28.2.08

Água na minha vida


"Tu és água e a sabedoria da água

que conheces.

Deixa-te fluir,

e então o encanto cresce...



A tua alma chegará além dos mares,

com harmonia em orações de paz...



Nunca parando, nunca hesitando,

a água corre corajosamente...




Cintila com audácia para o cosmos,

pois a água sabe..."



Masaru Emoto, in A Vida Secreta da Água

26.2.08

Divagar

Tenho dias em que se paro para pensar... não tenho mais vontade de parar.
Fico ali parada, sentada, quieta.
E, ao mesmo tempo, com os pensamentos a fluir de tal modo, que a velocidade e o encadeamento entre eles me seduz.
Nessas alturas tenho vontade de me render a essa sedução. De me entregar. Como nos entregamos de bom grado ao sono e vamos dormir sem saber o que virá a seguir.
Dou comigo a viajar a bordo de pensamentos tão diferentes uns dos outros. Às vezes tão distantes, outras tão próximos da realidade. Às vezes tão errados, outras tão acertados.
Por vezes, misturo as sensações que tenho através dos cinco sentidos com o que penso...
O resultado é sempre um mistério que eu me delicio desvendar. Um mistério quase sempre "indesvendável" porque o que descubro fica guardado naquilo que lhe dá asas para voar.
Sei de mim mesma que tudo o que guardo nessas asas, voa para parte incerta.
Às vezes regressa, outras não. Conforme a direcção dos quatro ventos e a sua intensidade. Conforme a sua vontade de regressar. Conforme o abrigo que encontram em mim no seu regresso.
Os regressos são sempre mais pesados do que as partidas.
Sempre.
Porque ao regressarmos temos a vontade, o desejo escondido, de encontrarmos o que deixámos lá guardado, escondido e esquecido. Porque o regresso nos faz ter saudades do passado e o passado tem um peso diferente em nós. Em mim.
Tem, tem.
Agosto de 2003*

22.2.08

Tereiiisa

Feliz Aniversário, antes de mais.
Este post é para ti e tenho comigo a esperança de que vai ser lido por ti um dia destes...
Neste momento devia estar ao pé de ti no Di Casa na Av. Infante Santo a acabar de comer uma massa fabulosa, confeccionada ao meu estilo favorito, o italiano.
Não estou e perdoa-me a ausência. Estou podre de tão cansada (nem fui ao ensaio da Banda... mais uma falta a assinalar!!!)
Pensei dezenas de vezes em ir ter contigo, convosco, com vocês. Mas na decisão final pesou a tarde de trabalho que tive e que não posso dizer que tenha terminado da melhor forma.
Enfim, um dia não são dias. Eu sei! E tu merecias que eu estivesse aí agora mesmo. So sorry!

Dedico-te este post.
Pensei em ti muitas vezes hoje. Espero que o teu dia tenha sido, dentro das tuas espectativas, um bom dia!
Hoje dediquei um tempinho para me lembrar de ti. Foi bom. Sabes do que me lembrei? Hum?
Lembrei-me do cabelo curto, da forma de falar rápida e eficaz, do sorriso e da gargalhada.
Lembrei-me dos tempos de escola, de ter enfeitado uma cartolina vermelha numa fase difícil da tua vida (que eu inevitavelmente associei a uma fase difícil da minha), do teu estojo preto com ponto-cruz verde feito por ti (que eu adorava), do teu telemovel com capa amarela e com uma música engraçada;
Lembrei-me do nome Anabela Lopes, o teu nome imaginário, e do peugeut 206 vermelho, lembrei-me de uma loja de malas do Colombo e de outra de roupa mais desportiva;
lembrei-me das filas da frente nas salas de aula e das cadeiras vazias porque chegavas atrasada ou porque te baldavas com a desculpa do famoso estatuto "trabalhador-estudante".
Lembrei-me do esforço que fazias para entregar os trabalhos na data limite e de teres que fazer trabalhos de grupo individuais (tu até preferias);
Lembrei-me de te ver nas iniciativas que a ESCS organizava no auditório e ficarmos fulas porque o pessoal de Jornalismo baldava-se sempre, lembrei-me que adoravas um certo professor que eu abominava (o de português... já se sabe...) e ainda de um telejornal fantástico que conseguimos concretizar com muito custo e a imprimir a cores na sala de reservada para os alunos de publicidade. Já para não falar daquela resposta maravilhosa: "se quiserem empresto-vos canetas para colorirem... ou lápis-de-cor. Mas imprimir a cores em folhas A3, NÃO!"
Lembro-me, mais recentemente, de Jantares de Natal em qualquer altura do ano; de jogar aos países em minha casa e com isso promover o encontro de dois amigos que vieram a casar...
Lembro-me de te escrever postais de natal e de estares presente na minha/nossa benção das fitas com uma lagrimita no canto do olho... E como posso esquecer o concerto do nosso Brian, até levaste uma camisola vermelha para tentar ir ao palco no dueto...

