26.7.08

"O Segredo" de certos e determinados livros

Há coisas fantásticas, não há?

Uma delas é a literatura.
Para mim, pelo menos, é fantástica.
Gosto muito de ler e se me apanho em frente de uma bancada de livros... meu deus! Nunca mais dali saio! Normalmente, quando passo na fnac (passo a publicidade gratuita) é um desatino. Gasto lá rios de dinheiro em livros e música. Nunca consigo sair de lá com as maozinhas a abanar.
Infelizmente, a literatura tens uns preços muito difíceis de digerir. Livros, em Portugal, são pagos a preço de ouro. Se bem que o ouro já está ultrapassado. Agora são pagos a preço de petróleo!!!
Eu acho mesmo que o objectivo da prática de altos preços nos livros não passa por engrandecer os cofres de quem os escreve ou de quem os publica, mas antes passa por evitar que os portugueses leiam. A sério!
E digo isto com tristeza. Porque eu não deixo mesmo de comprá-los... e assim gasto o dobro ou o triplo do dinheiro que gastaria se o objectivo passasse por achar bom que os portugueses lessem.

Fico mesmo chateada. Com certeza que fico chateada!

Há algum tempo ofereceram-me um daqueles livros da moda, que se vendem aos camiões e que são 'best sellers' em tudo quanto é país cujo objectivo é que os seus habitantes NÂO leiam.
Todos já devem ter ouvido falar de "O Segredo".
Pois bem... como tenho sempre pilhas de livros em cima da mesa de cabeceira para ler (em jeito de fila de espera) este foi para a estante (para uma fila de espera maior e sem direito a prioridades, nem cunhas).

Um dia destes, agarrei e fui buscá-lo. Decidi que ia lê-lo.
E, na verdade, até tinha vontade de ler... mas não consegui.
Aconteceu-me o mesmo com o único livro do Saramago que alguma vez tentei ler. Comecei, li umas páginas e depois, não aguentei mais e desisti.

O livro "O Segredo" pertence ao grupo de livros que eu considero de auto-ajuda. Sendo que tenho alguns de que gosto e sendo que este pertence ao grupo dos que eu não gosto. É simples, é de leitura fácil e acessível, tem testemunhos reais, tem uma base a que chamam científica... mas eu... Não gostei, pronto.

Acho um bocadinho triste ler um livro onde em todas as páginas nos é provado por A+B que podemos ter TUDO o que desejamos na vida. Mas mesmo TUDO. TUDINHO.
Quem quer ser milionário, só não é milionário porque não pensa da forma correcta; quem quer ter uma casa com piscina e court de ténis e 50 assoalhadas, só não tem porque não pensa da forma correcta; quem quer ser dono de uma multinacional, só não é porque não direcciona o pensamento na direcção correcta...

etc, etc, etc...

O livro todo assim! Quer dizer, já estou a meter água... eu não li o livro todo... vá, as primeiras páginas, umas 20...Uma teoria infalível prova que a população mundial não pensa da melhor forma em relação àquilo que mais deseja na sua vida.

Isto custa-me! Isto deixa-me com dores nas fontes.
E no coração, porque fica mesmo apertadinho.

Se olharem para o livro conseguem identificar várias pessoas ultra-conhecidas nos Estados-Unidos que deram o seu testemunho real. Pessoas que conseguiram mudar a sua vida por completo depois de terem lido "O Segredo".
E o segredo diz que se alguém quer muito uma coisa na sua vida, só tem que pensar muito nela e pensar sempre positivo, para que essa coisa aconteça.
Basicamente o que o livro diz é: se queremos alguma coisa (o que quer que seja) temos de pensar como se isso fosse uma realidade, temos que estar sempre a pensar positivo e não podemos pensar negativo, do género: "nunca mais tenho aquilo que quero, que chatice".

Agora pergunto eu, assim em jeito de MUUIIITO BURRA:

- Haverá mais gente a pensar em comida do que aqueles que morrem à fome nos países africanos???
- Haverá algum etíope que não sonhe quase diariamente com comida e com água potável???
- Haverá mais gente a pensar nos direitos humanos do que aqueles que vivem nos países onde esses direitos não são minimamente assegurados e garantidos???
- Haverá mais gente a pensar em como seria bom não estar infectado com o vírus da SIDA, do que os milhares de milhões de pessoas infectadas?
- Haverá algum Tibetano que não pense com um sorriso na liberdade e na independência?
- Haverá algum português que não pense como seria bom viver com petróleo a 10 cêntimos o litro???

Bem... acho que nunca mais saia daqui com todas as perguntas que me surgem na cabeça assim de chorrilho, assim de enxurrada!

