29.12.09

time and time again




It's times like these you learn to live again
It's times like these you give and give again
It's times like these you learn to love again
It's times like these time... time again




Times Like These
Foo Fighters






And don't forget to breathe slow*

15.12.09

Natal de Sereia*

Fragile




Shape of my heart



Este Sting é fabuloso, não é?
Esta é a minha árvore de Natal deste ano.
Tem uma forma diferente da habitual. Não é feita de madeira, nem de plástico. Não tem um presépio ao pé, nem tem luzinhas a piscar. Em vez de bolas coloridas e fitas brilhantes, tem pendurados acordes de magia.
Tem sons! Tem cores, também. Cada nota musical traz uma cor diferente. E é quando fechamos os olhos que as vemos melhor com o coração. As cores entram pelo ouvido e chegam à boca em forma de sorriso.
Para mim, é muito! Acreditem! Muito mais do que qualquer Jingle Bells.

Então... posso dizer o meu desejo para este natal? Posso?

Que neste natal se fechem os olhos.
Que se preste mais atenção ao que se ouve, do que ao que se vê.
Que os sons sejam mais bonitos.
Que as frases sejam tocadas por uma filarmónica inteira. Com agudos e graves, com harmónicos, solistas e acompanhamento.
Que cada um possa ser o maestro de cada música que tocarmos aos ouvidos dos que mais amamos.

Neste natal, desejo que todos procurem ver cada vez menos e ouvir cada vez mais.
Que as notas se juntem umas às outras nos nossos corações,
neles se pendurem e enfeitem os sentimentos.
E escutem. Escutem os vossos sons e os sons dos outros que vos tocam.
Cada som tem uma cor, cada cor tem uma vibração e cada vibração tem um efeito imediato em nossas vidas.

**************************************

Não sou fã do Natal, é verdade. No Mar, o Natal tem pouca importância. Não se comemora da mesma forma. Ainda não enfeitei a árvore, nem fiz o presépio, nem embrulhei as prendas. Nada! Ainda não enviei postais, nem e-mails, nem sms de natal.
E agora? Fecho os olhos e ouço Sting... há lá coisa melhor?!?!

10.12.09

momentos

a altas ondas e largas espumas
de espelhos, mais ou menos finos, de mar
em cada momento escolhido pelo dedo fino do destino
e o som era da maresia, não eram violinos, nem pianos
a voz, essa, nem se ouvia, nem vibrava
o escuro era breu, as cores eram as estrelas que diziam
nem muitas nem poucas, eram só as cores necessárias

no peito, junto ao coração, batia um tambor
com tal força que os olhos se fecharam
às vezes não me apetece atravessar o rio. às vezes a ponte não me parece o caminho a seguir. e às vezes o rio é tudo o que quero ver seguir.

fico assim, parada, quieta, a ver o rio passar. escolho a margem deste lado, excluo a outra margem das hipóteses possíveis e sento-me na beira a ouvir o rio correr na minha frente.

às vezes as pontes são a única saída. nem que seja para percebermos que a saída é exactamente não sair do mesmo lugar. nessas alturas, é o rio que passa e nós concluimos que o melhor é ficar.

6.12.09

My Special Wish List

*
_*
*__
**_*_
**_*_*
*__*__
__*_*_*_
_***_**__**
__*_**_*__*_
_*_**_*_*__**
!!!!
!!!!
!!!!
!!!!


Que o dia amanheça e escureça,
que a casa tenha porta e janela,
que a luz desça e mostre a cor,
que o escuro não seja nunca o único lugar,
que cada lugar seja de alguém, um dia,
que sempre haja uma espécie de líquido que nos envolva por fora e por dentro,
que o chão que piso seja o tal apoio para as quedas e para os caminhos,
e que os caminhos sejam sempre muitos, mas um só, ao mesmo tempo.


Que de palavras se encham as folhas de papel, livros, blocos, blogues,
que hoje tenha sempre um ontem e um amanhã,
que o amanhã faça o anteontem ter parecido um dia e seja mais do que isso,
que estrelas brilhem no céu, nas ribaltas, nos olhos,
que pulsações sejam sentidas a galope dentro dos peitos deste mundo,
que os sorrisos vindos de dentro se vejam cá fora,
e que o que julgo que sejam sentimentos falem sempre mais alto e, ás vezes, gritem.


