31.3.09

Hoje, na Adraga

Desci à minha PAZ
num ritual contrário à ascenção física,
mas muito parecido com a ascenção espiritual
E aquela imagem de verde selvagem,
enche-me o coração, mal a vejo
E chegando ao areal...
Chego à PAZ, chego a mim mesma. Porque me sinto aquele lugar, porque me sinto daquela forma, porque me sinto a mim mesma ali


Cada momento de encontro comigo mesma





Cada rocha que o sol aquece a pele





Cada pedra arredondada que o mar beija e molda





Cada onda que rebenta no meu peito de areia





Cada grão de areia que o vento me sopra

30.3.09

a escstunis

Do tempo em que era estudante ficou-me um sonho por realizar.
Ainda hoje, alguns anos depois, olho para trás com pena de não ter feito parte da tuna da minha faculdade. Nunca consegui reunir as condições mínimas para fazer parte deste grupo de pessoas que eu admiro desde sempre e para sempre: a falta de tempo, ou a má gestão do meu tempo. Infelizmente, resume-se a este facto que me dói só de o mencionar... não dava tempo. Os ensaios eram tarde, as actuações dificeis de conciliar com outros projectos sonoros e aquáticos em que estava envolvida...

E pronto... os anos passaram e eu... nunca fiz parte da escstunis do meu coração.


deixo-vos um original da escstunis que me enche de orgulho e de arrepios, de cada vez que ouço estes acordes. Uma serenata linda, linda, linda, tocada pela última vez este ano no 'Tuna m'isto'





Teu Sorriso
Música e letra de João "Jogabi" Almeida

Julguei que seria
Loucura, ousadia
Pedir que me ouvisses cantar
Disseste talvez
E o teu olhar se fez
Doce canto de sons e de mar
Ganhei asas e fi-lo sonhar
Com a distância de não te encontrar

(Refrão:)
Quero
Hoje dizer-te que não tenho
Mais do que azul para dar
Sei que não me mentiste
Quando um dia sorriste
Ao dizer que não ia mudar
Para sempre eu hei-de ouvir:
"Amor é querer-te ouvir
Cantar"


A tua paixão
Foi a minha ilusão
E tentei perceber o porquê
Contigo tão perto
Não conto decerto
Teu sorriso ver mais uma vez
E dar daquilo que se fez
Uma sombra de luz a cantar

(Refrão)


***

o Sorriso foi substituido por uma nova serenata, depois de muitos anos de sucesso.
Não posso ainda deixar de vos mostrar como eles cantam a próxima música. Nem vou dizer o nome... todos a conhecem :)




tenho que pedir desculpa porque a gravação video não é a melhor,
mas o som é muito bom.
Há mais no youtube... para os mais curiosos.
Se lá forem ouçam a ILHA :)

29.3.09

Em Nome dos Velhos Tempos...

Porquê que queres obrigar-me a calar?
Porque tenho razão.
Sabes que tenho razão.
Mas não tens coragem de o dizer!
Porque defendes a tua felicidade como um cão defende um osso...
Ah mas como a vossa felicidade me mete nojo...
O vosso apego à vida de que é preciso amar a todo o custo.
Parecem cães... que lambem tudo o que encontram...
É assim que pensam, não é?
Pois eu não.
Eu exijo tudo.
Tudo imediatamente.
E se não for assim, recuso.
Não quero ser modesta.
Não quero contentar-me com pouco.
Quero ter a certeza de tudo.
Ou então, Morrer!


Grupo de Teatro Honoris Causa

*******

Ainda no rescaldo do Dia Mundial do Teatro...
Dedico este texto que não escrevi a todos os actores que não o leram.
Mas também a todos os que não o ouviram dizer em voz alta, num palco, com luzes, marcações, com pessoas sentadas à espera da próxima palavra e do próximo gesto.

Não fui ao teatro, comemorei o dia com o visionamento da entrevista que o Ricardo Pais deu na Câmara Clara, RTP 2... Foi uma programa muito interessante, como sempre são as Câmaras Claras da Clara.

