30.1.09




...

"Das flores aquáticas sai filtrada uma luz ténue.
As suas folhas não querem que nos apressemos:
São circulares e sem relevo, cheias de conselhos obscuros.

Mundos frios agitam-se com os remos.
O espírito da escuridão está em nós, está nos peixes.
Um ramo submerso ergue uma mão pálida em despedida;

As estrelas abrem-se entre lírios.
Não ficas cego com a mudez de tais sereias?
Esse é o silêncio das almas já perturbadas.


Sylvia Plath, Pela Água

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Ainda a palavra silêncio no vocabulário escolhido...
Ainda sem cantar e sem som... deito palavras ao vento que me sopra de nortada e faz subir altas ondas e traz à areia a espuma branca em abundância.

Há dias ouvia o mar falar bem alto, quase a gritar.
A voz era grave. Tão grave.
Parei de pensar, de sentir, de respirar. Evitei qualquer ruído, por menor que fosse, que saísse de mim para poder ouvir com mais atenção o que o mar vinha dizer à minha janela. E, apesar de a janela estar fechada, ouvi a voz do mar que me entrava por outra janela, desta feita, bem aberta desde um outro tempo sem tempo contado.
E aquela rebentação tão barulhenta entrou pela janela aberta do meu coração.

Era uma língua estranha. Mas parecia que o mar estava zangado.
Depois já parecia que não estava. E aquela sonoridade grave era só o mar com a sua plenitude de agitação planetária. Era só o mar a mostrar a sua energia e a sua força, em explosão após explosão efusiva, a cada onda que rebentava na areia e a levantava e a misturava com toda força do Universo a mexer com a colher de pau.

Imaginei a delícia que o Universo ia ter depois de levar este mar ao forno, em lume brando... Quando viesse a calma e o Sol por cima a polvilhar de dourado o verde.

26.1.09

Coisas a dizer

Hoje escrevo para responder a duas pessoas que me são queridas.
Por se tratarem de situações parecidas, resolvi juntá-las.

Em primeiro lugar, escrevo para o Vergilio.

Há um tempo atrás atribuiu-me um prémio. Falámos sobre isso na altura, lembro-me de ter dito que desconhecia que se atribuíam prémios e que a subjectividade dessa atribuição era inevitável. Assim é. Na verdade, o tempo passou e eu nunca fiz a publicação dessa atribuição. Se me envergonho de ser ‘pobre e mal agradecida, ao mesmo tempo, a verdade é que não ligo mesmo a estas coisas… e a coisa foi passando.

Vergilio, não leves a mal (eu sei que não levas), não quero de forma alguma menosprezar o prémio que me deste. Por isso, a titulo póstumo… publico hoje.




"Com o Prémio Dardos reconhecem-se os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc… que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.
Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web."


As regras são:
1) Exibir a imagem do selo;
2) Linkar o blogue pelo qual você recebeu a indicação;
3) Escolher 15 outros blogues a quem entregar o Prémio Dardos.

Os prémios deste Blog vão para os seguintes:

Fava Rica
Partilha de Emoções
O Cantinho da Terra do Nunca
Keep Your Mind Wide Open
Me, A Name I Call Myself
O Tempo Ruge
Multiolhares
Alguns Anos Depois


São só 8, eu sei.
Havia mais blogs aos quais eu gostaria de atribuir o prémio… mas já têm…
Entre os quais o teu, Vergilio, e o do Platero, a quem tu também ofereceste o prémio
:)
A outra pessoa a quem escrevo hoje é a Kakauzinha, que me deixou um convite no seu blog Me, A Name I Call Myself para escrever 6 coisas sobre mim.
Convite esse que eu aceitei :)
Obrigada Kakau por teres convidado a partilhar


As regras são:

1. Pôr o link da pessoa que me convidou;
2. Escrever as regras do meme no blogue;
3. Contar seis coisas aleatórias sobre mim;
4. Indicar mais 6 pessoas e respectivos links;
5. Deixar um comentário a cada uma dessas 6 pessoas.