Que haja sempre luz daquela que ilumina e nos deixa ver mais claramente,
que os povos habitem os espaços em harmonia,
que o sol permita os regressos e as partidas, mas nunca para sempre,
que possamos ouvir mais sons e emitir menos ruidos,
que gostemos de outros ao mesmo tempo que não gostamos disto ou daquilo,
e que tenhamos tempo para podermos partilhar qualquer coisa com cor, com sabor, com cheiro, aparência, melodia, qualquer coisa que se sinta.


Que espíritos se soltem, dançem e sonhem,
que alguém em conjunto com alguém possa construir,
que toda a construção humana e espíritual, material e imaterial, dê frutos,
que todos sejamos crianças contentes em dias de sol,
que sempre rebentem ondas salgadas aos nossos pés,
que as tempestades por que passamos sejam breves e passageiras,
que as bonanças sejam só as calmarias da alma e do coração,
e que alma e coração possam juntos ser sempre o mais importante das nossas vidas.


Que tenhamos imagens de sobra para ver e lembrar, para mostrar e para fazer de novo,
que um seja sempre equivalente a outro, ou a dois,
que o conjunto e as partes sejam o pé que sustenta o corpo, a mão que abre, o braço que estende,
que o corpo seja um nenúfar e se suspenda na água,
que cada ponto do universo tenha um ponto correspondente,
que objectos especiais tenham lugares especiais ou corações especiais onde habitem,
que cada um tenha uma janela favorita para olhar, para espreitar, para abrir e fechar,
que os olhos vejam sempre mais além, mais por cima das núvens, mais depois dos montes,
e que nem sempre tudo seja o que os olhos vêem, mas antes o que a alma sente.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Escrito em Fevereiro do ano passado e publicado aqui no Mar.
É repetido, eu sei. Não tem piada repetir, eu sei.
Deixo-o de novo, porque gosto muito deste texto e porque, desta vez, será o meu pedido de Natal. Um pedido muito pessoal, mas que é extensível a todos os que aqui mergulham.

E talvez volte ao tema Natal ainda antes do dia chegar...

4.12.09

Não sei se é a última vez que te escrevo. Neste momento parece-me que sim mas, na verdade, não sei. E escrevo só para te dizer que não tenho mais palavras. Não tenho mais letras guardadas, gastei todas a escrever-te um Tratado que ainda não leste.
Não tenho mais palavras e não tenho mais silêncios para ti. Também gastei os silêncios enquanto esperava por uma palavra tua.
Não sei se é a última vez que te escrevo. Neste momento parece-me que sim.

27.11.09

Sem palavras, mas com muitas cores...
Fico a pensar no fim-de-semana, na viagem, na água quente e na boa disposição.

Sim. Rumo ao Norte.
Como sempre... ao encontro do WATSU :)

23.11.09

More Than Words




Vi hoje no blog da Laura e pedi para trazer para o 'meu' Mar...

***

Mais do que palavras,
mais do que silêncios,
mais do que a distância,
mais do que esperar pelo próximo dia,
mais do que te dizer que te amo
mais do que tudo isso...

Saber esperar.
Olhar nos teus olhos e saber.
Sem mais nada.

Num dia de vento...





Se eu for a pedra e tu a areia,
Se eu (me sentar e) esperar que o vento te traga em grãos,
Se grão a grão o teu corpo me tapa,
Se a tua textura granulada se vai juntando è minha textura rochosa;

Vai chegar o momento em que a rocha não se vê, só a areia.
Eu-rocha, aos poucos, desapareço.
Nesse momento, eu vou saber que chegaste por inteiro.

(Ainda que venha uma onda,
te leve de novo
e eu volte a ficar descoberta)

19.11.09

Hoje, o Céu

O que mais gostei no dia de hoje???
O céu!
Estava Lindo!

Desde o amanhecer até ao entardecer a prenda foi continua. As cores foram todas bonitas e as núvens também!


