26.6.08

Hoje vou dormir com estas palavras dentro do peito...





"Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida"







"Perdi-me dentro de mim,


Porque eu era labirinto"





Retirado do poema "Dispersão" de Mário Sá Carneiro

23.6.08

... Ainda de maleita aviada ou a aviar a maleita... :)

Queria tanto ter escrito aqui qualquer coisa sobre a chegada do Verão.
Queria tanto ter escrito qualquer coisa sobre o Solstício de Verão...

Mas tanto!


Passei a pior noite de todas no tal Solstício de Verão.
Foi uma noite de tosse infernal.
De tal maneira que no primeiro dia de verão não fui trabalhar. (E não, não foi para ir para a praiaaaa)

Estava ES-GO-TA-DAAAA.


E foi assim, cansada de tanto tossir na maior noite do ano (eu sei que era o maior dia... mas para mim foi a maior noite!) que eu passei o primeiro dia de verão deste belo ano de 2008... na CAMA!!!


Uau!!!
Este post ficou lindo!
Chega a ser romântica esta conversa da tosse infernal...

Hummm!!!

:)

Que deprimente!
Uma verdadeira Sereia* teria mesmo de comemorar o Solstício de Verão com as ondas a rebentar-lhe aos pés... ggrraaammmm... às barbatanas.
Com as estrelas do mar todas felizes, as algas, os peixes todos os seres do Mar a rejubilarem com a chegada do Verão!

Mas não! Eu não!
Eu tinha de ficar de cama!

Buuuaaahhhhh!!!
E o pior é que ainda estou a aviar tosse para quem quiser...

19.6.08

Maleita de Sereia*


Há um ditado antigo que diz:


"Pela boca, morre o peixe"


Bom... isto começa a fazer algum sentido para mim.

Na verdade tenho uma maleita que não me larga vai para uma semaninha. Curiosamente está intimamente ligada à minha boca...


:)



O castigo divino não se engana e a má língua paga-se muiiiito cara. Ah se paga!

Apostei que esta Selecção não se safava... fui perdendo apostas consecutivas até hoje...

Pronto, agora que perdemos de vez e que eu nem estou contente com isso, o martírio já pode terminar? Sim? Sim???
Quer dizer, eu acho que é por isso que estou a ser castigada... Não me ocorre mais nenhuma maldade que tenha feito e que possa implicar alterações na vida de milhares e milhares de pessoas...
Quer dizer, eu acho que a tosse que tenho há uma data de dias tem de estar relacionada com uma coisa grave que eu tenha feito... Mas, na verdade, não me ocorre assim nada...

E esta tosse que não me larga hãnn???

Bolassss!!!!!!! Já não me aguento mais!


De noite então, a coisa ganha outra dimensão. Não há direito a paragens para descansar de tossir. Tossir cansa!!! Tossir maça!!! Tossir chateia!!! Tossir não me deixa dormir!!!

A tosse é de tal maneira chata e persistente que não deixo mais ninguém dormir descansado cá em casa. Nem a Bolotinha, coitadinha!


A coisa está no ponto em que os meus alunos já todos me dizem mezinhas caseiras e receitas antigas para fazer e para tomar: "faça um cházinho disto com isto e depois junte-lhe mel, vai ver que melhora!"


E é isto... hoje uma aluna foi de propósito levar-me todos os ingredientes para fazer um chá: Figos secos, poejos e limão. Depois tenho que juntar mel e beber.
O chá está feito! Estou à espera que arrefeça para o beber... Vamos lá ver


A tosse não me larga nem abranda e já estou a antibiótico desde segunda-feira!

Estou fartinha. Já posso descansar???

Vá lá!!!

Fazes isso por mim, fazes???

Vai fazer toneladas de diferença!


:)

17.6.08

And there will be no sound...




Não me venham dizer que...

Não me falem em...

Poupem-me dessas conversas!



... E depois foi o silêncio.
O Silêncio das vozes.

Eu não dizia nada, ninguém dizia nada.
Eram todos respiração lenta, olhos fechados.


E num momento de magia o universo se quedou. Todo o Ser Humano pode inspirar o oxigênio e levá-lo até ao coração, às veias, ao cérebro e cada póro dilatado minutos antes.
Minutos em que cada um queria fazer valer a sua voz mais alta que qualquer outra voz .


Todos mudos e quedos.
Todos de pés descalços no chão receberam um pulsar de planeta. Este planeta, esta Terra.

Recebram e perceberam que receberam, não foi como das outras vezes todas em que a Terra Mãe do Ser Humano pulsava e ninguém ouvia nem sentia, porque o barulho tornava a sua pulsação inaudível, imperceptível.


Todos receberam esse impulso, esse batimento do coração da Terra, essa energia.
Desde a raiz, desde o mais pequeno dedo do pé.