Eu sei lá...
Olha, em jeito de lembrança acrescento que gosto mesmo muito de ti. O resto tu já sabes, que já te disse muiiitas vezes.
Feliz Noite*

21.2.08

Mão de Sereia*


A Sereia* escreve nas ondas do mar,

na areia da praia

ou no coração de quem a lê...
Gosto de mãos. Gosto muito de mãos. Presto-lhes atenção, gosto de olhá-las, de admirá-las. São uma referência para mim e estão, no meu gosto pessoal, ao nível dos olhos quando me encanto por elas e por eles. Tenho uma admiração especial por mãos. Não as minhas em especial, mas as de todos os que conheço. E para além de admiração, tenho respeito.
É com as mãos que fazemos coisas... Coisas novas, coisas boas, coisas bonitas, que criamos, que damos forma...
E eu sou sensível nas mãos, não gosto que todos mexam nas minhas e só alguns tiveram autorização para beijá-las. Beijar uma mão é um acto que me encanta, não no sentido da autoridade ou da supremacia, mas antes da parte mais meiga e doce do beijo quando a boca se encosta à mão. Principalmente se os olhos fixarem os de quem as beija.
Mais uma vez... mãos e olhos.
Lembro-me de um amor antigo que tinha o hábito de me beijar as mãos. Era lindo esse momento.
Esta é a minha mão. A mão de uma Sereia*
Uma mão azulada, uma mão aquática, sensível e meia torta. Mas gosto dela assim. Não trocava por mais barbatanas que este mundo e o outro me pudessem dar.

20.2.08

Céu Azul



Quando olhei, vi este sinal.
Era ali. Era ali que estava o que eu procurava.
Mas parecia tão longe...

Lá de cima o céu dizia explícitamente o lugar para onde eu devia olhar, para onde eu me devia dirigir, o lugar onde estaria aquilo que eu não via cá de baixo...
Fantástico! - Pensei.
Fiquei fascinada!


17.2.08

Sem Título II



Que o dia amanheça e escureça,
que a casa tenha porta e janela,
que a luz desça e mostre a cor,
que o escuro não seja nunca o único lugar,
que cada lugar seja de alguém, um dia,
que sempre haja uma espécie de líquido que nos envolva por fora e por dentro,
que o chão que piso seja o tal apoio para as quedas e para os caminhos,
e que os caminhos sejam sempre muitos, mas um só, ao mesmo tempo.









Que de palavras se encham as folhas de papel, livros, blocos, blogues,
que hoje tenha sempre um ontem e um amanhã,
que o amanhã faça o anteontem ter parecido um dia e seja mais do que isso,
que estrelas brilhem no céu, nas ribaltas, nos olhos,
que pulsações sejam sentidas a galope dentro dos peitos deste mundo,
que os sorrisos vindos de dentro se vejam cá fora,
e que o que julgo que sejam sentimentos falem sempre mais alto e, ás vezes, gritem.








Que haja sempre luz daquela que ilumina e nos deixa ver mais claramente,
que os povos habitem os espaços em harmonia,
que o sol permita os regressos e as partidas, mas nunca para sempre,
que possamos ouvir mais sons e emitir menos ruidos,
que gostemos de outros ao mesmo tempo que não gostamos disto ou daquilo,
e que tenhamos tempo para podermos partilhar qualquer coisa com cor, com sabor, com cheiro, aparência, melodia, qualquer coisa que se sinta.






