29.12.09

time and time again




It's times like these you learn to live again
It's times like these you give and give again
It's times like these you learn to love again
It's times like these time... time again




Times Like These
Foo Fighters






And don't forget to breathe slow*

15.12.09

Natal de Sereia*

Fragile




Shape of my heart



Este Sting é fabuloso, não é?
Esta é a minha árvore de Natal deste ano.
Tem uma forma diferente da habitual. Não é feita de madeira, nem de plástico. Não tem um presépio ao pé, nem tem luzinhas a piscar. Em vez de bolas coloridas e fitas brilhantes, tem pendurados acordes de magia.
Tem sons! Tem cores, também. Cada nota musical traz uma cor diferente. E é quando fechamos os olhos que as vemos melhor com o coração. As cores entram pelo ouvido e chegam à boca em forma de sorriso.
Para mim, é muito! Acreditem! Muito mais do que qualquer Jingle Bells.

Então... posso dizer o meu desejo para este natal? Posso?

Que neste natal se fechem os olhos.
Que se preste mais atenção ao que se ouve, do que ao que se vê.
Que os sons sejam mais bonitos.
Que as frases sejam tocadas por uma filarmónica inteira. Com agudos e graves, com harmónicos, solistas e acompanhamento.
Que cada um possa ser o maestro de cada música que tocarmos aos ouvidos dos que mais amamos.

Neste natal, desejo que todos procurem ver cada vez menos e ouvir cada vez mais.
Que as notas se juntem umas às outras nos nossos corações,
neles se pendurem e enfeitem os sentimentos.
E escutem. Escutem os vossos sons e os sons dos outros que vos tocam.
Cada som tem uma cor, cada cor tem uma vibração e cada vibração tem um efeito imediato em nossas vidas.

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Não sou fã do Natal, é verdade. No Mar, o Natal tem pouca importância. Não se comemora da mesma forma. Ainda não enfeitei a árvore, nem fiz o presépio, nem embrulhei as prendas. Nada! Ainda não enviei postais, nem e-mails, nem sms de natal.
E agora? Fecho os olhos e ouço Sting... há lá coisa melhor?!?!

10.12.09

momentos

a altas ondas e largas espumas
de espelhos, mais ou menos finos, de mar
em cada momento escolhido pelo dedo fino do destino
e o som era da maresia, não eram violinos, nem pianos
a voz, essa, nem se ouvia, nem vibrava
o escuro era breu, as cores eram as estrelas que diziam
nem muitas nem poucas, eram só as cores necessárias

no peito, junto ao coração, batia um tambor
com tal força que os olhos se fecharam
às vezes não me apetece atravessar o rio. às vezes a ponte não me parece o caminho a seguir. e às vezes o rio é tudo o que quero ver seguir.

fico assim, parada, quieta, a ver o rio passar. escolho a margem deste lado, excluo a outra margem das hipóteses possíveis e sento-me na beira a ouvir o rio correr na minha frente.

às vezes as pontes são a única saída. nem que seja para percebermos que a saída é exactamente não sair do mesmo lugar. nessas alturas, é o rio que passa e nós concluimos que o melhor é ficar.

6.12.09

My Special Wish List

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Que o dia amanheça e escureça,
que a casa tenha porta e janela,
que a luz desça e mostre a cor,
que o escuro não seja nunca o único lugar,
que cada lugar seja de alguém, um dia,
que sempre haja uma espécie de líquido que nos envolva por fora e por dentro,
que o chão que piso seja o tal apoio para as quedas e para os caminhos,
e que os caminhos sejam sempre muitos, mas um só, ao mesmo tempo.


Que de palavras se encham as folhas de papel, livros, blocos, blogues,
que hoje tenha sempre um ontem e um amanhã,
que o amanhã faça o anteontem ter parecido um dia e seja mais do que isso,
que estrelas brilhem no céu, nas ribaltas, nos olhos,
que pulsações sejam sentidas a galope dentro dos peitos deste mundo,
que os sorrisos vindos de dentro se vejam cá fora,
e que o que julgo que sejam sentimentos falem sempre mais alto e, ás vezes, gritem.


Que haja sempre luz daquela que ilumina e nos deixa ver mais claramente,
que os povos habitem os espaços em harmonia,
que o sol permita os regressos e as partidas, mas nunca para sempre,
que possamos ouvir mais sons e emitir menos ruidos,
que gostemos de outros ao mesmo tempo que não gostamos disto ou daquilo,
e que tenhamos tempo para podermos partilhar qualquer coisa com cor, com sabor, com cheiro, aparência, melodia, qualquer coisa que se sinta.


Que espíritos se soltem, dançem e sonhem,
que alguém em conjunto com alguém possa construir,
que toda a construção humana e espíritual, material e imaterial, dê frutos,
que todos sejamos crianças contentes em dias de sol,
que sempre rebentem ondas salgadas aos nossos pés,
que as tempestades por que passamos sejam breves e passageiras,
que as bonanças sejam só as calmarias da alma e do coração,
e que alma e coração possam juntos ser sempre o mais importante das nossas vidas.


Que tenhamos imagens de sobra para ver e lembrar, para mostrar e para fazer de novo,
que um seja sempre equivalente a outro, ou a dois,
que o conjunto e as partes sejam o pé que sustenta o corpo, a mão que abre, o braço que estende,
que o corpo seja um nenúfar e se suspenda na água,
que cada ponto do universo tenha um ponto correspondente,
que objectos especiais tenham lugares especiais ou corações especiais onde habitem,
que cada um tenha uma janela favorita para olhar, para espreitar, para abrir e fechar,
que os olhos vejam sempre mais além, mais por cima das núvens, mais depois dos montes,
e que nem sempre tudo seja o que os olhos vêem, mas antes o que a alma sente.

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Escrito em Fevereiro do ano passado e publicado aqui no Mar.
É repetido, eu sei. Não tem piada repetir, eu sei.
Deixo-o de novo, porque gosto muito deste texto e porque, desta vez, será o meu pedido de Natal. Um pedido muito pessoal, mas que é extensível a todos os que aqui mergulham.

E talvez volte ao tema Natal ainda antes do dia chegar...

4.12.09

Não sei se é a última vez que te escrevo. Neste momento parece-me que sim mas, na verdade, não sei. E escrevo só para te dizer que não tenho mais palavras. Não tenho mais letras guardadas, gastei todas a escrever-te um Tratado que ainda não leste.
Não tenho mais palavras e não tenho mais silêncios para ti. Também gastei os silêncios enquanto esperava por uma palavra tua.
Não sei se é a última vez que te escrevo. Neste momento parece-me que sim.