E todos de mão abertas sentiram a energia correr pelo corpo e a enviaram para o Universo, de mãos abertas voltadas para cima.

Era uma oferta.
Uma oferta simples.


Um momento solene, o da oferta, o da dádiva ao Universo.


Fez-se Luz nos corações.
As almas pareciam outras, novas
Os pequenos, grandes
Os quadrados, redondos

O passado, presente e futuro deixaram de se confrontar
E Sol e Mar foram vistos, pela primeira vez, com um horizonte colorido de Arco-Íris.



Paz na Terra*


Shanti*






15.6.08

Reencontro

Há dias em que o nosso sorriso sai mesmo de dentro do nosso coração e se estende até às orelhas

:)

Um dia destes passado, num feriado municipal em que consegui não trabalhar, encontrei uma pessoa que não via há muitos anos. Eu sei que não foi por acaso, eu sei que não foi coincidência.

E é sempre muito bom para mim rever alguém que foi um mestre, que me ensinou muito e que eu segui as pisadas profissionais.

Tinha pensado nessa pessoa um ou dois dias antes, precisamente nesse sentido saudosista de quem não sabe nada e nunca mais viu um mestre, uma referência profissional, um professor, um amigo.

Agora já sei.
Passados tantos anos...
A vida tem destas boas surpresas :)

5.6.08

I'm a Rainbow too





I'm a Rainbow Too!



Sou Arco. Sou Íris.
Não tenho nome, nem me moldei em tábuas rijas.
Tenho curvas, sofro de redondite, tenho dobras.

Há circunferências que me habitam, toda eu me componho de líquido que se molda a cada dia, a cada hora. Por isso, também sou água.

Sou líquida, já o disse e escrevi tantas vezes!
Mas não me canso de insistir, de repetir, de redizer.
Quero sempre deixar claro. Claro como água. Claro como a Luz...


Sou Arco. Sou Íris. Sou Água.
Por isso, sou Arco-Íris também.
Podem ver com os vossos olhos as minhas cores.
São sete ao todo. E cada uma, a cada dia se vai mostrando. Me vai mostrando.


Tenho dias em que sou Verde, outros em que sou Violeta.
As minhas cores favoritas.
Noutros dias sou Azul Índigo, uma cor especial que o meu coração tem de ser.
Há dias em que cores quentes me enchem. E aí, sou Vermelha, Laranja, Amarela.
Ou simplesmente Azul. De um Azul natural, Azul de quem é água.

Sempre que o Sol me toca, sempre que a Luz me enche de cores de Arco-Íris há quem me veja.

Sempre que a Luz passa por mim, sempre que me toca na pele, no coração, nas mãos, nos olhos... há quem me veja.


Mas, tal como o Arco-Íris que todos já tivemos o privilégio de ver um dia, nem sempre as minhas cores se vêem nítidas. Nem sempre o olhar está virado na direcção certa para podermos ver o Arco-Íris. Nem sempre a chuva cai. Mas a Luz e a Água, essas... estão lá sempre. Sempre.


E eu, que sou Água e o Sol que é Luz...
Estamos lá sempre. Sempre.


Junho. 2008
Sereia*


Gosto muito do Arco-Íris.
Se pensarmos que o Arco-Íris resulta de uma mistura entre água e luz...
Então o Arco-Íris é muito mais do que uma coisa de que gosto muito.
E eu sou também um Arco-Íris!

Há dias que ando a matutar nisto.
O facto de a luz do Sol atravessar as gotas de água da chuva e se reflectir, transforma esses milhares de gotinhas de água em várias cores que são visíveis aos nossos olhos. Dá-se a transformação da água em cores por ser atravessada pela luz.
Eu sou água. Diariamente sou atravessada pela Luz, pelo Sol.
Todos os dias tenho uma cor que reflete o Sol que me toca, que me ilumina.
Todos somos, todos temos um Arco-Íris.
Não somos? Não temos?
Eu sei que sim!




Podias ser o cigarro ultra-longo

Que arde até queimar os dedos

Podias ser o ar do ditongo

Que aquece por dentro os segredos







Podias ser o baque que esmaga


O olhar obsceno que assanha


O toque de anca que alaga


A unha diamante que arranha


Serias o meu livro de areia


Que traz Maomé à montanha


A linha de vida que enleia


Como na estratégia da aranha








Serias o objecto perdido


Que me faz sentir sempre pobre


O fio de Ariane escondido


Cuja ponta o amor descobre








Podias ser a vela cansada


O dia que eu apenas pressinto


Podias ser a cera dourada


À espera no fim do labirinto








Fio de Ariane, de Carlos Tê e Helder Gonçalves


Música do album Rosa Carne, Clã






Uma música de que gosto muito. Por nada em especial, mas sou mesmo fã dos Clã!