Que espíritos se soltem, dançem e sonhem,
que alguém em conjunto com alguém possa construir,
que toda a construção humana e espíritual, material e imaterial, dê frutos,
que todos sejamos crianças contentes em dias de sol,
que sempre rebentem ondas salgadas aos nossos pés,
que as tempestades por que passamos sejam breves e passageiras,
que as bonanças sejam só as calmarias da alma e do coração,
e que alma e coração possam juntos ser sempre o mais importante das nossas vidas.




Que tenhamos imagens de sobra para ver e lembrar, para mostrar e para fazer de novo,

que um seja sempre equivalente a outro, ou a dois,

que o conjunto e as partes sejam o pé que sustenta o corpo, a mão que abre, o braço que estende,
que o corpo seja um nenúfar e se suspenda na água,
que cada ponto do universo tenha um ponto correspondente,
que objectos especiais tenham lugares especiais ou corações especiais onde habitem,
que cada um tenha uma janela favorita para olhar, para espreitar, para abrir e fechar,
que os olhos vejam sempre mais além, mais por cima das núvens, mais depois dos montes,
e que nem sempre tudo seja o que os olhos vêem, mas antes o que a alma sente.









Sereia*

14.2.08

Carta de Amor no Dia dos Namorados

Amor da minha vida,
Hoje tenho que escrever um post dedicado a ti e só a ti.
Perdoa-me a indelicadeza de tornar públicas as palavras que seriam só tuas. As palavras únicas que eu tenho para te dizer e que só tu deverias ler, num momento de silêncio, só com a tua voz grave a soletrar a melodia de sons que eu escrevo, aqui e agora, com o coração na ponta dos dedos.

Perdoa-me, mas tenta perceber que sou uma Sereia* e, dada essa minha condição, tenho características especiais. Nem sempre são perceptíveis, nem sempre... acompanho as correntes de mar que tornam a minha vida mais líquida, mais sentida, mais vivida. Porque sou líquida, não tenhas dúvidas de que sou líquida.

Um dia escrevi um poema que é uma espécie de auto-retrato, não tem nome. Vou escrever-to de novo aqui nesta Carta de Amor para que no dia em me vires, saibas quem sou.

Porque gosto de ouvir sentada e não de pé
Porque sonho com o que é eterno, mas tenho fim
Porque só vejo bem em silêncio
Porque nem todos os sons me falam, nem todos me soam
Porque sou da terra e não do céu
Porque sou líquida e não sou sólida.

Quando pensares em mim, pensa com um gesto suave da tua mão perfeita, e que eu adoro, pelo meu rosto. Deixa que eu sinta a tua mão pensar em mim.
Quando pensares que eu sou o teu Amor, deixa os teus olhos olharem os meus com a profundidade e a clareza de quem acredita.

Porque quando eu penso em ti, penso naquele que me corresponde no universo, naquele que me continua, que dá seguimento à minha linha, que completa a minha espiral com a sua espiral da existência.
Quando penso em ti não consigo imaginar onde termino eu e começas tu, não consigo identificar o ponto onde tudo pára e tudo recomeça, porque só vejo um continuum.

Queria poder acompanhar cada passo que a tua alma dá, queria saber ler-te nas estrelas dos olhos, quando brilham. Queria saber-te sempre imprevisível, sempre bem humorado. Sou exigente quando quero ou quando peço alguma coisa. Se quero e se peço, é porque preciso. Quero-te, peço-te, preciso-te.

Se duas pedras se encontraram um dia e se juntaram para a eternidade...


Também nossos passos se encontrarão...


Chega ao fim a minha Carta de Amor. Foi difícil escrever tudo isto, foi difícil pensar na palavra e na expressão certa para ti. É sempre difícil escrever uma Carta de Amor para alguém que não conhecemos e que, por isso, aos nossos olhos parece que não existe.
Tu és TU. Onde, quando e como te revelares aos meus olhos de Sereia*. Quase sempre distraídos, ausentes de tão presentes que estão.