***

De resto... passei o dia a trabalhar, coisa que não acontecia há muito tempo mas que, por mero acaso, esta semana se veio a concretizar.
Das poucas chamadas que consegui atender... todos me avisaram que no meu próximo aniversário ia mudar muita coisa!!!
Eu já sei. É o Big Bang ou o Ping Pong ou o Chi kung... ou qualquer coisa parecida. E diz que vai mudar a minha vida toda! Tenho um ano para me preparar, vamos lá ver se consigo :)

De resto... agradecer as dezenas de chamadas que não consegui atender... e as dezenas de mensagens a que não consegui responder :( mas tenciono responder amanhã... se conseguir.
Uma pessoa anda sem trabalho há meses e no dia em que devia ter tempo para atender os amigos e receber mimos... nada! desligado! Bhhahhh! Desculpem lá a ranhosa da vossa amiga Sereia* mas hoje a prioridade foi mesmo a água! E no fim do mês vai saber tããããoooo bem ter um ordenado!!!
;)

Beijinhos a TODOSSSSSS*

11.11.09

Do teu silêncio saiu-me isto que te escrevo... e que li de alguém

(ESCRITO DE MEMÓRIA)

1. Um pequeno depósito de incredulidade
no fundo dos teus olhos.

2. Um breve estremecimento no movimento
do coração (do meu coração).

3. A impressão de alguém olhando
-te atrás de ti.

4. Uma voz familiar
num sítio cheio de gente.
(que só tu ouves dentro de ti)

5. Um súbito silêncio entre as
sílabas de certas palavras
que fica depois a pairar perto dos lábios.

6. A ignorância de alguma coisa
que ainda não sabes que não sabes.

7. Uma palavra só, aguardando,
uma palavra que basta dizer ou não dizer,
abrindo caminho entre ser e possibilidade.

8. O que não sou capaz de dizer dizendo-me.

9. Eu (um lugar vazio) para sempre; tu para sempre.

10. Outras duas pessoas
de que outras duas pessoas se lembram.

11. Esse país estrangeiro, o tempo.


Manuel António Pina (1943)
Poesia Reunida

10.11.09

Silêncios... II

Há momentos na vida em que aceitamos o silêncio dos outros com um sorriso.
Este é o momento em que aceito o teu silêncio.

Se não tens nada para me dizer,
se não há palavras que cheguem à tua boca,
se as cordas não querem vibrar,
se a alma não tem nomes para dar aos sentimentos,
se o que pensas não pode ser dito agora,
se o tempo não te deixa pensar, nem falar,
se a distância faz com que o silêncio seja tudo o quem tens para mim agora,

se tudo isto é verdade ou tudo isto não passam de palavras que eu penso e tu não...
Eu aceito. Aqui e agora digo-te que aceito.

31.10.09





Quero apenas água na minha vida



*Regresso ao Watsu com direito a dois dias de visita às águas mágicas de Sangemil
Bom fim de semana a todos os mergulhadores!

28.10.09




Íamos, sem saber para onde,
Perseguidos por miragens de cidades
Derrotadas construídas no milagre,
Hortelã pimenta aos nossos pés,
As aves acompanhando-nos o voo,
E no rio os peixes à procura da nascente;
O céu, a nós se abrindo.


Arsenii Tarkovskii
8 Ícones
(versão de Paulo da Costa Domingues)

25.10.09

Dedicatória


À Adraga do Meu Coração*








Hoje acordei e sou rocha.
Nem passado, nem futuro estampado no rosto. Talvez uma escarpa mais pontiaguda me denuncie, por entre as outras rochas. Ou talvez faça temer algum pescador que queira lançar a cana daqui.





Hoje acordei e sou rocha.
Há grãos de areia aos meus pés que foram pedaços de mim. E eu já fui feita dessa areia que o Mar leva daqui. Todos eles se misturam com outros grãos de outras rochas e com o Sal. Todos eles ganham nova vida depois de se soltarem de mim e fazem viagens que eu fico a imaginar daqui.





Hoje acordei e sou rocha.
Sou feita que um material do mundo que me escapa ao entendimento. Todos os minerais que me compõem, os sais, todas as pequenas quantidades de minerais dissolvidos ao longo dos séculos… tudo isso me traz o equilíbrio de que preciso para que não se dê o colapso.





Hoje acordei e sou rocha.
A textura e a estrutura com que acordei hoje é de uma verticalidade que me assusta. Sempre tive vertigens. Sempre tive medo das alturas.