Por isso, custa-me ler estas coisas. Não leio. Chego ali à pagina 20 (já com muita paciência) e pronto. Chega! Fecho o livro e vou buscar outro. Um de Poesia do Al Berto ou um das crónicas do Caetano Veloso ou qualquer um de Fernando Pessoa... e leio até ao fim qualquer um da Rosa Lobato de Faria.

Ás vezes pergunto-me como é que podem existir segredos destes, desvendados em livros que mudam a vida de tanta gente, mas não mudam a vida de quem, de facto, precisa...

Será que deviam distribuir gratuitamente uma tradução deste livro na Etiópia, no Tibete, no Gana, no Congo, na Sérvia, na China... sei lá!
Será que na Arábia Saudita (o país do petróleo) o livro é de leitura obrigatória nas escolas??? E no Dubai?

Faz-me 'espécie'!
E eu até gostava de segredos por desvendar...

23.7.08

sms

"Those who sleep, never learn"

Recebi esta frase numa sms... resposta a uma mensagem que enviei a pedir desculpas por uma coisa que devia ter feito determinado dia e que me esqueci (como é cada vez mais frequante... infelizmente).

Ou melhor, eu não me esqueci. Apenas deixei para fazer no dia seguinte, deliberadamente. E denunciei-me exactamente desta forma:

- cheguei a casa podre de cansada do trabalho e fui-me deitar logo a seguir de jantar... Hoje ou amanhã de manhã mando o meu curriculum.

Foi ontem à noite. Lá enviei o curriculo.
Mas a frase deixou-me a pensar!

Foi um sábio que ma enviou, claro.
E eu respondi:

- Bolas! Tinhas logo que me dar uma lição de vida!!! Não me digas que nunca chegaste a casa cansado do trabalho, porque eu não vou acreditar! (agora era a quela parte em que eu ditava a língua de fora)
;P

Esta conversa toda porque????
Porque eu adoro dormir, sim, é verdade.
Porque eu ando muito mais que cansada do trabalho. Também é verdade.
Porque em breve a minha vida vai mudar... again!
Cansada nem é a palavra certa. Eu ainda não encontrei essa palavra. Não é cansada, não é estafada, não é farta. Não.
Digamos que estou a chegar ao meu limite, sendo que já passei por ele faz tempo...
Fisica e psicológicamente falando, não aguento mais. É isso.

Anos pares, anos pares...
Férias, onde andam???

Olho para o calendário e ele diz-me que está quase...
Mas sou forçada a concluir que não. Não está quase. Porque esse quase que falta, depois de ter passado o meu limite, corresponde a uma eternidade.

É demasiado!

20.7.08

Sem Título III




E se cada um de nós pegasse na alma e a pesasse?
Que peso teríamos nós desalmados?
A carga da consciência, do saber e da ignorância.
E se todos bailássemos ao som do nosso corpo suado de calor humano?
Talvez todos caíssemos redondos no chão, de tanto rodar sobre o mesmo eixo torto.
Uma vida incrédula de chuva a cântaros e crenças na liberdade de se poder ser.
Poder ser-se e poder fazer-se. Fazer-se e desfazer-se.

E se o nosso vizinho do lado soubesse fazer o pino numa parede com um espelho mágico, apontado para o céu?
E se esse espelho fizesse magia, e o vizinho fossemos nós?

Nós, à procura da sua magia guardada no bolso dissimulado das calças do céu.
Este céu que guia e que cria, ao mesmo tempo que inventa e desmente, sob os olhos atentos de deuses de fantoche com os cordelinhos mal presos aos membros.
Fantoches antigos das malas de cartão, que já mal movimentam os tendões.
E se cada um de nós vivesse na alma de uma criança antiga, ansiosa por ver estes fantoches actuar?

Provavelmente, o dia de amanhã estaria com a primeira fila da plateia esgotada até aos balcões.


20.Maio.2000
Sereia*


Faço agora uma reflexão sobre palavras que escrevi...
Estas e outras que ainda aqui não pousaram.
Leio este texto e tento perceber o queria dizer quando o escrevi.
Consigo perceber cada palavra mas acho que qualquer pessoa que o leia não vai perceber. Obviamente que eu tenho obrigação de entender, fui eu que escolhi estas palavras para se juntarem num mesmo momento, num mesmo texto.
Mas acho mesmo que pode parecer muito confuso ler estas coisas que escrevo.
Gosto, principalmente da parte final, os dois últimos parágrafos.

