20.11.08

Sons

A Voz, aquela voz...
Esta voz!
Consigo ouvir e voar nesse mesmo instante!

O James Morrison é a minha paixão!
A voz é fenomenal*
Num dueto fantástico com a Nelly Furtado


Let me hold you,
for the last time,
it is the last chance to feel again.

But you broke me,
now I can't feel anything.

(...)

You can't play on broken strings
you can't feel anything
that your heart don't want to feel
I can tell you something that ain't real





(as imagens são assim um boacdito básicas... mas fechem os olhos e ouçam a música, que de básica não tem mesmo nada!)

Enjoy*

18.11.08

lá fora... é amanhã*





Um dia fiz-me actriz e representei para o mundo o meu único papel.
Nesse dia, vi voar a minha alma em liberdade;
Nesse dia, eu própria me libertei do mundo.
E que bom foi saber que ainda há tanto para ver!
Ainda há tanto para representar!
Que não cabe num só mundo.
Foi esse o dia em que nasci...
E é esse o dia em que vou partir...
Para longe do mundo
E representar outras coisas.



*

O texto é antigo, mas nunca foi publicado.
Hoje, ainda em véspera do dia que o Universo me concebeu e me materializou, resolvi transcrever estas palavras.
Não espero pela hora, nem pelo amanhã que me espera.
Não porque tenha pressa de lá chegar, antes pelo contrário, porque tenho muita vontade de passar o dia de amanhã devagar. Porque, na realidade, não tenho vontade de comemorar...

De qualquer forma, teria sempre que mergulhar no Meu Mar*
Em Sereia* escolhi me transformar e foi Sereia* que passei a Ser e Estar.
Foi no Mar que escolhi viver, rodeada de água e de sal. De areia e de espuma.

Quis ter por amigos os peixes e todos os seres marinhos. E, com eles, aprender a partilhar esta vida, que há muito deixou de ser 'a minha vida', para ser outra coisa.

Para ser o cumprimento de um destino, para ser o Universo a contorcer-se e materializar-se para além das constelações que me iluminam esta noite e todas as estrelas que, sozinhas, adormecem comigo todos os dias, em cada céu estrelado.

Esta noite, quero muito sonhar
Pode ser um sonho com um azul do Mar e o brilho das Estrelas*

14.11.08

Aforismos




Só existe um destino, nenhum caminho.
Aquilo a que chamamos caminho é hesitação.


Franz Kafka, Parábolas e Fragmentos


E eu caminho...
Ou hesito...
Acelero o passo a saber que devo abrandar.
Tenho encontro marcado com o meu futuro, mas não sei onde, nem a que horas.
Só sei que estarei lá à hora certa e no lugar certo.

Também não o conheço, não sei como ele é - o futuro.
Só sei que quando o vir, vou reconhecê-lo.

Saberei que é o meu futuro.
Ou melhor, prefiro chamar-lhe destino.

11.11.08

Hoje, choveu diferente...




Ela começou o dia com uma chuva de folhas.

Passou para lá... passos lentos, olhos distantes, mãos nos bolsos.
Em estado de despreocupação ou sintonia.

Quando voltou, soltou-se uma brisa, imperceptível ao seu redor,
mas visível de baixo para cima.

Foi aí. Nesse momento, choveram folhas pequeninas.
Muitas ao mesmo tempo, salteadas, dispersas e dessincronizadas.

Ela ficou intacta, imóvel.
Abriu os braços, olhou para cima, de onde caíam as folhas, e sorriu.

Que mais podia querer para começar o dia?

O momento de rara beleza ficou a ecoar na sua cabeça o resto do dia.
Era um sinal. Um sinal dos mais bonitos a que já tinha assistido.
O Universo estava, naquele momento, atento à sua passagem
e deixou que as folhas caíssem sobre ela.

Foi maravilhoso!

8.11.08

Música para embalar...




Lugar Comum

"Beira do mar, lugar comum
Começo do caminhar
P'ra beira de outro lugar
Beira do mar, todo mar é um
Começo do caminhar
P'ra dentro do fundo azul
A água bateu, o vento soprou
O fogo do sol, o sal do senhor
Tudo isso vem, tudo isso vai
P'ro mesmo lugar
De onde tudo sai"


Gilberto Gil

Adoro esta!
Ouvi, hoje, na Rádio Marginal (passo a publicidade).
Já não ouvia esta música há muito tempo. Deixa-me sempre bem disposta.
Ouço a melodia e o acompanhamento, o som da bossa nova, do samba.
E sorrio. Um sorriso de sol e de mar.
E penso: "Como é bom ser Sereia*"

Poesia para ler antes de ir dormir

(e antes de sonhar)















Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que soube não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.


Fernando Pessoa

*

... E que depois de sonhar, a realidade se cumpra pra se ver, pra se sentir, pra se saborear.
As almas que temos são as que escolhemos ter. Mudam e também nós mudamos a cada instante, porque o tempo não pára e não perdoa os atrasos. Ou, se calhar, perdoa. Perdoa TUDO.