Então… Contagem decrescente…





6.
tenho o grande sonho de um dia poder vir a ter a minha casa de madeira.
O sonho vai ao ponto de conseguir imaginar como vai ser a porta, a cozinha, a sala, a cor, a decoração, o sofá, o quadro da parede, o alpendre. Imagino a festa que vou fazer para celebrar o acontecimento que será dar as boas-vindas aos amigos. Imagino as velas acesas e o cheiro do incenso, imagino os sorrisos e os copos a bater em tom de brinde e de felicidade. Imagino a Bolota a correr feita doida e a entrar pela porta dentro e a escorregar pelo chão fora até acertar numa decoração da casa que eu adoraria que não se tivesse partido em mil pedaços :)




5.
tenho o sonho de poder vir a fazer alguém feliz, algum dia, de alguma forma.
de perceber que a pessoa que está na minha frente é feliz e que a culpada disso posso mesmo ser eu. Enfim…




4.
tenho o sonho de conseguir perdoar (este não é novidade, foi o meu pedido de natal em 2008) E o perdão aqui é muito mais do que o pedido de desculpas. Muito mais.
perdoar quem me fez cair um dia, depois de eu ter caído muitas vezes seguidas e de ter curado as feridas todas até ao dia em que não consegui estancar o sangue.
Perdoar quem nunca me fez cair, nem escorregar, nem me empurrou, nem nada… mas que me magoou o suficiente com esse nada que me fez.
Perdoar-me a mim mesma, porque todos os dias erro, todos os dias cometo erros graves para comigo mesma e para com pessoas por quem sinto Amor Incondicional.
Perdoar-me a mim mesma por coisas que nunca devia ter dito nem feito, a quem nunca deveria ter ouvido nem visto o que disse e fiz
Perdoar-me a mim mesma por aquilo que devia ter dito e feito e não disse nem fiz.
O perdão é, para mim, o mais difícil de superar em mim mesma e nos outros, mas quero muito melhorar.




3.
Há um tempo atrás, aqui no blog, revelei uma parte de mim que até esse momento eu mesma desconhecia. Nessa altura, postei um texto que podia esclarecer alguns pontos sobre a minha pessoa, ou podia aumentar a curiosidade de quem já me conhece há algum tempo mas que, como eu mesma, desconhecia o nome de uma certa forma de ser e estar que era a minha. Neste desafio da Kakauzinha, vou relembrar isso que sou… E isso tem o nome de Índigo. Sou Águia Cósmica Azul. É isso. Sou azul, sou líquida e sou da terra, não sou do céu. Dou bastante importância às pequenas coisas, percebo coisas sem que as pessoas me digam por palavras, os sentidos e os sentimentos são tudo o que sou sempre e em qualquer lugar. Sou intuitiva e há coisas que Amo e outras que Detesto, não tenho propriamente um meio-termo. E sou Azul… de uma Azul tão lindo, mas tão lindo. Mesmo sem nunca ter visto com os meus olhos, sempre senti o Azul que trago dentro do coração e a colorir a minha alma




2.
Não sou crente nem pratico nenhuma religião e por isso Deus para mim não tem esse nome, nem tem nome de gente. Aquilo em que acredito chama-se Universo, chama-se Infinito, Finito, chama-se Natureza, chama-se Sol, chama-se Água, Terra, Lua, Maré, Onda, Alma, Nuvem, Pedra, Folha, Flor, e vai por aí fora até às Estrelas e às Constelações cujos nomes eu desconheço, invento e raramente sei identificar a forma que têm. Amo todas estas ‘coisas’ incondicionalmente e sem elas na minha vida eu não seria eu, muito menos teria qualquer tipo de vida, muito menos seria alma.