Hoje acordei e sou rocha.
Fragmentada, com alguma inclinação, provocada pela erosão dos dias e por vulcões desconhecidos. Todos os dias e todas as noites, os ventos fortes me trazem e me levam outras partículas da terra e do mar.





Hoje acordei e sou rocha.
Sem me importar com clareza com a força ou a suavidade com que as ondas me tocam.
A suavidade traz um manto branco e puro que me tapa a escuridão da pele. E a força traz os salpicos que me enfeitam e me dão o brilho ocasional que uma rocha tem em frente do sol-pôr.





Hoje a cordei e sou rocha.
A dureza não me deixa satisfeita, a resistência também não.
Mas ter os olhos cheios de Mar, ser quente, a ferver de beijos do Sol, vê-lo descer e colorir o horizonte a cada dia, ver chegar a Lua e dormir com ela, faz-me sonhar sem querer ser outra coisa.


Ao Amor II



A TI, ainda.

(escolhi a versão original, porque foi a primeira que conheci desta música, mas também gosto muito da versão da Maria Bethânia)

Ao Amor



A TI.

24.10.09

Contrariando todas as previsões, indo contra e de encontro, desconhecendo o que todos julgam saber, saltando em andamento, fechando os olhos às evidências, criando evidências novas para enganar a única pessoa que precisa de ser esclarecida...

E, de repente, O zoodiaco chinês diz que é macaco, a Numeralogia diz que é 3, o outro diz escorpião...
Mas, eu não sou nada disso. Não me sinto nada disso.
Há a promessa lida de que seria uma mulher de negócios imbatível, implacável, muito bem orientada, muito capaz de ter sucesso, com uma capacidade de trabalho extraordinária. Podia até aplicar dinheiro na bolsa, imaginem!!!
Tudo isto se fica a saber sem procurar nada, sem querer saber nada, sem sequer pergutar nada.

Nada disto me convence!
Quero apenas água na minha vida.

O que fazer quando o nosso destino é outro diferente daquele que ecolhemos?

Chega o dia em que nos sentimos fora da Corrente do Norte,
e em que o pôr-do-sol da minha Adraga é a única coisa que me traz paz.
Foi hoje.

De resto... perdida me acharei em qualquer lugar, qualquer dia.
Até lá*

19.10.09

De Saudades (em procura)

Não sei
(não posso saber)
onde moram
(Vêm-me ao pensamento tantas coisas depois de te ler...)
Mas, sonhos e astros
andam juntos de mãos dadas
brincam juntos às escondidas
com o futuro e o passado
(consigo mesmo imaginá-los de mãos dadas)

E eu achava
(porque os meus olhos brilham e o meu dedo indicador aponta bem alto)
que só podiam morar num lugar
(aquele lugar)
só naquele
O lugar que o Universo tem guardado
(naquele bolso escondido)
para cada um de nós saber
a cor do dia, do lago e do mar
sempre que nos perdermos
de nós mesmos
(o nosso ponto de encontro de nós connosco)

Será que é lá?
Eu achava que sim...

:)

*******

Dedico à Saudades,
porque estas palavras foram escritas para ela, depois de a ler.
Tomei a liberdade de trazê-las para o 'meu' Mar ainda sem a sua autorização.

5.10.09

Nem sempre ouço o que dizes

(em tons de azul)


Disseste:
- "Confia no poder do teu toque"


E eu... ouvi:
- "Confia na qualidade do teu toque"

30.9.09

Até ao Fim do Fim



Ainda o Amor*
Ainda a música, as palavras cantadas, o som de um amor acompanhado por guitarra*

23.9.09

(em contraste de luz)

rodopiava sobre si mesmo, como se suspenso por um eixo invisível.
tinha a forma de um coração.

21.9.09

Sem saber, havia um sorteio. A mim, saiu-me a sorte assim: vinda de uma janela.
Pensei: "Não é assim sempre? Não é verdade que a sorte está sempre numa janela?"
Eu sempre tive uma janela favorita e nunca lhe limitei o significado apenas à sorte.
Porque por ela entra o Sol, a Luz, a Claridade.
E, por ela, vejo mais longe, mais azul e mais verde.




E vejo a torre.
Um dia vou conseguir lá chegar. Vou subir ao alto da torre de névoa e tocar nas nuvens e nas estrelas. Tenho tanta vontade de saber a textura das núvens e das estrelas! Gostava mesmo de pegá-las com as minhas mãos e ficar ali a olhar de perto, a sentir de perto.




