1.6.08

Sonho em dia de Crianças

Tive um sonho...
Acordei num mundo diferente. Todos diziam que estavam a viver no Quinto Império.
O Quinto Império, é aquele em que Agostinho da Silva e o Padre António Vieira acreditavam.
O Quinto, depois dos quatro anteriores falharem. O Quinto, sem Sexto que se lhe seguisse.
Acordei no Quinto Império e o imperador era uma criança, como manda a tradição.
O Império do Espírito Santo! O espírito de uma criança. O Império da criatividade.
Era a criança que imperava e que vinha ao mundo resolver todos os problemas. A criança com o seu espírito livre e criativo. A criança, ainda sem ir à escola, ainda sem ter ideias feitas.
A criança sem tempo nem espaço que a prendam. A criança que devia existir em todos nós com uma presença mais evidente.
***
Sem grandes comemorações do dia que pode significar muito para muita gente, hoje, fui trabalhar de manhã. De tarde, estive com a minha sobrinha a pintar um desenho com guaches. Uma iniciativa levada a cabo por um grupo de pessoas interessadas em fazer nascer qualquer coisa numa terra que há muito parece abandonada por quem lá vive. Incluo-me nessas pessoas e assumo a minha passividade e a minha distância. Olho para mim e consigo ver a culpa de não agir aqui.
Aqui, nesta terra que eu Amo. Aqui, no único sítio do mundo onde imagino viver.
A Terra tem exactamente a tradição do Quinto Império e tem a denominação de Aldeia do Espírito Santo. Porque era o único local em Portugal Continental onde esta festividade se verificou durante muitos e muitos anos, à semelhança dos Açores (onde, felizmente, ainda existem).
Tive a felicidade de ter assistido a essas festividades, tive a felicidade de participar nelas. Mas orgulho-me mais de ter sido fruto de pessoas que a sentiram com a pele e a realizaram com o suor do corpo. Tenho orgulho de poder dizer que sou fruto de quem já levou nos braços o estandarte do Espírito Santo, de quem fez a pomba branca, símbolo do Espírito Santo, com as suas mãos talentosas. Alguém que soube e alguém que sabe, de facto, viver o Quinto Império na sua vida.
E se mais penso naquilo que não faço por esta terra linda onde nasci e onde quero morrer um dia, mais me orgulho por nela viver.
Um dia, sem ser este, tive um sonho parecido com a realidade que hoje vivi. Sonhei que aquele espaço era um espaço sem fim, onde as crianças podiam, de facto, existir sem mais nada. Serem o que são sem mais nada. Serem o que queriam ser, sem mais nada.
Sonhei, um dia, que haviam de pintar aguarelas lindas, pular e jogar, fazer malabarismos. Como hoje fiz e vi fazerem.
O meu sonho realizou-se. Sem a minha ajuda, sem nada que possa chamar meu. Só com a minha presença emocionada. Só com um desenho de guache, cheio de flores coloridas que pintei com a minha sobrinha.
Tive um bocadinho de Quinto Império.

2 comentários:

Pipinha disse...

Olá minha querida e linda amiga, até no dia de hoje (Domingo) foste trabalhar!!! Não tens descanso!!! Espero que estejas bem e que a tua semana seja calminha e cheia de paz, alegria e muito carinho.
Já estou outra vez com saudadinhas tuas!!!
Gosto muito de tiiiiiiiiii!!
Muitos beijinhos no teu coração lindo, muitos abraços apertadinhos e longosssssssss.

Cöllyßry disse...

Que o sonho se faça realidade, sem violência, para Elas, as nossas criança...

Beijitos