08




Podias ser o cigarro ultra-longo

Que arde até queimar os dedos

Podias ser o ar do ditongo

Que aquece por dentro os segredos







Podias ser o baque que esmaga


O olhar obsceno que assanha


O toque de anca que alaga


A unha diamante que arranha


Serias o meu livro de areia


Que traz Maomé à montanha


A linha de vida que enleia


Como na estratégia da aranha








Serias o objecto perdido


Que me faz sentir sempre pobre


O fio de Ariane escondido


Cuja ponta o amor descobre








Podias ser a vela cansada


O dia que eu apenas pressinto


Podias ser a cera dourada


À espera no fim do labirinto








Fio de Ariane, de Carlos Tê e Helder Gonçalves


Música do album Rosa Carne, Clã






Uma música de que gosto muito. Por nada em especial, mas sou mesmo fã dos Clã!


A possibilidade de sermos qualquer coisa para outra pessoa encanta-me, nesta música.




1 comentário:

kakauzinha disse...

Este Carlos Tê é mesmo mágico! Muitas vezes penso o que teria sido do Rui Veloso sem ele, será que teria tido tanto sucesso? É aquele ditado "Duas cabeças pensam melhor do que uma só".

Mas enfim, uma música, um poema também nascem de uma só pessoa e ficam para sempre. Este poema é divinalmente belo e romântico, amei!

Beijinhos coloridos de muitos azuis****