13.2.08

CORAL




CORAL


Ia e vinha
E a cada coisa perguntava
Que nome tinha



Sophia de Mello Breyner Andersen

11.2.08

Aniversário

Hoje é um dia especial.
A minha amiga faz anos. Escrevo tarde e a más horas este post, depois de lhe ter enviado um sms. As horas fizeram-me corar de vergonha e não liguei com medo de acordar alguém lá em casa, principalmente a princesa que se mascarou recentemente de saloia :)
Para ti Amiga deixo um post que espero que um dia possas vir a ler... Um dia quando tiveres tempo e paciência de me visitar na blogosfera.
Queria que este dia tivesse sido especial para ti.
E quando uma Sereia* fala em "dia especial" fala de coisas boas, saborosas no sentir e no paladar, no ouvir e no tocar.
Um dia especial como este, eu desejo que tenha sido vivido cheio de Amor. Tal como eu escrevi na sms, um Amor incondicional que te faça sentir amada por aqueles que te amam de verdade. E tem de ser preenchido por pessoas especiais. Em terra ou no mar, no alto da serra ou no paraíso do Éden.
Espero mesmo que tenhas vivido o teu dia da melhor forma e com muita alegria.
E a tua alegria é e sempre foi contagiante! Obrigada por seres quem és!
Feliz Aniversário!
A ti que contagiaste o meu coração de Sereia e nele tens um lugar muito especial.

10.2.08

Horizonte





Contemplai ambos os horizontes fielmente para que um dia possais dizer ao mundo o segredo que vos contei.



É Agosto
Paira no ar uma espécie de verão
São 9 horas da noite
O Sol já se pôs mas ainda não veio
o crepúsculo imenso, notívago.
O vermelho no horizonte não deixa ainda brilhar a primeira estrela.
A cor pálida que se lhe segue
só prova que o rei dos astros
apenas vai a meio do seu destino,
mas não partiu totalmente.
Isso não. Isso nunca.
Ele vai voltar sempre
e vai travar batalhas,
revelar segredos,
permitir-se amar a cor azul clara,
cor do sangue do céu, sem núvens de algodão.
Daqui a pouco esse azul claro, esse sangue,
vai escurecer
E aí sim, outros astros vivem.
Outros astros,
outros sangues,
outros horizontes
mais sintilantes e mais estrelados.


19 de Agosto de 1999 * 5ª feira




9.2.08

Ao meu antigo companheiro de carteira e querido amigo

"Escrevo-te.

Pelo corpo sinto um arrepio, uma vertigem,
Que me enche o coração de ausência,

pavor e saudade.
Teu rosto é semelhante à noite.
A espantosa noite do teu rosto."




in Carta da Flor do Sol, Al Berto
Este post é para ti.
Para te dizer que tenho saudades tuas e para te dizer que não posso esquecer as palavras que um dia me escreveste, que me dedicaste.
Hoje lembrei-me de ti. Do teu fato de macaco azul escuro de bombazine, da tua cara ensonada de quem acabou de acordar e já chegou a trasado, das canetas com bicos finos que deixavam de escrever quando tu mais precisavas, das lapizeiras com os bicos sempre a partir, das conversas interrompidas pelos professores...
Não sei como tens andado das tuas crises e não sei se já tens casa nova só pra ti, mas calculo que o jornalismo não te dê tempo para mais nada...
Enfim... Escrevo-te na blogosfera para compensar as cartas que já não te envio faz tempo. E desejo que estejas bem, mesmo muito bem.
Quando é que vejo fotos novas tiradas por ti?
Quando é que leio qualquer coisa escrita por ti (sem ser jornalismo)?
Este post é para ti. Só porque tenho saudades tuas.

6.2.08

Este post é para ti que Partilhas Emoções

Um dia recebi uma sms com palavras de amizade sincera em que alguém neste mundo estava disposto a ajudar-me a encontrar o meu caminho para a Felicidade.
Esse alguém eras tu :)
Lembras-te do que eu respondi?
"Acho sempre que não é a felicidade que eu procuro, mas qualquer coisa maior, porque seria constante e eterna.
Talvez a paz de espírito ou o amor verdadeiro e incondicional... não sei ao certo... o caminho não é fácil. Obrigada pela tua presença"