22.3.08

O meu Volkswagen

Quem me conhece bem sabe que o carro dos meus sonhos é o Volkswagen, o Golf.
Acaba por parecer estranho uma Sereia* ter um carro favorito... (a par da tal famosa Janela Favorita :) )
Na realidade, a minha condição de Sereia* parece mostrar, acima de tudo, uma falta de sensibilidade para com determinados objectos terrestres considerados de luxo para os governantes na hora dos pagamentos e dos descontos... mas cuja utilidade é extrema para o ser humano em geral e para mim, Sereia*, no particular.
Apesar disso e dessa tal utilidade evidente, eu tenho essa tal falta de sensibilidade no que diz respeito a esse objecto em particular e acabo por cometer erros gravissimos!!!
Trato mal o meu veículo, toda a gente sabe disso!
Mas é que, para mim, ele é isso mesmo... um veículo, um utensílio... sem o qual não poderia ir trabalhar diariamente, é certo! Mas um utensílio.
Então, em 2005 a Volkswagen lançou o modelo FOX e com ele fez uma promoção muito gira com postais espalhados por todo o lado. Eu guardei um...
Da campanha faziam parte as seguintes frases:


Se fores, vai mais longe
Se fizeres, faz diferente
Se cantares, canta alto
Se entrares, entra em braços
Se rires, ri até chorar
Se sonhares, sonha mais alto
Se arriscares, arrisca tudo
Se pensares, pensa por ti
Se voltares, volta mais tarde
Se vestires, veste a camisola
Se saires, sai da rotina
Se mudares, muda muito
Se venceres, vence o medo


Eu acrescentaria:
Se amares, ama para sempre
Mas não posso acrescentar... As frases não são minhas e o amor e a eternidade não são compativeis comigo.
No entanto, prometo amar para sempre o Volkswagen Golf e o meu veículo querido que é o irmão mais novo :)

21.3.08

Poesia, hoje e sempre

Comemora-se hoje mais um dia mundial...
É um dia mundial daqueles aos quais eu me consigo juntar e celebrar com o mundo...
o Dia Mundial da Poesia*
Resolvi, por isso, deixar algumas sugestões de leitura de poemas de que gosto, de vários autores...
Enjoy*
A MÁQUINA FOTOGRÁFICA
de José Carlos Ary dos Santos
(porque adoro fotografar)



É na câmara escura dos teus olhos
que se revela a água
água imagem
água nítida e fixa
água paisagem
boca nariz cabelos e cintura
terra sem nome
rosto sem figura
água móvel nos rios
parada nos retratos
água escorrida e pura
água viagem trânsito hiato.


Chego de longe. Venho de férias. Estou cansado.
Já suei o suor de oito séculos de mar
o tempo de onze meses de ordenado;
por isso, meu amor, viajo a nado
não por ser português mal empregado
mas por sofrer dos pés
e estar desidratado.


Chego. Mudo de fato. Calço a idade
que melhor quadra à minha solidão
e saio a procurar-te na cidade
contrastada violenta negativa
tu única somra murmurada
única rua mal iluminada
única imagem desfocada e viva.

Moras aonde eu sei. É na distância
onde chego de táxi.
Sou turista
com trinta e seis hipóteses no rolo;
venho ao teu miradouro ver a vista
trago a minha tristeza a tiracolo.


Enquadro-te regulo-te disparo-te
revelo-te rotoco-te repito-te
compro um frasco de tédio e um aparo
nas tuas costas ponho uma estampilha
e escrevo aos meus amigos que estão longe
charmant pays
the sun is shinning
love.


Emendo-te rasuro-te preencho-te
assino-te destino-te comando-te
és o lugar concreto onde procuro
a noite de passagem o abrigo seguro
a hora de acordar que se diz ao porteiro
o tempo que não segue o tempo em que não duro
senão um dia inteiro.


Invento-te desbravo-te desvendo-te
surges letra por letra, película sonora,
do sentido à vogal do tema à consoante
sem presença no espaço sem diferença na hora.
És a rota da Índia o sarcasmo do vento
a cãimbra do gajeiro o erro do sextante
o acaso a maré o mapa a descoberta
dum novo continente itinerante.


