30.9.09

Até ao Fim do Fim



Ainda o Amor*
Ainda a música, as palavras cantadas, o som de um amor acompanhado por guitarra*

23.9.09

(em contraste de luz)

rodopiava sobre si mesmo, como se suspenso por um eixo invisível.
tinha a forma de um coração.

21.9.09

Sem saber, havia um sorteio. A mim, saiu-me a sorte assim: vinda de uma janela.
Pensei: "Não é assim sempre? Não é verdade que a sorte está sempre numa janela?"
Eu sempre tive uma janela favorita e nunca lhe limitei o significado apenas à sorte.
Porque por ela entra o Sol, a Luz, a Claridade.
E, por ela, vejo mais longe, mais azul e mais verde.




E vejo a torre.
Um dia vou conseguir lá chegar. Vou subir ao alto da torre de névoa e tocar nas nuvens e nas estrelas. Tenho tanta vontade de saber a textura das núvens e das estrelas! Gostava mesmo de pegá-las com as minhas mãos e ficar ali a olhar de perto, a sentir de perto.




Um dia, os arcos dos vãos das escadarias vão deixar entrar o sol e mostrar-me-ão esse caminho arredondado que os meus passos vão escolher para fazer a vontade do meu coração




Nesse dia, mais do que ser pedra, a pedra vai ser visão.
Nesse dia, as rochas talhadas pelas mais belas rebentações vão estar à beira-mar.
E esta pedra esculpida, vai mostrar o olho do Universo a espreitar por entre o mármore azul do céu




E os caminhos vão multiplicar-se como raizes. Como braços abertos, abraçados a outros braços. Não serão as ondas do Mar* a embalar-me o sonho. Serão os raios de Sol a aquecer-me as escamas, a pele, os olhos salgados

13.9.09

A Boca



Porque é a boca que dispensa a graça de deixar
escritas palavras inauditas
e o dom de receber as mais surdas.


Fiama Hasse Pais Brandão
Obra Breve

8.9.09

ONDA





WAVE - VOU TE CONTAR

Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho...

O resto é mar
É tudo que não sei contar

São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho à brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho...

Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade...

Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar

O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver...

Vou te contar...

Composição: Tom Jobim


***

Há ondas que se formam na nossa frente, assim...
Assistimos a um movimento lindo e perfeito em que a água salgada se junta e ascende em altura; e se curva debaixo do céu, para cair do alto da crista da onda, até se desfazer em espuma branca que a corrente pode até levar aos nossos pés.
É nesse momento que a água nos toca.

"E o resto é Mar,
É tudo o que eu não sei contar"


Dedico estes sons de (A)MAR* ao (A)Mar da minha vida,
seja ele qual e quem for,
que venha sempre em ondas

4.9.09

A Violeta




digamos: uma flor
um débil mundo de pétalas
aberto

digamos: uma cor
mais roxa de nossas dores escolhida

digamos: um ribeiro
um local habitável para a flor
a inventar

digamos: um perfume
impresso
na flor à beira-água

digamos: a memória
diluída
no perfume da flor

por fim
digamos: uma violeta
eis a flor





A.M. Pires Cabral
Antes que o Rio Seque

***

Li este poema e achei lindo!
Juntei-lhe duas fotos de Sereia* para ilustrar e...
Eis um dos meus posts favoritos :)