29.9.08

Amor Platónico

Hoje apeteceu-me escrever de ti (não sobre ti).
Hoje lembrei-me de ti quando vinha a conduzir, depois de sair do trabalho.
Tive um dia banal, nada de especial aconteceu. Nada de novo.
Nada, por isso, fazia prever que me lembrasse de ti.
Mas lembrei.

Faz tempo que não te vejo, nem sei nada de ti. Nunca mais nos falámos.
Pensei: Por onde andarás? O que é que tens feito? Estás bem? És feliz?

Não sei. Não posso saber.
Nem tu me dizes, nem eu te pergunto.

Tu foste o meu "Amor Platónico". Todos os dias eu espreitava por aquela janela minúscula só para te ver. E todos os dias recebia um sorriso teu e devolvia o meu melhor olhar apaixonado.
Lembro-me tão bem da primeira vez que falámos... E da última, também.
Durante muito tempo eu pensei que era só eu que tinha vontade de espreitar todos os dias pela janela. Eu, ingénua. Eu, jovem. Eu, sem jeito nenhum para coisa nenhuma.
Eu sempre assumi para mim mesma que serias o meu "Amor Platónico". E foste. Sempre.

Até ao dia em que pedi que me dedicasses umas palavras numa fita de finalista de faculdade. Puff!!! Nesse dia, foi difícil. Mas eu portei-me à altura, dei o meu melhor e não fraquejei. Fiquei surpreendida comigo mesma.

Nada, nada faria prever que me revelasses um segredo, ou um sentimento momentâneo. Não perdeu a beleza por ser momentâneo. Mas também não ganhou maior importância por ter sido revelado.

Tu eras o meu "Amor Platónico". Só isso. E isso para mim era tanto, mas tanto... Eu não queria mudar nada, nem queria que tu mudasses nada.
Sem eu te dizer nada, tu percebeste (claro!).
E mudaste.

Tínhamos dito tantas vezes 'Adeus' e de todas as vezes eu julguei que era a última.
Mas não. O último 'adeus' foi nesse dia em que assinaste a fita de finalista.
Depois disso, nunca mais te vi.

Ás vezes, tenho saudades tuas. Mas, gosto de me lembrar destas coisas assim... sem mágoa. Só com um sabor gostoso de saudade que se sente de bons momentos.

Não sabes (nem podes saber), nem sonhas que tenho um blog e que aqui deposito fielmente o que me vai na alma, consoante os dias vão passando por mim, conforme eu vou passando pela vida de Sereia* que cumpre a sua passagem por este e por outros mundos. Não sabes que te dedico este post e, muito provavelmente, nunca chegarás a ler nada que eu tenha escrito. A não ser aquela carta de despedida que te escrevi, num desses 'Adeus' que julguei ser o último, e não foi.

Passados estes anos, fiquei sem Amor Platónico.
Mas, para mim, eras tu. Por isso, nunca senti vontade, nem necessidade de te substituir. Terás sempre no meu coração de Sereia*, um lugar só teu.
Um lugar que já foi maior e que o tempo e a distância foram minguando.

Só espero que sejas feliz.

*

Em Maio de 2002 dediquei-te estas palavras...

A surpresa de um olhar, pode ser a razão de uma felicidade pura,
ainda que momentânea.
A lembrança constante desse olhar, pode ser a razão de uma tristeza profunda,
ainda que inconsciente.
Apesar de me sentir triste agora, obrigada por me teres olhado assim.

*

Agora, já não me sinto triste.
Agora já fico contente só de me lembrar de ti, assim... de vez em quando.

3 comentários:

Pipinha disse...

Ohhh minha Amiga kida, que emoção me provocou este teu texto!! Fiquei sem palavras... só te consigo dizer... És lindaaaaaaa e adoro-te!
Felizmente já não te sentes triste e recordas esse amor com um sorriso.
Obrigada pelas tuas maravilhosas palavras deixadas no meu cantinho.
Como golfinha que sou adoro ter uma sereia linda como amiga... TU!
Boa semana com muito carinho, paz e alegria no teu maravilhoso coração.
Muitos beijinhos carinhosos e abraço muito apertadinho e longoooo.

Joana Homem da Costa disse...

Também tive amor desses..platónicos...e achei lindo que li! identifiquei-me!

Anónimo disse...

Fizeste-me recordar...
Só que eu ainda fico triste... ainda mexe e remexe, apesar do tempo que já passou.


Do pouco que já li, fiquei encantada! :D

Beijinho grande da Ana Margarida, a "sem alcunha" :)