Tenho saudades de ir ao teatro. Mesmo muitas. Há uns anos ia ao teatro como quem vai ao cinema. Prefiro o teatro e tenho mais bilhetes guardados do que de cinema. Puff!!! O Teatro é uma paixão para mim. Nunca fiz teatro, nem pretendo vir a fazer, não tenho o mínimo talento. Mas encanta-me. Fico facilmente sentada a ver um espectáculo. E gosto também dos bastidores, do que está por trás das cortinas.

Sobre o teatro já escrevi mais de 100 páginas (que me valeram um orgulhoso 17!).
E, na adolescência, defendi uma causa, lutei por ela como sabia lutar... escrevendo o que sentia. Na altura, o Parque Mayer estava para ser demolido, a Maria João Abreu e o José Raposo (entre muitos outros) estavam empenhados em impedir que isso acontecesse.
Eu achava triste demolir aqueles edifícios no centro de Lisboa. Edifícios que eram salas de espectáculo antigas, onde já tantos valores do teatro tinham representado, tinham nascido, tinham crescido. Eu achava triste que os teatros não pudessem ser recuperados para que os actores pudessem voltar a encher aquelas salas. Achava triste companhias e grupos de teatro não terem uma sala para representar em condições e estarem sujeitos a garagens e espaços arrendados, terem que ensaiar em espaços não apropriados.
Achava aquele espaço lindo, cheio de alma e... vazio. Fechado, a cair de podre, em ruínas. Era uma injustiça! Três salas de espectáculo com 'estória' para contar e só uma (e por teimosia) continuava activa, ainda que as condições não fossem, de facto, as melhores.

Nessa altura da minha adolescência, decidi, juntamente com uma grande amiga que sonhava ser actriz, que íamos tentar ajudar. Reunimos um abaixo-assinado para tentar impedir que o Parque Mayer fosse demolido. E escrevemos duas cartas que enviamos ao ministro da cultura e ao presidente da câmara de Lisboa da altura... Mandámos essas cartas semanas a fio. Sempre a mesma carta, todas as semanas.

Depois de ser anunciado um mega projecto, depois de se imaginar um casino e uma feira popular... O Capitólio, o Variedades e o Maria Vitória... continuaram rodeados de estacionamento pago.
Vamos ver o futuro. Mas gostava de imaginar aquele espaço cheio de vida e aquelas três salas cheias de actividade, entregues a companhias e a grupos de teatro (podia até ser por concurso, como o Governo tanto gosta...) Cada teatro podia ter objectivos diferentes, um podia ser experimental, outro podia ser escola ou grupo independente, ou... companhia residente, ou... podiam fazer teatro para a televisão, por exemplo... chegaram a fazer isso no Variedades, salvo erro.

Era maravilhosos. Mas são sonhos meus, já perceberam... se me leram até aqui.

Tenho saudades de ir assistir ao mesmo espectáculo de teatro duas vezes seguidas na mesma noite :)

27.3.09

Depois das escamas... veio a bola de sabão e a Sereia* acalmou

Ontem o meu coração rachou um pedaço, sofreu uma lesão, levou um abanão, foi apertado com muita força. Mas não partiu, ficou só magoado. Foi um embate forte, foi difícil nas horas seguintes e, ainda hoje, não posso dizer que estou bem, mas estou melhor. Dormi sobre o assunto, sobre o embate, sobre o apertão, o choque.

Há pessoas que deviam morder a língua e partir um pedaço antes de falar qualquer palavra que pudesse humilhar um inocente.

Há pessoas neste mundo que vieram tratar de fazer com que tudo desse errado na vida de outras pessoas. Isso deixa-me revoltada, principalmente se me apercebo dessas situações. Nem sei se é só revolta. É... raiva mesmo. Fico alterada física e psicológicamente. Viro-me do avesso e, a certa altura, vê-se o pâncreas, o fígado, o baço, o estômago. Mudo de cor e fico verde, fico roxa, pálida, branca.

E... expludo!
Rebento literalmente!
No momento a seguir há escamas por todo o lado.