SEM TÍTULO
de Fernando Pessoa

(porque gosto de ler o que ele escreveu)




A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém o quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei-de escrever muitos mais, naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente anda,
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos,
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer coisa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.


MAR
De Sophia de Mello Breyner

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.




MAR SONORO
de Sophia de Mello Breyner

(porque o Mar é sempre o Mar para uma Sereia*)

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.



Texto de José Fanha
in Cartas de Marear

(sei este texto de cor… acompanha-me desde o secundário. Numa aula de filosofia, um dia não conseguia fazer um trabalho e transcrevi este texto)



Nós nascemos para ter asas, meus amigos.
Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas.
No entanto, em épocas remotas, vieram com dedos pesados de ferrugem para gastar as nossas asas como se Gastão tostões.
Cortaram-nos as asas para que fossemos apenas operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca.
Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem mesmo depois de cortadas, e, novamente cortadas, de novo voltam a ser.
Aceitemos esta hipótese, apesar de não termos dela qualquer confirmação prática.
Por hoje é tudo. Abram as janelas.
Podem sair.






19.3.08

Eu e o Meu PAI



Em dias como este o que sinto não chega...


Não posso dizer que os sentimentos me enchem o coração,


porque falta sempre qualquer coisa... SEMPRE




Em dias como este... o sentido deste blog fica disperso,


fica ténue, embaciado.


Porque o que sinto não me preenche,


não me deixa chegar a palavras nem a imagens


concretas e actuais.


Em dias como este... a minha alma fica dissíncrona com os sentimentos


e não há um único sentido meu que esteja apto


a absorver a realidade à minha volta.




Um dia sem alma, sem sentidos, sem sentimentos


que me deixem abraçar a pessoa que vive em mim.




Falta-me o tacto, falta-me a visão...


Mas o tacto... falta-me mesmo muito.




Tudo o resto eu tenho dentro de mim,


mas o tacto...


Não tenho.




18.3.08

O Meu PAI e Eu

Quem me conhece sabe que estes dias são dias... diferentes, digamos assim. Diferentes, porque eu fico diferente quando eles chegam. E depois passam e eu deixo de ser diferente.
Não quis deixar de postar um texto dedicado ao Meu Pai. Escolhi estes dois. Talvez hoje, ao fim do dia, escreva um texto actualizado.
Há poucas pessoas que podem dizer que sabem o que sinto neste dia e o que sinto pelo Meu Pai todos os dias da minha vida. deixo aqui dois textos, dos muitos que tenho escrito.



Hoje.

Pensamentos soltos.
Visitei o Mar.

Não podia passar este dia sem ver o mar.
Sem estar junto do meu Pai.
Sem cheirar a maresia.
Sem colocar flores com um sorriso nos lábios.

Ficarás para sempre nos corações daqueles que amaste.
Fica sempre no meu coração. Em mim.
Vida em mim.

Não esqueço.
Lembro.

Assim como haverá sempre mar e lágrimas salgadas.
Assim como este momento e o amor que sinto são um só.

FELIZ DIA DO PAI, PAI

19 DE mARÇO DE 2003


***


Homenagem à luz do meu dia, ao silêncio da minha noite, à musicalidade das palavras que muitas vezes me diz, me mostra ou me ouve.
Homenagem à Natureza também neste dia e nos que se seguem até à chegada da Primavera. Altura em que, de facto, o meu ano começa. É com as transformações da Natureza que também eu me sinto transformar, que também eu me sinto recomeçar.
Lembrar o meu Pai como MEU PAI. Lembrar o que aprendi e ainda aprendo com ele, com a vida dele e com a partida para outro lugar, mas NUNCA para longe.
Dedicar-lhe, ao MEU PAI, todas as coisas boas, bem feitas, bem pensadas, bem imaginadas que faço, penso ou imagino.
Dedicar-lhe cada sorriso pleno de alegria, que tendem a escassear...
Dizer-lhe o quanto é, para mim, especial saber que sou sua filha, que ele é MEU PAI e que esse é o maior orgulho da minha vida inteira.
Dizer-lhe, pensar-lhe, sussurrar-lhe que ele continua aqui. Em mim. Para Sempre.
FELIZ DIA DO PAI, PAI