E deixo aqui a partilha de qualquer coisa daquelas que eu aqui escrevo e que Às quais não dou nome.
Como eu já expliquei num post anterior, são coisas que escrevo e que não são nomeáveis, não são dizíveis, não são chamadas pelo nome e, sem nome, ficam etéreas. Não se dizem... não se ouvem... porque não há nome que se lhes dê para se poder nomear.

16.7.08

É mau sinal...

...Quando tenho vontade de estar quieta e calada, sossegada no meu canto, assim a desejar que não me digam nada... É mau sinal!

Tenho escrito muito pouco. Até já me passou pela cabeça terminar o blog. É verdade. Não que não tenha mais coisas para escrever, não que não tenha ideias, mas ando assim... desanimadita, vá.

Com tudo e com nada.
Apetecia-me ter tempo para fazer as coisas todas que tenho para fazer, depois de fazer as coisas todas que quero fazer.
Ando a pensar num ano sabático e cada vez tenho mais vontade que esse ano chegue a mim e me abrace. E eu podia deixar abraçar-me.

Estou numa fase que considero difícil. Não por ser impossível de ultrapassar, mas por implicar que eu me dedique a ultrapassá-la. Só acordar de manhã e desatar a fazer as coisas todas que devo e que preciso. Assim, tudo, mesmo tudo.

Não tenho esse tempo que precisava. Não tenho essa vontade decisiva.

Queria mesmo ficar aqui. No meu quarto, deitada a ver o sol brilhar e pôr-se da forma mais linda que já assisti tantas vezes. E aquele amarelo torrado a entrar-me pela janela dentro e a iluminar este espaço onde habito, mais do que em qualquer outro espaço da casa.

Queria poder acender o meu incenso e assistir à sua queimadura na duração certa de uma meditação feita com o coração.
Queria fechar os olhos e ouvir melodias que me deixassem adormecer com elas.

Queria que esta tosse me deixasse assim por um miléniozito (já passou um mês, já não falta tudo para o milénio)

Queria ter tempo para a minha família e para os meus amigos. Coisa que este ano não soube muito bem o que era... nem estive com a família, nem estive com os amigos. Sinto-me miserável com isso. Sinto-me ausente, que é, para mim, uma das piores coisas que posso sentir. Mas é,de facto, ausente que tenho estado este tempo todo.

Este miserável ano par foi para mi o ano do trabalho. E eu que sempre digo: "há males que vêm por bem" e neste ditado popular acredito com alma toda que tenho, acho que o trabalho não é um mal. Adoro o que faço, não me imagino a fazer outra coisa. O trabalho de Sereia* é muito gratificante. MESMO! Quem me conhece sabe que falo deste ofício com um brilhozinho nos olhos (mesmo à Sergio Godinho).

Mas este ano, foi demasiado trabalho. Sinto mesmo a necessidade de parar, de abrandar. Quem sabe se em 2009 vou poder fazer mais Watsu?? Este ano, resumiu-se a dois fins-de-semana.
Mas eu preciso. Eu não consigo ficar muito tempo sem Watsu na minha vida.

Todos os dias penso nisto. Neste cansaço físico e psicológico. Nesta fraqueza de espírito que não me deixa um resto de vontade de caminhar até ao fim. Só de deixa a vontade de parar, de me aquietar, de me calar.

É mau sinal!

9.7.08

Frase do dia...

Cada tiro, cada melro.
Cada cavadela, cada minhoca.


Há dias de manhã, que uma mulher à tarde, não pode sair de casa à noite, nem entrar de madrugada...


(adaptação livre da música do Sergio Godinho...)

6.7.08

Coração de Sereia*




Coração de Sereia*, este que bate no meu peito.

Bate mesmo. Bate só. Só isso.
Hoje, ontem, anteontem... posso dizer que o meu coração bateu.
Mas, bateu daquela forma que batem os corações que batem.

Ouço o meu coração bater, mas não ouço o que ele me diz...
Imagino que não tem nada de importante para me dizer e que, por isso, fica assim, silêncioso.

Reduzo o meu coração à sua essência de musculo. Uma essência vital, de facto.
Mas como músculo fica assim com uma imagem mais pobre, menos colorida, menos sentida.

O meu coração reduz-se à sua condição servil de um corpo que precisa dele para ser corpo e para ser alma de um corpo com coração.

Anda calmo, daquela calmaria que adivinha a tempestade...
Anda pesado e cansado. Adivinham-se decisões dificies de tomar...

Ontem levei-o a ver o maior espectáculo do planeta: o Pôr-do-Sol
Hoje, levei-o a passear, a ouvir música, mas ele não me falou.
Só bateu, como batem os corações que batem.
Só isso.