Um dia, os arcos dos vãos das escadarias vão deixar entrar o sol e mostrar-me-ão esse caminho arredondado que os meus passos vão escolher para fazer a vontade do meu coração




Nesse dia, mais do que ser pedra, a pedra vai ser visão.
Nesse dia, as rochas talhadas pelas mais belas rebentações vão estar à beira-mar.
E esta pedra esculpida, vai mostrar o olho do Universo a espreitar por entre o mármore azul do céu




E os caminhos vão multiplicar-se como raizes. Como braços abertos, abraçados a outros braços. Não serão as ondas do Mar* a embalar-me o sonho. Serão os raios de Sol a aquecer-me as escamas, a pele, os olhos salgados

13.9.09

A Boca



Porque é a boca que dispensa a graça de deixar
escritas palavras inauditas
e o dom de receber as mais surdas.


Fiama Hasse Pais Brandão
Obra Breve

8.9.09

ONDA





WAVE - VOU TE CONTAR

Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho...

O resto é mar
É tudo que não sei contar

São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho à brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho...

Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade...

Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar

O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver...

Vou te contar...

Composição: Tom Jobim


***

Há ondas que se formam na nossa frente, assim...
Assistimos a um movimento lindo e perfeito em que a água salgada se junta e ascende em altura; e se curva debaixo do céu, para cair do alto da crista da onda, até se desfazer em espuma branca que a corrente pode até levar aos nossos pés.
É nesse momento que a água nos toca.

"E o resto é Mar,
É tudo o que eu não sei contar"


Dedico estes sons de (A)MAR* ao (A)Mar da minha vida,
seja ele qual e quem for,
que venha sempre em ondas

4.9.09

A Violeta




digamos: uma flor
um débil mundo de pétalas
aberto

digamos: uma cor
mais roxa de nossas dores escolhida

digamos: um ribeiro
um local habitável para a flor
a inventar

digamos: um perfume
impresso
na flor à beira-água

digamos: a memória
diluída
no perfume da flor

por fim
digamos: uma violeta
eis a flor





A.M. Pires Cabral
Antes que o Rio Seque

***

Li este poema e achei lindo!
Juntei-lhe duas fotos de Sereia* para ilustrar e...
Eis um dos meus posts favoritos :)

27.8.09

Fim-de-Semana: Vou ali e volto já II






Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...


Paciência
Composição: Lenine e Dudu Falcão



************************************************


Estive quase a postar a versão original... Mas gosto taaaaannnnto desta!

A vida não pára...
Rumo ao norte, em direcção ao Watsu :)
Mas não sem antes deixar um mimo colorido de sons

Bom fim-de-semana a todos os mergulhadores*

24.8.09




o amor é uma noite a que se chega só



José Tolentino Mendonça
A Noite Abre Meus Olhos

23.8.09

hoje, montanha




...


...não sei porquê, mas acho que pode estar relacionado com a montanha.
Gosto da montanha.
Ela vive, respira, transpira e sempre, sempre está lá para podermos subir ou descer por ela.

Qualquer dos caminhos que façamos é bonito, porque é o caminho que 'nós' escolhemos fazer.
Mesmo o caminho mais dificil é bonito, porque a montanha nos dá prendas na subida, com belas paisagens, com belas palavras, belas vistas, com aquilo a que os nossos olhos passam a chegar, assim ao longe, assim de cima.

Não um 'cima' de supermacia ou de superioridade, mas antes um 'cima' de boca aberta e de olhos abertos para o maravilhoso da distância e da horizontalidade e verticalidade que aumentam... nessa subida, nessa montanha e noutra montanha.

E na descida a montanha mostra-se diferente.
Mostra, quem sabe, a saudade da subida, a saudade da beleza que dela se avista,
a saudade dessa lua, dessas setas prateadas, das estrelas que nos sintilam.

18.8.09



...devo procurá-lo no exterior.
E eu sei disso.
Mas há dias em nossas vidas em que buscamos desesperadamente qualquer coisa cá dentro, quando é o Sol e o Mar, o momento seguinte que ainda não sabemos, que nos podem iluminar.