19 de Março de 2006

15.3.08

Watsu

O Watsu chegou à minha vida por um acaso... Não fui eu que procurei. Aliás, desconhecia a sua existência e, consequentemente, o seu significado. Até que, num belo dia, o Watsu surgiu na minha vida e se mostrou aos meus olhos sob a perspectiva de um curso de Watsu Basic, corria o ano de 2003. Era um curso novo para mim e estava relacionado com a água, o meu meio.
O grupo de alunos era pequeno e fantástico e a professora era a alma que me mostrou o Watsu e que, até hoje, me ensina e me inspira.
Adorei a experiência! Foi uma sensação única que se prolongou por três dias, os dias em que decorreu o curso. A partilha era total, almoçávamos e jantávamos todos juntos, oferecíamos e recebíamos sessões de Watsu uns dos outros.
Depois dessa experiência passaram alguns anos em que não fiz mais formação e a prática era muito reduzida. Ficava muito aquém do que seria de esperar.
Só em 2006 tive oportunidade de regressar à formação e ao prazer que é dar e receber uma sessão de Watsu. Desde essa altura, tenho tentado fazer formação todos os anos.
Hoje sei que o Watsu chegou à minha vida para me tornar uma pessoa melhor. Tem sido um processo demorado e difícil... mas acho que tem dado os seus frutos.
Aos poucos, tenho conseguido apresentar o Watsu aos olhos e na vida de outras pessoas, mais próximas ou mais distantes... tenho tentado que outras pessoas tenham essa experiência que é ser flutuado nos braços de alguém, numa perspectiva tão saborosa e que nos permite ter acesso a tantas coisas dentro de nós mesmos que não temos diariamente...
Sempre que dou uma sessão de Watsu a alguém que nunca teve essa sensação, sinto-me feliz e agradeço ter sido eu a escolhida para essa honra, nessa hora de vida.
Ter alguém nos meus braços é qualquer coisa de fantástico! Poder fazer alguém sentir-se bem consigo mesmo e com o mundo, poder alguém encontrar-se ou perder-se dentro de si mesmo, poder flutuar um corpo que nunca flutuou... traz a alegria ao meu coração e transforma tudo o que sinto num amor incondicional dedicado a essa pessoa em particular durante toda a sessão, mas também dedicado ao universo.
Porque sinto que, nesses momentos, o universo está em movimento e entra numa sintonia em si mesmo.
É por isso que digo que o Watsu entrou na minha vida e me transformou numa pessoa melhor. Cada curso que faço saio com a alma cheia e renovada de sentimentos e de experiências que transformam o meu ser e me fazem achar que cresci. Cada pessoa nova que conheço, cada experiência partilhada, cada sessão oferecida ou recebida, é sempre, MAS SEMPRE, única. Tudo isto deixa marcas em mim e tudo isto me faz ver e sentir de uma forma diferente.
Com o Watsu, descobri sobre mim mesma coisas que desconhecia, em todos os aspectos da minha vida. Aprendi muitas coisas que até então não sabia, não só em relação ao corpo humano, mas também em relação à alma humana. À minha, principalmente.
E depois, poder contar com o estímulo constante e a partilha da Linda (alguém que é muito mais do que uma formadora ou professora de Watsu no mundo), de colegas do Watsu e de amigos que recebem sessões, é maravilhoso!
Como Sereia que considero ser, quero poder ter sempre a força interior e física necessárias para poder dar sessões Watsu por toda a minha vida. É um desejo meu muito profundo e muito sério. Quero poder sempre viver momentos únicos e mágicos na minha e na vida de outras pessoas, como até aqui.
Quero poder sempre dar e receber, poder sempre flutuar e ser flutuada.
A Água na minha vida não é apenas o meu elemento, não é apenas o meu meio, não é somente o meio onde exerço uma actividade profissional, ou onde passo os dias.
Água é aquilo que me constitui, aquilo de que sou feita.
Por isso, a minha partilha é na água, existe porque existe água e o que dou é sempre um pouco de mim.
Porque sou líquida, não sou sólida.
(quem já leu posts anteriores sabe que sou líquida, não sou sólida)
Amanhã, o Watsu vai estar, mais uma vez, bem perto de mim... ou eu vou estar perto da onda, da vibração do universo.