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Hoje comecei por ver uma beleza rara no blog de uma Amiga Azul.
Por muito estranho que possa parecer minha querida amiga Maria Clarinda, foi a sua fotografia da bola de sabão que me acalmou, que devolveu serenidade e me permitiu escrever este texto depois.
Sou uma Sereia* e tenho estas coisas estranhas, transformações indesejadas em momentos difíceis. Hoje, depois de ver a sua fotografia e depois de a comentar, quis deixar escrito o bem que me fez, assim... sem querer e sem saber.

Por isso, a minha Gratidão enorme*

26.3.09

Primavera atrasada...

Não postei nada para celebrar a chegada da Primavera.
Gostava de o ter feito. Mas se há coisa de que gosto de me valer em várias situações na minha vida, é dos provérbio e dos ditados antigos. O de hoje é o seguinte:

Mais vale tarde, que nunca

E, hoje, posto para celebrar a chegada da Primavera :)























25.3.09

Cara nova

Amigas e Amigos,

acho que já decidi...
Depois de várias indecisões e hesitações e opiniões...
Chegou a primavera e eu senti-me preparada para mudar de cara.

;)

gostei deste, de entre todos os milhares de templates que vi nos últimos dias...
Acho que vai ficar assim mesmo.

Obrigada pelo apoio.
E afinal... nem foram 3 pessoas a votar... foram só duas ;)

VALEU GAROTAS!!!
Eu já vos adorava e agora... ainda mais!!!

24.3.09

Ventos de mudança

Os ventos sopraram vindos não sei de onde e... eis que...

Mudei de imagem... é verdade!
Mas não é definitiva.

Gostava de pedir a opinião dos leitores assiduos deste blog.
Por isso, vou deixar esta nova imagem por uma semana e depois vou mudar para a minha segunda opção (embora haja ainda uma terceira, para confirmar a regra do: não há duas sem três!).
Preciso de votos sinceros. Podem ser dirigidos para a caixa de comentários ou para o e-mail (quem o tiver, claro)

Bom... agradeço desde já, e em avanço, aos 3 visitantes na sua totalidade as suas futuras votações ;)

ADORO-VOS!!!

22.3.09

Contrariedades e coisas assim...

Não tenho por hábito fazer grandes planos, mas gosto de sonhar com coisas que gostava que acontecessem. Gosto de pensar que um dia, vão mesmo acontecer. Chamam-se sonhos... mas são... não sei se são sonhos... talvez sim, talvez não.

Tenho uma agenda que utilizo com a frequência de quem anota em papel o que fez no dia anterior e não o que vai fazer no dia seguinte. Tenho, assim, hábitos estranhos que passam pelo modernismo e pelo capitalismo mais rudimentares e mal aproveitados que possam existir. Para mim a agenda é o que as pessoas de negócios e, assim por dizer, atarefadas chamam de 'memo'. É que, na realidade, o que pretendo com uma agenda é que ela memorize aquilo que a minha memória de galinha não consegue e mais aquilo que eu tenho medo que a minha memória de galinha não consiga. Ou seja, o que pretendo de uma agenda é nela escrever qualquer coisa que já aconteceu, mas da qual eu quero guardar um qualquer resquício memorial... efectivo.

Estranho eu sei.
Tanto é que... não faço planos, muito menos a longo prazo. Comigo impera a regra do: nunca acontece como o planeado. Por um lado, já não me transtorna assim tanto. Aprende-se a viver em eterno free flow (e também neste aspecto o Watsu me ajudou a contornar a minha ineficácia programadora da minha vida).

Comigo acontece frequentemente aquela situação que me chateia profundamente e que passa pela seguinte descrição: três (ou mais) situações importantes ou inadiáveis ou dificeis de escolher... assim todas em bloco, no mesmo dia, na mesma hora ou em horas que impossibilitam outras três de acontecerem, de se verificarem, de se concretizarem. E pronto... How can I possible/ever deal with it???

1º - fico danada! É inevitável...
2º - fico ainda mais danada...
3º - adapto tudo, mudo tudo à última hora, nunca sei como vai ser e, finalmente...
4º - tomo uma decisão. Sempre difícil. SEMPRE!

