30.10.08

Xubinha :-)




Hoje fui visitar-te na escola para te dar um beijinho.
Lembrei-me dos velhos e bons tempos em que era eu a ir buscar-te ou levar-te ao infantário. Adorava fazer o papel de tia dedicada e presente.

Agora, esse tempo parece-me longe demais. E é longe que, de facto, ele está.
Agora, não te dedico metade do tempo que dediquei, em tempos.
Agora, não sou a tia presente e dedicada que tanto gostava de ser.

Hoje fui visitar-te à escola para te dar um beijinho porque é um dia especial.
Fazes anos e eu quis ver-te só por um minuto. Um minuto mais curto do que os minutos que costumam ter 60 segundos. Não me pareceram 60 segundos...
Foi um pedido especial que fiz ao professor, que te deixou interromper os estudos e sair da sala de aula para eu te ver. Recebeste uma sombrinha de chocolate, uma lembrança simbólica e doce :) e um beijinho meu.

"A tia tem uma prenda para ti, lá em casa"

Foi assim.

Aqui, sentada em frente do ecrã, a escrever-te, penso em ti.
Penso na distância e na ausência que sou para ti.
Fico triste com esta minha forma de ser para contigo e por saber que não consigo ser de outra forma. Fico triste comigo mesma, porque tu mereces muito mais!

Fico triste por sentir essa distância mesmo quando estás sentada ao meu lado, ocasionalmente. Porque tu sabes que eu gosto de ti, mas também sabes que raramente estou presente.

E, hoje, é um dia de presença. Eu consegui estar presente por um minuto. Uma verdadeira gota de água no meu oceano. Daquelas gotas que, quando pingam, provocam o efeito de uma onda. Uma onda que vai levar tudo à volta.
Um minuto, um verdadeiro grão de areia do deserto.

Queria só que o teu dia fosse bom.
Queria que tivesses coisas boas para te alegrarem e prvocarem o sorriso maroto que tens. Um sorriso meio fechado, meio tímido.

Feliz Aniversário, Xubinha.
Os anos passam e vais ser sempre a minha Xubinha.
Aquela que me escrevia bilhetes e me dedicava palavras até há bem pouco tempo.
És tu.

E se alguma Fada ou algum Doende me ler hoje, queria pedir o favor de olharem pela minha Xubinha. Olhem por ela e deitem-lhe uns pózinhos mágicos por cima dos cabelos loiros. Podem ser pózinhos de perlim-pim-pim, eu acho que ela vai gostar.
Ou podem acenar a varinha mágica com a estrelinha na ponta na direcção que ela passar. Ou estalar o dedos...

Se tudo isso fizer com que a minha Xubinha tenha um dia mais feliz... Por favor!
É o pedido especial de uma tia como eu (não tenho mais palavras para me descrever).

Beijos enormes para ti. Hoje, em especial.
Ah! Já me esquecia de te dizer: ADORO_TE MUITO!

28.10.08

Neura

O vento deixa-me com a neura!
Não gosto de vento, não me deixa pensar nem me acalma.
Eu compreendo que é uma necessidade natural e que o vento faz parte da natureza.
Mas não gosto.
É o único elemento que me deixa 'desaustinada', furibunda, chateada, com a neura. Pronto.

E hoje é um dia de vento.
Puff!

Acorda-se de manhã com as portas e as janelas a abanicarem todas.
Depois, espreita-se pela janela para ver como nasceu o dia... e eis que... se vê tudo a voar e abanar violentamente. As árvores prestes a largarem as raízes do chão e tornarem-se no maiores pássaros alguma vez vistos no céu azul.
As folhas, coitadinhas, dão voltas infinitas, círculos viciosos, espirais intermináveis.

Assisto a isto tudo e fico sem vontade de ir passear a Bolota.
Mas vou. Fui.
Passo a vida a brincar com a malta nova a dizer que sei voar... e, hoje, quase voei.

Como é que se pode sair de casa bem disposta quando tudo à nossa volta se mostra em suspensão e a circundar o nosso eixo?
A qualquer momento a minha bolha social (para recordar os velhos tempos da faculdade :)) é invadida por uma ventania que incomoda, que me espeta os cabelos nos olhos e mais o pó todo que levanta do chão.

Resultado: neura instalada, sentimento de desconcentração permanente, perda de paciência para o que quer que se afigure à minha frente, ocasional mau estar, súbita vontade de fugir.
Para longe, para o sol e o céu azul, sim. Sem vento.
Que neura!

17.10.08

A Ti, PAI





Não nasci Sereia*
Nasci com os pés iguais aos teus.
E arrisco a dizer que, para além dos pés, também o feitio é igual.
Arrisco... com aquele brilho nos olhos que denuncia o orgulho que sinto quando digo (escrevo) isto.

Hoje foi o dia do Teu Aniversário. Mais um que a distância física não permite comemorar, mas a proximidade que sempre sinto não me deixa esquecer. Nunca me perdoaria se me esquecesse!
Porque na realidade Tu és para mim, Tudo!

E neste 'Tudo' cabe o nada, a ausência e o vazio. Cabe cada dia de Sol, cada onda a rebentar de tanto Sal, cada grão de areia que piso. Neste 'Tudo' cabe a pomba branca da Festa do Divino Espírito Santo feita pelas Tuas mãos, cabe o coreto, cabe o saxofone soprano que aprendi a tocar durante anos, cabe a minha bicicleta.

Cabe ainda, neste 'Tudo', aquilo que sou e que sinto da cabeça aos pés.
Estes pés, que são os Teus.

E as mãos. As mãos com que me ensinaste a semear batatas e colher frutos e feijões. A distinguir uma bolota duma castanha, a pintar com pincéis ou com lápis de cor.