1. E última
Em Fevereiro vou estar com o Watsu por perto. Vou estar com o Watsu no coração, nas mãos. O momento é de espera e saber esperar nem sempre é fácil. Se falarmos de Amor… a espera aumenta exponencialmente. Mas este Amor é diferente e vem. Vem mesmo. E eu deixo-me ir com ele. Vou, mergulho sempre na Paz, na serenidade, na felicidade que é para mim receber alguém em meus braços. Um dia vou poder ter-vos a todos nos meus braços. É outro sonho que tenho. Caminho para lá*


Agradeço a todos aqueles (poucos) que aqui vêm e que aqui chegaram na leitura.
Dedico-vos esta partilha com todo o coração.

E passo a convidar os seguintes:

Fava Rica
O Tempo Ruge
Alguns Anos Depois
Banhos de Cinza
(H)Ortografias
Quase Bruxa

18.1.09

Manias antigas repescadas, hoje

Sempre tive a mania de guardar coisas pequeninas e insignificantes que tivessem feito parte de algum dia importante ou de algum acontecimento ou de alguma coisa, fosse o que fosse. Tenho a minha caixa de recordações e hoje fui visitar o meu passado e fazer o que eu não gostava de fazer há uns anos atrás… deitar fora coisas que me levam para o passado.

A caixa estava cheia e eu acabo por ter mais coisas para acrescentar.
Os anos passaram e eu fui perdendo essa mania. Pelo menos dessa maneira tão consecutiva e tão exaustiva.
Já não guardo pedras que apareciam no caminho de um passeio com amigos, nem folhas de árvore, nem caninhas, nem bilhetes de cinema ou de comboio…

1998 foi um ano muito produtivo em arquivos…
Fiquei a saber ou a lembrar que:

- Já estive nas piscinas municipais de São Jacinto, em Aveiro, e que o bilhete foi 210$00

- Que no casamento de uma amiga, da ementa constava um certo bacalhau surpresa, no segundo dia… antigamente os casamentos tinham 2 dias… já nem me lembrava!

- fui ao cinema com uma data de amigos da turma, na sala 2, no lugar 13, na fila K… almoçamos às 13h10 minutos e depois de comer fui lavar o prato em forma de meia lua, fui comprar uma caneta de acetato e TODOS assinaram o prato. Era feriado, dia 5 de Outubro e estavam lá grandes amigos que ainda hoje fazem parte da minha vida, felizmente!

- Lembrei o filme que vi no Cinema Girassol, em Vila Nova de Mil Fontes, O homem da máscara de ferro, bilhete: 500$00

Jantares de turma então!!!!

- No Regala: 12 de Junho de 98, depois fomos para o Fonte da Pipa, depois fui dormir a casa da M.

- Outro no Regala a 2 de Outubro

- No feriado de 25 de Abril de 98 fui à Feira do Livro no Parque Eduardo VII e depois fui ao Colombo (e se eu ODEIO o Colombo)

- Em Fevereiro de 98 também comprei um top azul… dizia o cartão: Numa manhã para nunca mais esquecer… na verdade… esqueci!

- No dia 14.10. 96, às 11h40m o meu colega de carteira de então… escreveu-me num papel de borracha, numa aula de Inglês.

- Descobri fotografias de um Miguel que eu amei no secundário… fotos dele a jogar Voley num torneio em 95 ou 96

- Em 97 participei num rally-paper, com a equipa de nome: São Bernardos…

- E ainda em 98 terei participado na prova de natação, circuito de travessias… dia 27 de Setembro… OS TEMPLÀRIOS – ILHA DO LOMBO, em Tomar

- Bem como na Inauguração da piscina do estádio Universitário, esta lembro-me bem!!

- Numa outra travessia de mar, desta vez em Quarteira, no Algarve… tenho de recordação, para além das fotos… os papelinhos que escrevíamos para mostrar no vidro de trás do autocarro: Se fez sexo hoje, sorria!