13.3.08

Muro de Lamentações





Podia ter feito mais e melhor..., podia ter prestado mais atenção..., podia ter dedicado mais tempo..., devia ter dito por outras palavras..., devia ter ficado calada..., devia ter corrido mais rápido..., podia ter esperado mais tempo..., devia ter dado mais tempo..., podia ter sido mais bem feito..., podia ter feito melhor..., devia ter olhado mais dentro..., devia ter falado mais baixo..., devia ter ouvido..., podia ter tido mais calma..., podia ter sido mais tolerante..., podia ter gritado mais alto..., podia ter avisado antes...,



Devia ter estado presente..., devia ter dito aquela palavra..., podia ter ido lá ter..., podia ter sido depois..., podia ter ido antes..., devia ter sido naquele momento..., podia ter escrito de outra forma..., podia ter lido com outra entoação..., podia ter feito outra pontuação..., podia nem sequer ter dito nada..., podia ter fingido que não sabia..., podia ter fingido que não sentia..., podia ter disfarçado que vi..., podia ter dito que não ouvi..., às vezes devia ter pago para ver..., eu nem devia ter apostado tanto..., devia ter ganho e perdi..., devia ter perdido e ganhei...,



Devia ter ido em frente..., podia ter recuado a tempo..., devia ter acelerado assim que soube..., podia ter ido com mais tempo para aproveitar..., devia ter enviado mais cartas..., devia ter agradecido de outra forma..., podia ter evitado..., devia ter arriscado..., devia ter subido a cabeça quando passei..., podia ter esperitado para ver..., podia ter deixado uma mensagem..., não devia ter-me esquecido..., devia ter sorrido...,



Devia ter-me lembrado antes..., devia ter ido a tempo..., podia ter entregue em mãos..., podia ter recebido quando me foi dado..., devia ter perdoado..., devia ter pensado no assunto..., devia ter sido mais sábia..., devia ter tomado cuidado..., devia ter ido mais vezes..., nunca devia ter lá posto os pés..., devia ter tentado...,

Devia ter dado mais e melhor. Mas não dei e é tarde...
Tão tarde, que não posso mudar o que devia e podia ter sido diferente...

12.3.08

Canção de Cabeceira

Hoje pensei nos mais pequeninos...
Deixo uma canção de que gosto muito, uma canção de embalar...
Para aqueles que gostam de canções de embalar, para os que têm mais "piquenos" lá em casa, para os que têm amiguinhos, sobrinhos, filhotes, vizinhos e por aí fora...
Para quem gosta de crianças e passa tempo com elas, as suas, as de outros que nos são queridos...


Dorme criancinha que a noite vai alta
És o rei do mundo diz-me o que te falta
Enquanto tu dormes o teu leite espera
A serpente chora e a rola impera


Olha à tua volta nadas em sorrisos
Há um carrossel no cantar dos guizos
Dorme nesse berço de embalar
Calor como esse não vais encontrar


Voa a sono solto com asas douradas
Ri-te com os anjos dança com as fadas
Enquanto tu sonhas no vale dos lençóis
Dormem os covardes dormem os heróis


Dorme meu amor dorme o mais tardar
Esquece o lobo mau deixa-o salivar
Eu sou a avózinha que canta a canção
De embalar o berço já me dói a mão


Dorme criatura estão à tua espera
Á porta da lura tal qual uma fera
Ouve o assobio são eles a chamar
O mundo vazio está por saciar


Acorda criatura é tempo de partir
Leva essa criança que sabe sorrir
Guarda-a bem em ti toda a vida
No forro da alma muito bem cosida


Letra de Carlos Tê, música de Helder Gonçalves
CLÃ, album Rosa Carne

11.3.08

Nada

Não estou pensando em nada
E essa coisa central, que é coisa nenhuma,
É-me agradável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o Verão quente do dia.


