27.8.09

Fim-de-Semana: Vou ali e volto já II






Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...


Paciência
Composição: Lenine e Dudu Falcão



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Estive quase a postar a versão original... Mas gosto taaaaannnnto desta!

A vida não pára...
Rumo ao norte, em direcção ao Watsu :)
Mas não sem antes deixar um mimo colorido de sons

Bom fim-de-semana a todos os mergulhadores*

24.8.09




o amor é uma noite a que se chega só



José Tolentino Mendonça
A Noite Abre Meus Olhos

23.8.09

hoje, montanha




...


...não sei porquê, mas acho que pode estar relacionado com a montanha.
Gosto da montanha.
Ela vive, respira, transpira e sempre, sempre está lá para podermos subir ou descer por ela.

Qualquer dos caminhos que façamos é bonito, porque é o caminho que 'nós' escolhemos fazer.
Mesmo o caminho mais dificil é bonito, porque a montanha nos dá prendas na subida, com belas paisagens, com belas palavras, belas vistas, com aquilo a que os nossos olhos passam a chegar, assim ao longe, assim de cima.

Não um 'cima' de supermacia ou de superioridade, mas antes um 'cima' de boca aberta e de olhos abertos para o maravilhoso da distância e da horizontalidade e verticalidade que aumentam... nessa subida, nessa montanha e noutra montanha.

E na descida a montanha mostra-se diferente.
Mostra, quem sabe, a saudade da subida, a saudade da beleza que dela se avista,
a saudade dessa lua, dessas setas prateadas, das estrelas que nos sintilam.

18.8.09



...devo procurá-lo no exterior.
E eu sei disso.
Mas há dias em nossas vidas em que buscamos desesperadamente qualquer coisa cá dentro, quando é o Sol e o Mar, o momento seguinte que ainda não sabemos, que nos podem iluminar.

17.8.09

Onda e mar, mente e corpo.
São tudo o que sinto. São tudo o que sou.

Só falta a palavra vibração.
Que eu acho que a vibração do mar é diferente da da terra. Não é maior nem menor, não é mais nem menos, mas acho diferente.

Talvez por ser Sereia* e ter a mania de viver metade na Água, metada na Terra.
Será?
Não posso negar, nem esquecer.
Não quero mesmo que algum dia passe sem que eu me lembre que sou Sereia*

O Mar e a Terra são, portanto, inegavelmente e inequivocamente, meus pais.
Meus Pais! Meus Pais!
Meus queridos e amorosos cumplices da minha existência.
Que mais posso eu querer se tenho água e sal... e tenho terra e verde?
Os Meus Pais foram iluminados quando decidiram gerar-me desta forma.
E sim, foi uma decisão, não foi o acaso. Eu sei*



Esta noite danço contigo no 'meu' (A)Mar*

Vou evitar ondas altas e vagas fortes, vou ficar na praia que tiver a rebentação mais suave e a espuma mais branca.

E vou cantar baixinho e dançar debaixo do mar salgado*

6.8.09

Reconciliação




Há-de uma grande estrela cair no meu colo...
A noite será de vigília,

E rezaremos em línguas
Entalhadas como harpas.

Será noite de reconciliação -
Há tanto Deus a derramar-se em nós.

Crianças são os nossos corações,
anseiam pela paz, doces-cansados.

E os nosso lábios desejam beijar-se -
Por que hesitas?





Não faz meu coração fronteira com o teu?
O teu sangue não pára de dar cor às minhas faces.

Será noite de reconciliação,
Se nos dermos, a morte não virá.

Há-de cair uma grande estrela no meu colo.


Else Lasker-Schüler
Baladas Hebraicas
(tradução de João Barrento)

3.8.09

Just Like a Star

***



***




E podes sempre cubrir-me de musgo e de heras.
O musgo é o abrigo das rochas, das pedras que nas serra habitam. cobre-lhes as costas nos dias e nas noites em que a humidade das lágrimas do Universo se faz sentir na Terra.
As heras, são corações verdes. Às vezes, perdidas sobem os muros à procura dos seus peitos. Outras vezes, crescem em grupos de corações selvagens e quem os encontrar pode ter, para sempre, em sua vida um coração.

Como poderás tu magoar-me, se me cobrires de musgo e de heras?

Vou fazer o que me dizes.
Vou seguir o voo das gaivotas.
Sim, elas sabem.
Ouço muitas vezes elas conversarem numa língua que não consigo decifrar e que não me atrevo a aprender, só para poder continuar a ouvi-las, só para poder continuar a sonhar à beira-mar*
E, nesse mar, ver-vos-ei passar a todos e a todos vou acenar...
Acaso haja quem, por momentos impermanentes, à janela redonda desse navio espreite, à procura de um canto, voz de Sereia* disfarçada de voz de onda, com agudos e sustenidos e bemóis da cor que o céu tiver nesse dia, em pleno alto mar de maresia
Um dia vou acordar e perceber que os Deuses me deram sempre tudo a dobrar,
eu é que nunca perbeci*