Pufff!!!
Será talvez por isso que quando penso no futuro nunca consigo sorrir de orelha-a-orelha. E quando penso no passado fico com a nostalgia a encher-me as medidas.
Saber que sempre que faço planos, as coisas não correm como o planeado é chato. Vive-se. Sobrevive-se a isso, claro. Saber que por muito que imaginemos determinada situação de determinada forma... nop!
Nem sempre é mau sinal, tenho que admitir. A surpresa pode ser boa ou menos boa... é verdade. E além disso, ganhamos uma bagagem extra para lidarmos com a adversidade.

Agora, não habia nexexidade de ser assim... SEMPRE.
Não sei... digo eu...

17.3.09

"O Mare e Tu"




"O Mare e tu"
Dulce Pontes e Andrea Bocelli


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Dançaram os dois como se fossem onda
Iam e vinham,
ondulavam
rebentavam
e voltavam a formar laços líquidos

voltavam a subir ao céu
a curvar todas as vértebras
e a ondulação terminava
nos cabelos compridos
que pendiam em curva continua
para a areia

Caíam prostrados, finalmente
na areia de qualquer praia com a sua cara
com o seu corpo

Espraiados,
eram recolhidos de novo
e misturados com sal e águas inquietas,
num Mar Sagrado*


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Recebi por e-mail este video há uns dias, mas só hoje o abri...
Não resisto a partilhá-lo porque é de uma beleza que me preenche bastante.
Duvido que a pessoa que mo enviou venha aqui visitar-me...
De qualquer forma, se vieres e vires isto, queria só dizer: OBRIGADA!

Céu

Quanto mais escuro, mais brilham as estrelas*

Romeo & Juliet




We are not Romeo, not Juliet
Just two lost souls

We are not Romeo, not Juliet
just you and I

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Hoje, algumas palavras do Bryan que ontem ouvi e recordei e que há já alguns dias que não me saiem da cabeça. Não faz mal, gosto delas assim*

15.3.09

Más notícias e outras...

Esta semana tem sido dura. Plena de más notícias, plena de situações difíceis.
São provas atrás de provas que tive que dar diariamente e só agora, a esta distância, consigo olhar para a semana que passou com esta clareza. Hoje sinto que fui posta à prova várias vezes seguidas, em várias situações diferentes.
E se me olho com a distância que consigo de mim mesma, sempre curta, sempre tortuosa, acho que as minhas respostas, não sei se ideais nem sei se era esse o objectivo do Universo quando me colocou neste caminho, foram... pelo menos... suaves, calmas. O que sinto de mim mesma foi que evitei o stress, objectivamente evitei-o. Conscientemente tentei contorná-lo. Nalgumas situações acho mesmo que consegui.

Se me perguntam "como estás?", eu vou responder "bem", porque, de facto, não estou mal. Mas a verdade é que sinto as energias em movimento, sinto altos e baixos, sinto que estão a exigir ou a pedir (depende das situações) qualquer coisa de mim a todo o instante. É a vida, eu sei. Somos todos assim, eu sei. E há alturas em que eu nem me apercebo disso, há alturas em que eu não dou tanta importância a esse facto incontornável das nossas vidas.

Nomeadamente tem-me custado bastante ouvir diariamente más notícias. Más notícias mesmo em relação a pessoas que eu nem conheço e que nunca vou conhecer. Más notícias em relação a pessoas que eu conheço, situações da vida dessas pessoas, circunstâncias que se alteraram nesta última semana.

Ando sensível às más notícias. É isso.
Custa-me ver os telejornais, custa-me ouvir ambulâncias a tocar, custa-me ouvir qualquer coisa que implique um acidente seja ele qual for.
Não tenho explicação para isto. Todos ouvimos essas 'estórias' diariamente. Só que a mim incomoda-me, deixa-me... não sei como, não encontro a palavra certa, não sei nomear o que sinto.