Não estou pensando em nada, e que bom!


Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida...


Não estou pensando em nada.
É como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas,
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
Não estou pensando em nada,
Mas realmente em nada,
Em nada...



"Poemas de Álvaro de Campos" in Antologia Poética - Fernando Pessoa

8.3.08

O meu amigo Icas

O meu amigo Icas está melhor.
Ontem falei com a mamã ao telefone e a recuperação da cirurgia aos ouvidos está a ser muito boa. Ele anda bem disposto e talvez um pouco confuso... porque o Icas passou a ouvir muitas coisas que não sabia que faziam barulho e, as que ouvia, descobriu que fazem ainda mais.
Fiquei muito feliz em saber que estava tudo a correr bem e que o médico (ou doutor, nunca sei...) disse que só queria saber dele daqui a dois meses.
O Icas faz anos amanhã. O médico (ou doutor...) disse para a mamã e o papá não fazerem festas de arromba porque o Icas está numa fase sensível aos barulhos, aos sons, depois da cirurgia (ou operação, nunca sei...)
Depois de falar com a mamã galinha (o Icas tem mais dois manos, por isso a expressão "mamã galinha" inclui uns quantos pintos atrás dela :)) falei com ele. Ele parceu-me muito bem.
É um cavalheiro e perguntou logo onde eu estava e se queira ir lá jantar outra vez. Depois perguntou pelo meu cão... mas eu não tenho cão... ele ficou triste e eu prometi que ia ter um.
O Icas é um amor de menino, tem um sorriso encantador que, em conjunto com os caracóis, daqui a uns anos vai despedaçar corações às meninas bonitas como ele.
O Icas é o pintainho do meio. Agora a mamã e o papá já podem descansar, porque depois do susto grande veio o carinho e o amor familiar, sempre bem-vindos para mater a familia unida em volta de sentimentos e pessoas bonitos e bonitas.
Esta noite, espero que o Icas tenha sonhos coloridos, daqueles que o arco-íris ilumina no ínicio e depois há muita alegria e muitas coisas boas para podermos viver a dormir. Quase que consigo imaginá-lo a dormir com um sorriso lindo de morrer, que quando se olha percebe-se logo que o sonho é dos bons.
Boa Noite Icas.
Espero que o dia de amanhã seja mesmo especial, como a mamã galinha estava a planear.

Mulher

Queria escrever qualquer coisa neste dia mas, de facto, o que acontece é que este dia não me diz nada de especial...
Isto dito assim por uma Sereia parece não fazer sentido.
Mas é verdade que o Dia Internacional da Mulher não me aquece nem me arrefece, não me faz lembrar mais nem menos da minha condição de Sereia (sendo uma Sereia no feminino).
Não me faz festejar absolutamente nada. E é isto.
Pensei me escrever qualquer coisa sobre grandes mulheres da história ou da minha "estória"... mas não.
Acho estes "Dias Internacionais do tudo e do nada" uma treta. E embora consiga atribuir impotância a alguns deles e até comemorar com alegria ou com palavras, este não é o caso.
Qualquer dia lembram-se do Dia Internacional do Azul, do Dia Internacional dos Maiores de 18 Anos, do Dia Internacional dos Que Pesam Mais de 98,6 Kg, do Dia Internacional das Louras, do Dia Internacional dos que se deitam com as Galinhas...
Eu sei lá! Já me lembrei de uma data de coisas giras para se comemorar todos os anos no mesmo dia. Podia ficar aqui o resto da noite a escrever Dias Internacionais... se bem que, tenho a certeza de que já devem existir muitos que eu desconheço e que, por isso, me passam ao lado por dias e dias seguidos, completamente banais... quando na realidade podia estar em plena comemoração e euforia e, ao mesmo tempo, em sintonia com o mundo inteiro na festa que serve para comemorar qualquer coisa gira. Como é o caso do Dia Internacional da Mulher, hoje.
Recebi sms a darem os Parabéns por ser mulher... eu não enviei nem um.
Embora agradeça a todas as mulheres que se lembraram de mim como mulher e suficientemente amiga (ou distinta) para receber os parabéns no dia de hoje. Quase que arrisco a dizer que nem no meu aniversário me enviam tantas sms a dar Parabéns. (é mentira, é um exagero, eu sei!!!!)
A malta das redes de telemóvel é que ganha neste dias...
Vou arriscar escrever qualquer coisa séria. Não é um texto que tenha sido escrito a pensar no feminino, nas mulheres. Aliás, nem sequer é de minha autoria.
Mas arrisco a deixar aqui qualquer coisa que para mim faz muito mais sentido do que à partida pode parecer. E que, postado neste dia, pode ser dedicado às mulheres que o lerem...
"Uma estrela espera-te desde toda a eternidade. Procura-a. Vê se a não perdes depois para durante a vida inteira, se acaso é possivel encontrá-la."
"Mas a tua estrela pode não estar no céu. Põe-na lá."
Vergílio Ferreira, in Pensar, 553 e 554