Sabes bem o quanto de falo, o quanto te ouço.
Sabes bem o quanto te choro e te sorrio.
Sabes o quanto adoro abraços e o quanto preciso deles.
E hoje era dia de te abraçar.
Não apenas um abraço etéreo, assim dado pela alma e com a alma. Mas, um abraço de verdade, com carne e osso e músculos e poros, com braços envolvidos e envoltos, com o peito apertado e junto ao Teu.

Sabes bem o que sempre Te digo nestes dias...
Para além de todas a Felicidade que Te desejo para a alma,

"Um ser nunca morre enquanto alguém se lembra dele"
Eis a prova da tua eternidade!


É o que sempre Te digo.
E é o que sinto, de facto.

Tu vives em mim
O meu sangue é teu,
E até os pés... esses pés, estes pés...

Guardei-os bem guardados, dentro das barbatanas de uma Sereia* no dia em que chorei tudo o que tinha para chorar. Nesse dia criei o Mar*
Este Mar* onde vivo.
E, daqui, vejo o horizonte, todos os dias (todos os dias!).

Foste Tu!
Foste Tu que me ensinaste a olhar e ver!
Até ao horizonte, sem ficar pelo que está aos Teus pés, aos meus pés*

Feliz Dia de Aniversário. Pai*

9.10.08

Estrela




As estrelas têm todas horas diferentes.
Numas é ontem, noutras hoje, noutras ainda é há vinte séculos.


Rámon Gómez De La Serna, Greguerías

1.10.08

O Saxofone




Hoje lembro-me do meu saxofone.
Está guardado dentro da caixa de veludo bordeux desde Dezembro.
Não tiro uma nota desde essa altura.

Lembro-me dos últimos ensaios em que estive presente. Foram difíceis de me suportar. Os meus limites físicos estavam a chegar ao cimo de mim e eram cada vez mais evidentes. Não aguentava. Parei.

Foi uma decisão difícil. Mas teve de ser.
A caminhar a passos largos para fazer um ano sem tocar saxofone, na realidade não sinto saudades de tocar música. É como se sentisse saudades apenas de ter essa capacidade de tocar um instrumento musical, (afinal foram muitos anos) mas não do acto de tocar em si mesmo.

Não quer dizer que não volte, não pus de parte a minha participação naquele grupo de pessoas. Mas, para já, a vida não assume essa forma de música que eu toque.

Dedico este post a todos os músicos que vierem, sem querer, aqui parar.
Os que tocaram hoje ou que, como eu, não tocam há um ano.
Os que começaram hoje a aprender as notas musicais e os tempos, os que já ensinam música desde que eu aprendi.
Os que vão ensaiar na próxima sexta-feira, como é habitual, e os que já não ensaiam mais e já desistiram de deitar cá para fora sons.
E a todos os que gostavam de saber e ainda não sabem tocar, produzir, ouvir, fazer soar qualquer tipo de música.

Mas também aos que ouvem música.

Eu confesso que não vivo sem música nos meus ouvidos.
Tenho a sorte de ter um emprego onde a música toca sem parar.
Tenho a sorte de ter aprendido a tocar um instrumento musical desde muito nova.
Passei por alguns mestres, por algumas direcções, dediquei algumas horas e alguns dias à Instituição musical que eu acolhi no meu coração e que me acolheu.

A minha primeira música contrariou a tendência que se fazia sentir na Banda até à altura em que eu saí para a estante.
Foi a Saudação a Mateus :)
Não foi o Hélico em Paris.

E, por isso, eu fiquei contente, na altura. Porque saí com uma música diferente de toda agente. Por coincidência, eu gostava mais da minha

;)

Depois, há a minha outra paixão: A guitarra.
Mas essa, não sei mesmo tocar.
Terei que aprender.
Até já sei quem me pode ensinar... mas como o tempo não me sobra, antes escasseia...
Vai ficar para outro ano da minha vida.

2008 não é um ano de projectos, não é um ano de concretização.
É um ano de continuum. É um ano onde nada de novo se passa.
Resumindo, é um ano par.
E eu já sei que os meus anos pares... são para cumprir passagem.
Não são os melhores, nem os mais memoráveis.

O Saxofone Soprano que o diga!


*foto retirada ao desenho que ilustra o album "Ultimate" do Santana.



Pieces don't fit here anymore

Um dia de outono




Estava uma brisa que já não era agradável... era fresca.
Em pele de galinha, ela seguia por caminhos de terra batida
e pensava que a terra molhada tinha um cheiro bom.

Pedras e folhas, alguns troncos pequenos que encontrava ocasionalmente no chão, deitados a baixo pelo vento da noite anterior.

E, de repente, a brisa planou e a folha desceu.
Numa dança fantástica, girou sobre si mesma e desenhou no ar fresco um rodopio que parecia ser infinito de alegria.
Até poisar, suavemente. Na realidade, não foi uma queda.
Foi uma chegada ao destino.

Na véspera, ela tinha visto, mais uma vez, aquele pássaro de asas grandes e escuras.
Estava atento para caçar um pobre coelho que saísse da toca distraído ou um qualquer animal que se dispusesse a atravessar um erva qualquer ao seu alcance.
Pousada num muro alto, quieta, a águia esperava pelo momento certo.
Levantou voo e desceu a pique.
Não esperei para ver se tinha conseguido uma refeição.

Ás vezes, ela ouve o seu chamamento e vê planagens que só podem ser desenhadas por asas grandes que, vistas de longe e imaginadas com os olhos fechados, podem querer mostrar caminhos e desvendar sonhos.

Logo ela, que nunca se lembra dos sonhos que sonha...