Só que eu não sou o tempo e o perdão divino não me assiste.
Eu não sou o tempo, passo nele ou ele passa por mim.
E a alma vai mudando a cada dia, cada instante.
E eu vou e fico, saio do lugar onde sempre estive, onde nunca vou estar, de facto.
Não. Saio do lugar onde nunca estive, sem saber para onde vou...
E volto para onde sempre estive. Aqui. Lá longe, mas, sempre, aqui.

E evito. Evito olhar para mim.
Conhecer-me a mim própria é um desafio maravilhoso.
Mas quero muito concretizar tudo o que sou ou serei, sempre sem me olhar,
sem espelho. O espelho mostra tudo. O que é bom e o que é mau.
Quero conseguir ver-me e reconhecer-me, sem olhar.

Só pelo tacto (tacteando, passo a passo),

Só pelo sabor (ao sabor dos dias e das noites, das madrugadas, das auroras e dos entardeceres iluminados),

Só pela visão (pelo que vejo, vislumbro pelo que me dislumbra e me entretece, pelo que se mostra e se deixa ver e perceber. não pelo que olho, mas antes pelo que vejo)

Só pelo cheiro (em cada inspiração, em cada gole de ar puro renovado e renovador, cada gota de oxigénio que me dá vida e me tráz o cheiro da alfazema e do jasmim, o cheiro da terra molhada e das folhas secas, o cheiro da água em estado líquido ou em vapor, o cheiro da água fria e da água quente)

Só pelo que ouço (melodias, vozes, sons. Nem todos os sons me soam, nem todos me falam. Os que chegam aos meus ouvidos e são acarinhados, dão sempre frutos)

Só pela alma... Qualquer alma que seja a minha. Qualquer que seja eu a sonhar ou acordada.

Fernando, palavras sábias, as tuas!

5.11.08

Crónica de uma vida anunciada... OU... A caminho de um novo ciclo de vida... OU AINDA... Because change happenzzz...

(é a vida que é anunciada, não é a crónica. Atenção!)





As mão abertas podem receber o que de melhor a natureza tem para nos dar.
E o melhor é sempre belo.
Caiu do alto, desprendeu-se. Foi descendo devagar e, ao mesmo tempo, ia desenhando no ar desenhos imaginários, círculos infinitos, com uma alegria inerente e característica, não de quem está a cair, mas de quem sabe o caminho que desenha, de quem não sente que é uma queda. Antes, uma viajem.



***


De certo modo, é bom quando sabemos com alguma antecedência que a vida vai mudar.
Sabermos o quando, sabermos o porquê, ajuda-nos a ter a sabedoria suficiente para conseguirmos encarar o futuro com um sorriso. Mesmo que o motivo que leva à mudança não seja o mais feliz. Mesmo que não saibamos muito bem para onde vamos a seguir.

E é assim, a saber que a minha vida vai mudar, a saber o porquê, mas sem saber para onde, nem em quê que se vai transformar, que vou chegar ao fim deste ano de 2008.

Caminho em direcção ao final de um ano que coincide com o final de um ciclo.
Mas faltam dois meses até lá.

Dois meses em que preciso saber gerir as emoções fortes que se fazem sentir e que se vão intensificar à medida que o fim do ciclo se vai aproximando.
Dois meses em que vou ter que me dirigir a uma grande quantidade de gente de que gosto muito para dizer: Adeus, até um dia.

Não é fácil dizer 'adeus' a pessoas com quem convivemos diariamente. Mas eu já sabia que era assim. Sempre soube que o dia ia chegar. Mas, mesmo assim, quis voltar onde aprendi, onde senti que era bom estar e fazer parte. Foi bom enquanto durou. Não me arrependo nunca de ter voltado, nem ter saído, nem de voltar a sair.
Faltam dois meses...

Dois meses que me vão levar, depois, a qualquer lado, a qualquer coisa diferente, a um novo ciclo. Quem sabe, a uma nova vida, dentro desta que tenho, que me foi dada...

Consigo, a esta distância, imaginar duas saídas possíveis, dois desfechos agradáveis para a minha futura, mas muito real, situação.
Só não consigo ainda decidir qual deles vou escolher dar prioridade.

É a eterna luta que sempre sobe ao cimo de mim mesma, entre a razão e o coração.
Sou péssima a tomar decisões, se essas decisões implicam uma escolha entre duas coisas que podem ambas ser positivas. De qualquer modo, olho com bons olhos as duas hipóteses que consigo ver daqui de onde estou. O que, diga-se de passagem, é muito bom.

Vamos ver...
O que for... será!
Eu estarei aqui para ver e sentir na pele o que tiver que ser o meu destino.
Cumpri-lo-hei da forma que melhor souber, dentro de todas as limitações que tenho enquanto Sereia* que sou.