17.8.09

Onda e mar, mente e corpo.
São tudo o que sinto. São tudo o que sou.

Só falta a palavra vibração.
Que eu acho que a vibração do mar é diferente da da terra. Não é maior nem menor, não é mais nem menos, mas acho diferente.

Talvez por ser Sereia* e ter a mania de viver metade na Água, metada na Terra.
Será?
Não posso negar, nem esquecer.
Não quero mesmo que algum dia passe sem que eu me lembre que sou Sereia*

O Mar e a Terra são, portanto, inegavelmente e inequivocamente, meus pais.
Meus Pais! Meus Pais!
Meus queridos e amorosos cumplices da minha existência.
Que mais posso eu querer se tenho água e sal... e tenho terra e verde?
Os Meus Pais foram iluminados quando decidiram gerar-me desta forma.
E sim, foi uma decisão, não foi o acaso. Eu sei*



Esta noite danço contigo no 'meu' (A)Mar*

Vou evitar ondas altas e vagas fortes, vou ficar na praia que tiver a rebentação mais suave e a espuma mais branca.

E vou cantar baixinho e dançar debaixo do mar salgado*

6.8.09

Reconciliação




Há-de uma grande estrela cair no meu colo...
A noite será de vigília,

E rezaremos em línguas
Entalhadas como harpas.

Será noite de reconciliação -
Há tanto Deus a derramar-se em nós.

Crianças são os nossos corações,
anseiam pela paz, doces-cansados.

E os nosso lábios desejam beijar-se -
Por que hesitas?





Não faz meu coração fronteira com o teu?
O teu sangue não pára de dar cor às minhas faces.

Será noite de reconciliação,
Se nos dermos, a morte não virá.

Há-de cair uma grande estrela no meu colo.


Else Lasker-Schüler
Baladas Hebraicas
(tradução de João Barrento)

3.8.09

Just Like a Star

***



***




E podes sempre cubrir-me de musgo e de heras.
O musgo é o abrigo das rochas, das pedras que nas serra habitam. cobre-lhes as costas nos dias e nas noites em que a humidade das lágrimas do Universo se faz sentir na Terra.
As heras, são corações verdes. Às vezes, perdidas sobem os muros à procura dos seus peitos. Outras vezes, crescem em grupos de corações selvagens e quem os encontrar pode ter, para sempre, em sua vida um coração.

Como poderás tu magoar-me, se me cobrires de musgo e de heras?

Vou fazer o que me dizes.
Vou seguir o voo das gaivotas.
Sim, elas sabem.
Ouço muitas vezes elas conversarem numa língua que não consigo decifrar e que não me atrevo a aprender, só para poder continuar a ouvi-las, só para poder continuar a sonhar à beira-mar*
E, nesse mar, ver-vos-ei passar a todos e a todos vou acenar...
Acaso haja quem, por momentos impermanentes, à janela redonda desse navio espreite, à procura de um canto, voz de Sereia* disfarçada de voz de onda, com agudos e sustenidos e bemóis da cor que o céu tiver nesse dia, em pleno alto mar de maresia
Um dia vou acordar e perceber que os Deuses me deram sempre tudo a dobrar,
eu é que nunca perbeci*

31.7.09

LA AVENTURA DE MORIR

Morir al pasado, morir al porvenir, vivir es morir en el arte de ser el instante. Vivir es morir cada segundo para ser el tiempo profundo de la eternidad. Aventura de la paz, morir es renunciar a lo que no se es para ser. Cada renuncia es una muerte que anuncia la vida. Cada muerte es una pausa del no ser en el que habita desnuda la vida.



Jorge Carvajal Posada

Recebi estas palavras de alguém que me diz muito,
mesmo em momentos de silêncios prolongados

27.7.09

Quando o Mar é de prata e somos gota, não importa tanto se morremos ou renascemos.
A não ser que sejamos pescadores.

Um dia...

Um dia,...

Um dia vou ter uma memória para contar.
E, nessa altura, não sei se ainda serei peixe ou Sereia* ou mulher


(comentário deixado no blog de Saudades)

26.7.09

Its only words...