4.3.08

FAROL

Hoje resolvi postar um sinal, um caminho, uma direcção.
Hoje postei uma foto que tirei a um FAROL.


É uma espécie de guia virtual para quem anda perdido, para quem não se encontra, para quem procura qualquer coisa, para quem não sabe onde está ou para onde vai.

Um farol.











No blog Da Sereia* quero que um dia possam encontrar um farol em qualquer post que tenham lido ou venham a ler. Não falo de um farol a sério como o da fotografia que tirei no Cabo da Roca.
Falo de um farol imaginário e virtual. Um farol que não se vê. Um farol que pode aparecer dentro de vocês mesmos depois de lerem as minhas palavras ou depois de verem uma fotografia.
Hoje foi a vez do Farol. Lembrei-me do uso que os homens do mar sempre lhe deram e ainda lhe dão. Lembrei-me de como um farol é importante nas nossas vidas. E na minha, principalmente, porque sendo Sereia*, ganho um brilho nos olhos quando olho para um farol luminoso.
Por isso, deixo uma fotografia para se poderem lembrar, sempre estiverem meio-perdidos, que existe em nós um farol que nos guia. A intuição, o coração, a razão, o cheiro, o sabor, o olhar, o sentir.
Cada um tem o seu farol. Cada um tem a sua forma de se guiar, de se orientar ou ocidentar, de procurar e de achar, de ver ao longe e ao perto.
Mas tenho de admitir que muitas vezes preciso destes farois exteriores, destes estímulos, destas referências. Trazem cor à minha vida, trazem alguma luz, diferente da que tenho nos meus faróis interiores.
Deixo neste post o desejo que todos encontrem sempre os guias certos, interiores e exteriores, nos momentos da vida que mais precisarem deles. E que, mesmo quando não sintam a necessidade de os ver ou sentir, saibam da sua existência e do seu paradeiro.
Porque os farois guiam todos os dias e todas as noites das nossas vidas. Quer os dias sejam de sol quente e luminosos, quer sejam cinzentos de nevoeiro, quer tenham chuva à mistura e as noites podem ter todas as luas e estrelas ou podem não te nenhuma.
Haverá sempre um farol.
Sereia*
Acho sempre que ninguém perde tempo a ler o meu blog, o próprio nome do blog não é um nome que chame a atenção.
Mas, ao mesmo tempo, não é isso que me move.
O blog Da Sereia* foi criado para ser lido, de facto, e eu continuo a escrever... Mesmo que os comentários não cheguem, mesmo que não haja interessados naquilo que escrevo.
Isto dos blogues tem essa vantagem, não é necessário "vender" nada, como nos jornais ou nas revistas, para mostrar as contas finais. Escrevo sempre para que possam ler-me livremente.
Agradeço aos que me lêem sempre, aos que me lêem às vezes, aos que raramente me lêem e ainda, antecipadamente, aos que nunca me leram e que um dia sem querer vierem aqui parar e sem querer comecem a ler qualquer coisa...
Espero que gostem. A mim dá-me um gozo enorme.

Texturas