- Um balde de pipocas assinado por todos os que foram ver o filme desse dia…27.3.98

- Os tempos de 50 metros bruços e 50 metros costas e de 100 metros e de 200 metros estilos e de 400 crawl

- Uma caixa de smarties vazia, mas com um papelinho colado com fita-cola e nele uma mensagem deixada pela M.

- Uma caneta comemorativa da maratona: 12 horas a nadar, em Carcavelos

- As minhas pulseiras de couro e de fitas e de missangas… TODAS

- Ervas secas com etiquetas coladas a dizer: Évora, 18 maio de 98 (muitas qualidades diferentes de folhas)

- Uma senha de autocarro picada 4 vezes (quando só se podia picar 2…)… que era o meu orgulho de poupança

- Uma declaração do professor de educação física a dizer que não tinha dinheiro para pagar a dívida que tinha para comigo e mais uma colega… por termos tentado que ele e mais um professor ganhassem um jogo de voley ao tal Miguel que eu amava e mais um amigo…
E porque eu e a minha amiga arrumámos todo o material… a divida era de 200 mil escudos a cada uma! em 1996 era um balúrdio!
E os profes perderam o jogo. O Miguel era mesmo o maior!!!

- A morada de uma professora de português que tive no 8º ano e o nr de telefone. Lembro-me de ter ido ao casamento dela. Na altura não era muito normal e foi um orgulho para mim.

- Fitas, autocolantes, horários do 7 e 8 e 9 anos…

- Bases de copos assinadas por todos os que estiveram no Bar nesses dias

- O meu primeiro relógio

- Pacotes de açúcar e bilhetes de cinema e de comboio, guardanapos de papel, laçarotes, conchinhas…… TUDO guardado religiosamente numa caixa de recordações


Tantas coisas!!!
Tantos anos!

Eu era uma incrível anotadora de pormenores e uma exaustiva colecionadora de momentos congelados no tempo!

Era...
Fui...

13.1.09

Ainda o Silêncio




O silêncio deixa-me ileso,
e que importância tem?

Se assim, tu vês em mim
alguém melhor que alguém

Sei que minto, pois o que sinto
não é diferente de ti.

Não cedo.
Este segredo é frágil e é meu.

Eu não sei
tanto sobre tanta coisa
que às vezes tenho medo
de dizer aquelas coisas
que fazem chorar

Quem te disse
coisas tristes
não era igual a mim.
Sim, eu sei que choro
mas eu posso
querer diferente para ti.

Eu não sei
tanto sobre tanta coisa
que às vezes tenho medo
de dizer aquelas coisas
que fazem chorar

E não me perguntes nada.
Eu não sei dizer.

Evanescente




Evenescence
Em português: evanescente

Que se esvaece, que se esvai,
que se dissipa, efémero


*

Há efemeridade em tudo o que existe à face da terra, em tudo o que se diz, faz e... em tudo o que se escreve.
A escrita tenta, no fundo, contrariar o efémero. Eu própria já escrevi muitas vezes para tentar contrariar a efemeridade, a dissipação de momentos, de palavras, de sentimentos que eu não quero que caiam no esquecimento.
E porque a memória não me chega e sempre me falha, trato disso desta forma que me dá muito mais prazer do que daria se a minha memória fosse, de facto, suficiente e eficiente.

Na verdade, o que escrevo não deixa de ser efémero. Só demora mais tempo a dissipar-se. Se um dia eu deixar de escrever... é o efémero que começa, é a dissipação que toma conta dos momentos, das palavras, das memórias.
Até lá vou tentando eternizar tudo isto, todos estes pedaços de vida, todos estes pedaços de fita partida.

Quando a Luz se apaga




Quando a luz se apaga os nossos cabelos não esvoaçam ao vento.

E eu vejo crescer uma luzinha,
vejo uma dor sem fim,
loucura a minha!
de querer que fique junto a mim.