I Shall write to you, today.
To your soul, your spirit. To you whoever you are in my life. Even if this words do not belong to me and the candles in front of me should illuminate their path, the one they must accept until they come toghether in one place and time. This one, particular, place and time.
I shall receive them as light from the universe. The candles tell me to do so.
And so I write to you, nonsense words, no specific speech, only this will, just feeling compelled to keep writing.
If you can read me, somehow across the universal laws of the Universe, the spirits and souls, I would be happy. Even if I do not have the skill to know. Even if I can not feel it in my deepest feelings, right now.
Should I be writing in another language?
Should I just stop writing?
As I wrote to you before and have not yet the knowledge or the capacity to learn, read, feel your answers... I believe that, meybe, I am not ready to ear you.
But if you happen to be the one I’m thinking of, just know that I am thinking about you now. And then, maybe these words are for you. If not, I’m sorry about my mistake.
This night, these candles are just a way to get some light. As I believe they have the real power to help with that.
I believe that perfection exists in nature. As human being, I can believe in that, I can even see it every day of my life, and I do. But I must accept that I was born for a purpose that maybe does not pass on your way.
If you are whom I am thinking of, I can even see that our paths have meet toghether in a very perfect way, but maybe they are not meant to stay toghether for more that a few days in each time.
This night, these candles illuminate my words. I should write that I accept that gift from the Universe. I am happy to have this moments and to keep them in my memory.
In this moment, I feel like I could cry, but you are not here to dry my tears. So, I will not drop them. They are not ready to get out of my eyes with out any help.
And now I kiss you with my heart beating. I would like do dream with you tonight. I will wait for you to show up in my dreams. The ones I have every single day of my life, but shall never remember the day after.


************************


Peço desculpa aos leitores pelo Inglês em tão mau estado.
O texto já tem um mês e só hoje tive coragem e vontade de deixá-lo neste Mar. Porque acredito que é tempo de deixar estas palavras seguirem o seu rumo. As ondas e as correntes, os ventos e os seres marinhos farão com que a sua viagem seja mais suave e permitirão que chegue a bom porto. O seu destino é um lugar que o Universo tem para acolher palavras destas, palavras minhas. Pelo menos, quero acreditar que Universo tem um lugar para elas ficarem em paz e terminarem o caminho que começaram no dia em que nasceram e se juntaram na minha frente, pelas minhas mãos.


(Vou tentar assumir aqui o compromisso de não voltar a escrever noutra língua textos de minha autoria. Não sei se vou cumprir, mas vou evitar. Na verdade, este dilema ocupou todo este tempo em que evitei publicá-lo. Porque tenho consciência de que isto não é Inglês, é uma espécie de Sereiês*... mas não consegui evitar a publicação.)

21.7.09

19.7.09

Ver-te Ver-de



Se me lembro do verde,
lembro-me das árvores altas que nos fizeram sombra à beira rio

Se me lembro do verde dos teus olhos,
lembro-me dos espíritos em espiral ascendente

E vejo-te, de olhos verdes, no verde quente da rocha

16.7.09

tenho um Lado Esquerdo




tenho um lado esquerdo
que assim se deita na areia. parece-se com uma conchinha de espécie desconhecida e rara. tem forma de coração se está aberto. se não está totalmente aberto, ponho ao Sol e a luz do Sol encosta-se devagarinho à concha e faz uma sombra linda, que mais parece a outra metade do meu Lado Esquerdo




o meu Lado Esquerdo
faz-me ver o céu assim... se o Sol chega, fica com cor de algodão doce.
e, perdido entre as nuvens de algodão, encontro um outro Lado Esquerdo
é o teu?




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Meu lado esquerdo
É mais forte do que o outro
É o lado da intuição
É o lado onde mora o coração

Meu lado esquerdo
Oriente do meu instinto
É o lado que me guia no escuro
É o lado com que eu choro e com que eu sinto

Meu... O Meu...
Foi o meu lado esquerdo que me levou até ti
Quando eu já pensava que não existias
para mim no mundo

Meu lado esquerdo
Não sabe o que é a razão
É ele que me faz sonhar
É ele que tanta vez diz não

Meu... É o meu...
Foi o meu lado esquerdo que me trouxe até ti
Quando eu já pensava que não existias
para mim no mundo


Letra # Carlos Tê
Música # Hélder Gonçalves
Interprete # Clã

14.7.09

Rosa - Flor





NIEMANDSROSE

Hás-de pensar ter encontrado
a rosa, hás-de gritar
esta é a rosa;
à tua volta todos
ouvirão, suspensos,
e, na rosa,
hão-de ver apenas o rumor
da tua boca
incendiada pelo verão.