Deixo ainda uma sugestão de leitura.
Um livro que eu adoro e que tem umas ilustrações lindas. Mesmo.
Para quem tem crianças, a sugestão pode triplicar de intensidade
:)

Deixo-vos com uma foto da capa de
A Menina Gotinha de Água





Enjoy it :)

Estou muito arreliada!!!

É uma maneira de dizer que estou muito chateada, que estou furibunda, que há qualquer coisa que não suporto e que me está a azucrinar!

Hoje deflagrou um incêndio na serra de Sintra.
Era, e ainda é a esta hora, um incêndio enorme que abarcava uma vasta área de floresta e que fazia um fumo de meter medo a qualquer Sereia*.

Esse incêndio tem sido combatido com a ajuda de 2 helicópteros, que há várias horas despejam litros e litros de água em zonas onde, obviamente, os bombeiros não conseguem chegar.

Longe de estar controlado, este incêndio transformou-se em dois... Assim, como por magia... apareceu lá de outro lado, vindo de outra direcção... um outro foco de incêndio, assim... sorrateiro...

Isto, meus amigos, é o país onde vivemos!
E é nestas alturas que me arrepio com determinadas capacidades humanas.

E a minha consideração pela vida desce vertiginosamente, como se tivesse caído num abismo quase infinito... Começo a pensar no tipo de pena perpétua que uma pessoa que desencadeie um incêndio deveria ter. Sim, no tipo de pena perpétua. Não é aquela de passar o resto da vida na cadeia e também não é a pena de morte.
Deveria ser uma pena que durasse uma vida, ou o equivalente ao tempo que aquelas árvores TODAS demoraram a crescer... Assim, muuuuiiiiitoooo tempo!

Perto de minha casa há um sítio onde muita gente passou hoje para ver onde era o fogo... isto porque anunciaram que o fogo era no Penedo. Na realidade não era, e está ainda longe de ser. Mas o fogo é enorme e as labaredas viam-se a quilómetros de distância... E o fogo está lá para durar. Pela noite fora, sem os helis para ajudar, os bombeiros vão ter que lutar contra chamas e contra o malvado vento que se fez sentir todo o dia!

Eu sou sensível neste tema, o fogo é uma coisa que me custa. Faz-me confusão, mesmo as imagens que passam nos telejornais... não consigo ver as labaredas, seja o fogo numa floresta perto de mim, seja noutro distrito, ou noutro país.

Eu sou muito limitada e não consigo perceber o que é que leva esta gente que se acha gente, de carne e osso, gente que se considera da raça humana a praticar este tipo de acções... façam o favor de me explicar... mas tem de ser MESMO MUITO BOA essa explicação...

Ah! São quase 23 horas e ainda há 5 minutos ouvi os bombeiros...

1.7.08

A Serpente Emplumada convidou...

Caros amigos, leitores mais e menos assíduos, recém chegados ao fundo deste mar, velhos mergulhadores de botija de oxigénio, peixes e outros visitantes do Blog da Sereia*

Este post é só para vos dizer que fui convidada para participar no blog Serpente Emplumada, a blogar em http://serpenteemplumada.blogspot.com

Na verdade, não estava à espera. Apesar de ser um blog aberto a quem queira nele participar e a quem com ele se identifique, nunca julguei que um dia fosse convidada pelo autor a participar.

Aceitei o desafio.
Embora ainda não tenha tido tempo de escrever um texto para lá...

Está para breve.

Entretanto, se quiserem dar lá uma espreitadela... Help yourself :)

O Blog é de um Sr. que admiro muito, Paulo Borges, e do qual já falei aqui no Blog da Sereia* lá para Novembro de 2007:

"SUGESTÃO DE LEITURA: Neste momento, leio um livro de um autor português chamado Paulo Borges cujo título é "FOLIA, Mistério de uma noite de Pentecostes". Trata-se de uma peça de teatro que foi levada a cabo na Quinta da Regaleira durante este verão de 2007 pelo grupo de teatro Tapafuros...
Para quem teve a sorte de ir ver, fica aqui a possibilidade de ler. Para quem, como eu, nunca conseguiu ir ver o espectáculo (porque sempre que eu podia esteve esgotado) fica a dica do livro.
Ah! A peça diz-me muito e, já agora, justifico. É que trata exactamente da noite de pentecostes aquela em que se comemora a Festa do Divino Espírito Santo. A minha aldeia prestou essa homenagem durante muitos anos."

Nem mais!
O espectáculo está de volta!
Em plena Quinta da Regaleira, num lugar que o universo quis que fosse perto.
Num lugar que alguém transformou, um dia, em perfeição.





Fica a sugestão e o desejo de que alguma das duas ou três pessoas que venham ler o meu blog possam ir ver.
Eu cá estou ansiosa!!! E desta vez, a "Folia" não me escapa!