12.3.09

A noite estava parecida com a de hoje

Dançaste durante horas, descalço, num emaranhar de movimentos onde braços, mãos, pernas, pés e, por fim, todo o corpo se moviam, se contorciam, se tocavam.
O corpo todo pedia movimento, fluidez, beleza. E tu deste o ar que precisavas aos teus poros, à tua pele. Eu assistia calada e queda. Acho mesmo que, a certa altura, me senti cansada de estar ali a ver-te dançar. Não esperei que terminasses. Antes desse fim, antes desse teu prazer de dançar, levantei-me do chão. No parapeito da janela, pendurei os meus braços pela altura dos ombros e fiquei ali a olhar o céu. A noite era, como a de hoje, uma noite de verão. Quente, escura e limpa. E no céu eu pude ver, com toda a calma do momento, todas as estrelas que os meus olhos conseguiram. Uma a uma, brilhavam de uma maneira tão bonita e tão particular que me prenderam no momento. Fiquei presa, sim. Ao céu, à noite, à escuridão iluminada por milhares de pontos luzindo, cintilando, dando conta da sua presença, do seu pulsar universal. Porque são Universo, as estrelas. Porque eu fui Universo com elas, nessa noite. Não duvido. E tu vieste, sem eu me aperceber que tinhas acabado de dançar, e com os teus braços quentes dos movimentos, abraçaste-me e ficaste junto a mim a ver o céu. Murmuraste algumas palavras no meu ouvido, sorriste para mim e juntaste os teus olhos aos meus. Em toda a sua amplitude e toda a sua profundidade. Nesse momento eu acreditei que tudo era possível.

Desde essa altura, nunca mais te vi a não ser nas fotografias que trago no coração desses momentos de rara beleza na minha vida. Hoje lembrei-me de ti e tu estás longe. Longe da vista e longe do coração. Nem imaginas que te recordo e que te escrevo. E eu sei que só vieste ao meu encontro em determinada altura da minha vida com esse propósito que o Universo me ofereceu: o de acreditar. Desde essa altura que acredito, só quando me lembro de ti*

Hoje, apeteceu-me o Mar de Sophia :)

Quando eu morrer
voltarei para buscar os instantes
que não vivi junto do mar.

Como ondas do mar dançam em mim os pés do teu regresso.

Há muito que deixei aquela praia
De grandes areais e grandes vagas
Mas sou eu quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vasa.

No mar passa de onda em onda repetido
O meu nome fantástico e secreto
Que só os anjos do vento reconhecem
Quando os encontro e perco de repente

O mar azul e branco e as luzidias
Pedras – O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida.

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flores marinhas
E o teu silêncio intacto em quem dorme
O milagre das coisas que eram minhas.

Não há fantasmas nem almas,
E o mar imenso, solitário e antigo,
Parece bater palmas.

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Reino de medusas e água lisa
Reino de silêncio luz e pedra
Habitação das formas espantosas
Coluna de sal e círculo de luz
Medida da Balança misteriosa

Vem do mar azul o marinheiro
Vem tranquilo ritmado inteiro
Perfeito como um deus,
Alheio às ruas.

O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo, a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem com as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto



Sophia de Mello Breyner Andresen

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É inspirador este poema de Sophia.
Hoje regressei a ele, como tantas outras vezes regresso aos poemas de que gosto.

mergulho

vou mergulhar noutros mares
mais profundos e mais escuros

vou mergulhar num sonho qualquer,
do qual, amanhã, não saberei dar conta*

Silêncios...

Em 1917, Franz Kafka escreveu o seguinte no conto O silêncio das sereias:

As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio.

Não sabia que o Kafka tinha escrito sobre Sereias*...
Fiquei a saber :)

11.3.09

Há dias assim...perfeitos

em que nos perdemos para nos encontrarmos

em que bebemos para não secarmos

em que o vento sopra para não ficarmos






em que sangue que nos corre nas veias não é vermelho






em que o mar não parece ter a mesma cor e, no entanto, é tão lindo





em que o caminho parece não acabar





e os búzios vêm ter connosco e juntam-se às conchinhas que somos





estes dias, deixam marcas





e, no final do dia,
somos concha, de coração cheio