1.10.08

Um dia de outono




Estava uma brisa que já não era agradável... era fresca.
Em pele de galinha, ela seguia por caminhos de terra batida
e pensava que a terra molhada tinha um cheiro bom.

Pedras e folhas, alguns troncos pequenos que encontrava ocasionalmente no chão, deitados a baixo pelo vento da noite anterior.

E, de repente, a brisa planou e a folha desceu.
Numa dança fantástica, girou sobre si mesma e desenhou no ar fresco um rodopio que parecia ser infinito de alegria.
Até poisar, suavemente. Na realidade, não foi uma queda.
Foi uma chegada ao destino.

Na véspera, ela tinha visto, mais uma vez, aquele pássaro de asas grandes e escuras.
Estava atento para caçar um pobre coelho que saísse da toca distraído ou um qualquer animal que se dispusesse a atravessar um erva qualquer ao seu alcance.
Pousada num muro alto, quieta, a águia esperava pelo momento certo.
Levantou voo e desceu a pique.
Não esperei para ver se tinha conseguido uma refeição.

Ás vezes, ela ouve o seu chamamento e vê planagens que só podem ser desenhadas por asas grandes que, vistas de longe e imaginadas com os olhos fechados, podem querer mostrar caminhos e desvendar sonhos.

Logo ela, que nunca se lembra dos sonhos que sonha...

3 comentários:

Vergilio Torres disse...

Ave que passa, lá longe a voar
que paira no céu, no ar a planar
cia a pique para algo caçar
e volta a subir, sem nada apanhar...

Sereia* disse...

:)

Joana Homem da Costa disse...

lindo este post! Gostei muito de ter descoberto este blogue! :)
Não sabia que sereias escreviam tão bem! :) Voltarei!

Bjinhos