Formar ou Ensinar (?)

Depois de um fim-de-semana muito mal humorado e a pedido de várias famílias... :) resolvi escrever sobre o maldito curso que fui fazer e que, infelizmente, me ocupou dois dias de vida lindos, com um sol maravilhoso e com amigos lindos com os quais poderia ter passado algum tempo e com sobrinhos lindos que não vi mesmo durante esses dois dias malfadados!

Pronto, então lá fui eu fazer um tal curso de power pool, eu explico melhor: uma espécie de hidroginástica que a Manz inventou e licenciou.

Estava eu sentada numa cadeira de plástico verde, eram mais ou menos 8h30 da manhã de sábado, ainda sem saber muito bem o que ia fazer, o como, o quem, o quando...
Eis que me é colocado à frente um contracto para assinar. PIMBA!!!

Antes de fazer seja o que for, tenho que jurar com mão em cima da bíblia que nunca farei o que irei aprender a fazer em qualquer outro lugar, sem que antes a Manz tenha conhecimento e me dê autorização para tal!

Ora aí está!

E já agora, assegura-se também com o papelinho, que deve ser assinado em todas as páginas lidas, que o instruendo toma conhecimento de que a formação é renovada de 3 em 3 meses, com o respectivo pagamento de tudo quanto deve fazer e refazer e repetir e tudo e tudo e tudo...

E agora têm todos que fazer isto igual ao que a Manz quer que façam. E só podem fazer isto assim, não podem mudar nem uma ponta do pé para o lado contrário, nem o sorriso pode ser amarelo, nem a música pode estar noutro sítio quando estiverem com o braço nesta posição.
Isto tem de ser EXACTAMENTE ASSIM!!!

E agora têm 20 minutos para treinar.

OK, agora temos uma hora para almoçar.

Já passou uma hora???

OK, agora vamos fazer a coreografia.


******************


Na verdade, eu não gostei!
Acho mesmo que foi a primeira vez que fiz qualquer coisa dentro de água com vontade de sair dali pra fora.

Não que as coreografias não sejam giras, não que a aula não seja bem estruturada, não que a instrutora não fosse competente na execução dos movimentos. Não é nada disso.

Mas saí dali com aquela sensação estranha de quem não sabe se pagou para aprender qualquer coisa ou se pagou para fazer qualquer coisa que outros querem que eu faça...

Na verdade, acho que fiquei sem saber se aquilo era formar se era ensinar.
Porque, na realidade, eu não senti que aprendi nada. E isso deixa-me demasiado zangada com o sistema para querer continuar a fazer parte dele e a pagar para não aprender NADA! E conclui que era mesmo VENDER!

Basicamente o sistema funciona com o pagamento de coreografias que são feitas por pessoas altamente qualificadas e com músicas escolhidas a dedo por essas mesmas pessoas. Depois, quem vai dar aulas, só precisa de comprar essas coreografias de 3 em 3 meses... e executá-las com a maior perfeição técnica que possa existir (e quando digo a maior, é MESMO a maior).

Era só o que me faltava!
Agora tinha que pagar para dar aulas!
ahhahhhahhhahahaha!!!
Saí de lá danada com aquilo, está mais do que visto. E sem vontade nenhuma de dar este tipo de aulas, óbvio! Jurei para mim mesma que não gastaria nem mais um tostão com o Power Pool.

Se não fosse a minha querida Fava Rica, que me levou à festa de S. Pedro nesse sábado agoirado, o fim-de-semana tinha sido mesmo para esquecer. Lá comprei um manjerico para oferecer à mamã do meu coração :)
Mas nem os manjericos são o que eram!!! Ou então era mesmo eu que não conseguia aguentar o mau dia que tive...O meu já murchou :( mas antes fez um sucesso estrondoso, foi fotografado por várias pessoas e de várias poses com um cravo cor de laranja e uma quadra linda!

E no domingo lá voltei à porcaria da formação. Sem vontade nenhuma de perder tempo com aquilo.
Hoje recebi um e-mail a informar que fiquei apta com ajuda, eu e mais três colegas. Os restantes nem sei. Apta com ajuda, quer dizer que posso dar aquelas aulas mas com outro colega ao lado.

Mal sabem eles que eu não pretendo dar aulas daquelas nem sozinha nem acompanhada... E que não pretendo gastar nem mais um tostão naquela formação.

Deixo aqui uma questão para quem quiser, souber e puder responder...
Qual é a diferença entre formar e ensinar?

Depois do fim-de-semana passado, fiquei mesmo com essa dúvida a zumbir na cabeça.