António Mega Ferreira
O Tempo que Nos Cabe

movimentos*





Movimento

movimento de alma
silêncio, emoção
de doçura meia,
essa tua palma
sobre a minha mão
o que tem que leia?

para lá da floresta
onde as coisas são
sem minha licença,
mais linear que esta
confusa razão
da tua presença

não há outro sim
que não tem dizer
e é mais movimento
qualquer coisa assim
como um tempo sem fim
como um espaço sem tempo


Mário Cesariny,
Manual de Prestidigitação

9.7.09

O regresso

E... eis que, um mês depois, regresso a este Mar*

Ainda não estou preparada para contar como foi tudo e mostrar imagens de viagens da vida que fiz neste último mês.

Vim só dizer aos (3 ou 4) mergulhadores que eu imagino que tenham vindo ver a vista e não têm encontrado nada de novo... que... está tudo bem. Estou feliz da vida!
O Watsu sido a razão desta minha ausência e desta minha felicidade.

E, em breve, espero poder mostrar coisas bonitas de se ver...

Beijos a todos.
Tenho saudadesssss*

Baleia

Esta é uma campanha/petição da Greenpeace a enviar para o Japão. O que está em questão é o abate de baleias, mas não é uma petição comum: somos nós que construímos a baleia que leva a mensagem. Tem qualquer coisa de infantil e, talvez por isso, dá muito prazer produzir o bicho. Vão até ao endereço abaixo e experimentem.

http://www.send-a-whale.com/sendawhale/landing.php

Os alunos de certeza que gostarão da experiência.... e os filhos e os netos e sobrinhos e afilhados e os amigos e... qualquer bicho humano.


Eu já fiz a minha, chama-se Heart Waves. E vai a caminho do Japão...

:)

8.6.09




There she goes,
there she goes again

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Sem saber se vou voltar aqui, vou partir ao encontro daquilo que julgo ser a minha PAZ. Os próximos tempos devem ser de ausência neste Mar onde aprendi a continuar a Amar o que julgo ter Amado desde sempre. Não sei como, nem quando, nem se voltarei.
Vamos ver...
Por agora, o Watsu vai ser o meu todo, o meu eu, o meu ser e tudo aquilo que não sou, não fui, nem serei.

Fiquem todos muito bem!
Recebam todo o meu Amor de coração aberto, neste abraço que mando a cada um dos mergulhadores... agora, de olhos fechados.

28.5.09

~~~ WORLD WATSU WEEK ~~~




todos sabem que é a minha paixão...
não é segredo para ninguém, por isso...

Queiram fazer o favor de passar a mensagem:

10 a 16 de Junho, nas Caldas de Sangemil, Viseu.

Sessões de Watsu GRÁTIS!!!

Marcações e pedidos de informação em: info.watsu@gmail.com


Apareçam! levem amigos ou familiares
experimentem uma viagem fantástica e relaxante para o corpo e alma*

22.5.09

Hoje, Hoje





Não é segredo que ADORO os The Gift...
Este projecto não é só deles... e até já havia uma versão de uma música da Amália muito boa cantada pelos Donna Maria, aqui:
(ouçam a música, as imagens, de facto, não são as melhores)



Não sou fã de Amália (digamos que nem muito nem pouco), mas as letras numa versão pop entram muito bem no meu ouvido.

19.5.09

Lua

Querida Lua,

é a ti que falo agora,
não há razão para ser agora, porque te falo todas as noites,
mesmo naquelas em que te escondes de mim,
mesmo naquelas em que me esqueço de te nomear,
mesmo em todas as outras noites em que me esqueço que estás por perto.



a ti me dirijo sem nada para te dizer que já não saibas,
que entre nós não há segredos




Para sempre ha-de haver uma Sereia* que te cante uma qualquer melodia,
que te procure com o cair da noite e que peça a tua luz para iluminar esses momentos secretos em que as lágrimas de sal se juntam ao Mar salgado





Não me importo se te encondes por detrás de ramos secos ou verdes,
não me importo se cheia ou crescente, se nova ou minguante




É a ti que falo, agora