A possibilidade de sermos qualquer coisa para outra pessoa encanta-me, nesta música.




2.6.08

O Dia em que eu passei a acreditar em Anjos

Um dia li uma frase que apliquei na vida desde esse mesmo instante. Hoje, consigo contar 10 anos a viver com esta frase dentro de mim e fora de mim.


"Um Ser Nunca Morre,
Enquanto Alguém Se Lembra Dele"



Desconheço o(a) autor(a).
Mas, posso dizer em jeito de resposta:


Eis a Prova da Tua Eternidade!
Sei desde sempre e sinto muitas vezes.
Que está comigo. Que está dentro de mim.
Que vive no meu sangue, na minha alma. Vive no meu pensamento e no meu coração.
Jurei que o Amor não ia acabar nunca. Jurei não me esquecer que jurei.
E chorei.
Ainda choro, às vezes. Porque sei e sinto que está sempre comigo. Mas, de facto, falta-me o tacto e a visão.
E o Amor que afirmei três vezes e que dedico em cada coisa bonita e especial que faço na vida é tão grande, que chego a pensar que não cabe mais ninguém dentro de mim.
Dou por mim a pensar que o meu coração é só seu.
Logo de seguida, choro mais um bocadinho.
Quando na realidade, quero abraçá-lo.
É por um abraço que espero.
Um abraço que sei que não posso nunca mais receber.
Resta-me saber quer me vê e que me ouve.
Hoje... é esse dia difícil da minha vida, que há 10 anos a transformou. Neste dia, eu mudei. Espero que tenha sido para me transformar numa pessoa melhor, com o passar dos anos.
Porque os anos passam, mas não nos separam.
Antes, nos aproximam.

1.6.08

Sonho em dia de Crianças

Tive um sonho...
Acordei num mundo diferente. Todos diziam que estavam a viver no Quinto Império.
O Quinto Império, é aquele em que Agostinho da Silva e o Padre António Vieira acreditavam.
O Quinto, depois dos quatro anteriores falharem. O Quinto, sem Sexto que se lhe seguisse.
Acordei no Quinto Império e o imperador era uma criança, como manda a tradição.
O Império do Espírito Santo! O espírito de uma criança. O Império da criatividade.
Era a criança que imperava e que vinha ao mundo resolver todos os problemas. A criança com o seu espírito livre e criativo. A criança, ainda sem ir à escola, ainda sem ter ideias feitas.
A criança sem tempo nem espaço que a prendam. A criança que devia existir em todos nós com uma presença mais evidente.
***
Sem grandes comemorações do dia que pode significar muito para muita gente, hoje, fui trabalhar de manhã. De tarde, estive com a minha sobrinha a pintar um desenho com guaches. Uma iniciativa levada a cabo por um grupo de pessoas interessadas em fazer nascer qualquer coisa numa terra que há muito parece abandonada por quem lá vive. Incluo-me nessas pessoas e assumo a minha passividade e a minha distância. Olho para mim e consigo ver a culpa de não agir aqui.
Aqui, nesta terra que eu Amo. Aqui, no único sítio do mundo onde imagino viver.
A Terra tem exactamente a tradição do Quinto Império e tem a denominação de Aldeia do Espírito Santo. Porque era o único local em Portugal Continental onde esta festividade se verificou durante muitos e muitos anos, à semelhança dos Açores (onde, felizmente, ainda existem).
Tive a felicidade de ter assistido a essas festividades, tive a felicidade de participar nelas. Mas orgulho-me mais de ter sido fruto de pessoas que a sentiram com a pele e a realizaram com o suor do corpo. Tenho orgulho de poder dizer que sou fruto de quem já levou nos braços o estandarte do Espírito Santo, de quem fez a pomba branca, símbolo do Espírito Santo, com as suas mãos talentosas. Alguém que soube e alguém que sabe, de facto, viver o Quinto Império na sua vida.
E se mais penso naquilo que não faço por esta terra linda onde nasci e onde quero morrer um dia, mais me orgulho por nela viver.
Um dia, sem ser este, tive um sonho parecido com a realidade que hoje vivi. Sonhei que aquele espaço era um espaço sem fim, onde as crianças podiam, de facto, existir sem mais nada. Serem o que são sem mais nada. Serem o que queriam ser, sem mais nada.
Sonhei, um dia, que haviam de pintar aguarelas lindas, pular e jogar, fazer malabarismos. Como hoje fiz e vi fazerem.
O meu sonho realizou-se. Sem a minha ajuda, sem nada que possa chamar meu. Só com a minha presença emocionada. Só com um desenho de guache, cheio de flores coloridas que pintei com a minha sobrinha.
Tive um bocadinho de Quinto Império.