23.9.08

Equinócio de Outono




O Outono é muito mais do que uma estação do ano.
Tem, na minha vida, um simbolismo muito grande. Não se resume à queda das folhas e aos ramos secos e vazios, não se fica pelo mau tempo, pela chegada do frio, pelos dias mais curtos.

O Outono tem em mim uma vida que se distingue do resto do ano.
A sua chegada marca-me lá bem fundo, no coração.
O Outono chega e o meu coração escurece, a minha alma desvanece e eu própria fico distante do resto do mundo e de mim mesma. É assim há dez anos. Sou assim de há dez anos para cá. Tenho relatos escritos que me retratam no Outono e me mostram distante.

É distante que me sinto e é distante que , de facto, fico.
Fico longe daqui, longe de mim e dos outros. Parto da minha vida para longe, vivendo, ao mesmo tempo, qualquer coisa fictícia e real. Não é encenação, é real. Mas como se eu não estivesse presente na minha vida. Como se fosse um passageiro incógnito e discreto nesta viagem, neste período de tempo em que estou e me sinto fora de mim.

O Outono começou hoje à tarde e eu não pude celebrar a sua chegada do modo que desejaria. Não pude receber esta bênção de estar fora de mim como gostaria. Ainda assim, o Sol cruzou hoje o plano do equador celeste, naquele que é o seu movimento anual (aparentemente elíptico) e a esse instante do Universo chama-se Equinócio de Outono.

Dia e noite demoram o mesmo tempo a passar. Dia e noite iguais, no hemisfério norte.
É linda esta Igualdade, é linda a Natureza e é lindo todo o Universo.
A harmonia entre dia e noite, luz e breu, Sol e Lua, claro e escuro.

Chego a esta altura do ano e começo a sentir saudades do futuro.
Espero pelos dois meses mais difíceis do ano, Outubro e Novembro.
Espero por eles a pensar neles e sentir falta deles em mim. Porque eles sempre me despertam para mim mesma, para a minha essência, para o que sou, para o que fui e para o que me tornei.
Nestes dois meses de Outono, olho-me no espelho, olho-me nos meus olhos e explico-me a mim mesma tudo aquilo que me quero dizer e não me entendo, não me reconheço.

Paro muito, recuo muito, avanço e volto a trás. Tudo isto em suspensão.
É uma altura de poucas palavras, de muito silêncio.
O Outono trás de volta a minha alma, o meu passado e o meu futuro. Traz-me de mim, recupera-me o "Ser".

Vem Outono!
Vem sem pressa, que eu não tenho tempo a perder com pressas e o meu passado e o meu futuro em ti se unem em mim mesma.

Chegaste, Outono!
E Cheguei eu!

Fechei os olhos, fiquei em silêncio e ouvi o som que tanto precisava ouvir:
o bater do coração.

Renasci e Morri de mim.
Preciso acender uma vela laranja, uma dourada e uma amarela.
Este Outono vai ser maravilhoso*


2 comentários:

FavaRica disse...

Vai, pois...
Por tua causa, o mês de Novembro será sempre mês de celebração. Pelo teu dia, vou sempre, sempre, sorrir e brindar a duas pessoas especiais... muito especiais!
Beijooooos*

Angel of Light disse...

Olá minha querida... agora já sei porque nunca mais apareceste lá no blog, heim?

Vamos lá a arrebitar! Não te quero ver assim. O Outono é tão lindo, tal como qualquer das outras estações do ano que, aqui para nós, já não são o que eram antigamente. Acho qeu andam as 4 de maõs dadas...hihihi...

Deixo-te luzinahs cor de rosa para iluminar o teu lindo coração aí escondido na toca!

Beijinhos de Amor, Paz e Luz!