12.1.09

Nada a dizer

Um Certo Silêncio





há o silêncio
porque, agitada,
me quedo

e o silêncio, esse,
nunca é absoluto

11.1.09

Há dias...

Algures no tempo desta semana que passou...
Enquanto esperava pela minha vez, numa qualquer estação dos CTT deste país...

- A menina desculpe, eu não queria incomodar... mas posso lhe pedir um favor?
É que a moça ali do balcão não me facilitou nada, diz que não me pode ajudar...


- Não incomoda nada! Diga lá!

- Eu queira mandar um dinheiro para a minha filha que está em Évora, mas como não sei ler, nem escrever... não consigo escrever o papel que a menina do balcão me deu...

- A sério? A Sra. não a ajudou a preencher isso?

(fiquei chocada e com vontade de escrever uma reclamação, assim que chegasse a minha vez de ser atendida)

- Não! Disse que eram regras e que não podia...

- Então diga lá, que eu escrevo. Preciso de saber a sua morada...

- Ó filha... não sei dizer... não tenho...

(a sra. era de etnia cigana e eu percebi que ela podia mesmo não ter uma morada)

- Então e o seu nome?

- Está aqui neste papelinho... veja lá...

- E a morada da sua filha, lá em Évora?

- Olha filha... é para mandar para os Correios que ela vai lá receber... só tenho aqui estes números de lá...

('estes números' eram o código postal dos correios de Évora)

- Pronto! Agora preciso de saber quanto é que lhe quer mandar...

- xxx euros!

- Pronto, já está. Mas, agora, tem de assinar aqui nesta linha.

- Ah obrigada, mas isso faz o meu marido que ele sabe fazer o nome.
Obrigada minha querida! Um Bom Ano para ti! E desculpa lá se incomodei!


- Não incomoda nada! Bom Ano!


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A senhora era um amor de pessoa, super educada e simpática e, por pouco, ficava sem ser atendida porque não sabia ler nem escrever... Eu fiquei danada! Indignada mesmo!
Mal chegou a minha vez, fiz o que tinha a fazer e, no fim, não aguentei! Perguntei à sra. do atendimento se era verdade que não se podiam ajudar as pessoas a preencher os formulários. A resposta foi pronta e sem pestanejar: Não, não podemos! São regras! Nenhum funcionário pode preencher nada que seja de um cliente.

Fiquei de boca aberta com a frieza da resposta e com a indiferença no olhar.
Nesse dia, se pudesse, tinha mesmo batido em alguém.
Confesso que vontade não me faltou.

E é este o país em que vivemos.
Amo este país de coração e julgo não ser capaz de trocá-lo por outro, nunca na vida. Mas estas situações deixam-me muito triste e, aos poucos, vão-me mostrando retratos sociais que não gosto de ver, que me deixam esmagada por dentro.

Fim da 'estória'*

6.1.09



foto de Fava Rica



Outra vez solto
a olhar. O paraíso
é assim: à semelhança do inferno,
mas em tudo diferente.
Por exemplo: aqui trocamos os nomes todos,
cada dia é uma nova
constelação. Do outro lado
dos teus olhos,
quando o retrovisor espreita
por cima dos teus ombros,
fica um mundo suspenso,
o manso amor, o vento.


António Franco Alexandre
Quatro Caprichos

4.1.09

Pedra a Pedra




Pedra a pedra
fui colocando todos os momentos
uns mais pesados que outros,
uns mais redondos que outros.

Todas as pedras são diferentes
e assim me fui contruindo
como se eu fosse um castelo.

Os anos foram passando
e eu fui crescendo
as pedras que eram de mim
foram ganhando musgo
foram ficando amareladas e escureceram


Sem dar por mim
enquanto me contruía
fui subindo mais alto
mais alto e mais alto
de tanto subir
fiquei cansada de me construir

Aí, percebi que era tarde demais
tanto me construí
que tão alto fiquei
agora ninguém me chega


(desconheço a autoria)