31.12.10

... Alfa & Ómega...

Há ciclos que se repetem e nós sabemos e contamos com esse consecutivo fim e seguinte recomeço em nossas vidas.
Às vezes, sabemos o que nos espera a seguir, outras vezes terminamos um ciclo e recomeçamos de novo com o coração cheio de esperanças ou rendidos à insatisfação.
Os ciclos, na minha vida, tendem a não respeitar o calendário. Não costumam seguir os dias, nem os meses, sempre certos. Começam e terminam sem que o calendário identifique o momento certo para tal alteração.
Ainda assim, deixo uma nota de fim de ano ou de ano novo... para todos aqueles que, de alguma forma e à semelhança dos "meus" ciclos, se vão juntando a mim, em determinada altura, e que se têm mantido, com maior ou menor grau de proximidade, sem determinar o fim desse ciclo ;)

Coração de Luz

Que cada um de nós mostre o coração transparente e deixe ver uma Luz maior e mais brilhante.
Que o nosso coração se encha de transparência e translucidez e deixe ver para além de nós mesmos.
E que essa luz nos deixe ver os nosso contornos a borbulhar.

Coração que derrete

Se, a dada altura, o nosso coração ficar mais sólido e tivermos dificuldade em derretê-lo. Há que aproximá-lo da àgua.
De sólidos, passaremos a ser líquidos. E, sendo líquidos, poderemos a ser um só, porque as particulas da água têm a facilidade maravilhosa e única de se juntarem sempre que se aproximam. Assim, nunca estaremos sós.

Coração de Pedra

Se alguma vez, como muitas vezes me acontece, o vosso coração ficar mais pesado e mais parecido com uma pedra... Não o deixem ficar longe ou fora do corpo. Com toda a força que tenham no momento, tratem de trazê-lo sempre convosco! Arrastem-no se fôr preciso, mas não o deixem ficar longe.
"Há dias em que sou rocha. Feita de um material do mundo que me escapa ao entendimento. A dureza não me deixa satisfeita, a resistência também não. Mas, são esses sais e esses mineirais que me compõem, que me dão o equilibrio de que preciso para que não se dê o colpaso." (escrito algures aqui no blog)

A Nossa Mão

A energia de que precisamos está mesmo dentro de nós. Há momentos em que somos levados a pensar que não.
Desejo que no novo ano todos saibamos que das nossas mãos podemos criar tudo o que precisamos em cada momento.
Ponham a vossa mão cheia de energia em tudo o que façam. Delas vão sair as cores e as formas que vão dar côr e forma à nossa vida.

Natureza Mãe

Mesmo assim... todos sabemos que, muitas vezes, as coisas não correm como gostaríamos.
É nessas alturas que a Mãe Natureza, com todo o seu Amor Universal e Incondicional, vai ajudar, dar sustento e amparo.
A Terra debaixo dos pés para podermos sempre caminhar com um passo à frente do outro; o Sol a aquecer o coração e a iluminar o nosso caminho; as estações do ano que nos trazem sempre cores novas, novos sabores e novas emoções...


FELIZ 2011 para TODOS*

30.11.10

Eu

… palavra,
por formar, ainda.
Antes… palavra formada pela suave junção de letras de um alfabeto particular.
Agora, palavra.
Que não se pronuncia,
não se ouve,
não se lê.
Os espaços reservados para as letras, em branco.
O alfabeto desconhecido da totalidade.
Quietude.

Tu

…imagem,
antes… forma, côr e som.
Agora, imagem.
Sem 24 frames por segundo, sem sequência, seguimento,
sem ‘estória’ ou moral da história.
Apenas imagem.
Fixa.
Única.
Estanque (encerrada em si mesma).
Um clique.

15.10.10

"Ser simples é difícil, porque custa tudo o que você tem.
É preciso perder tudo para ser simples."


10. Harmonia
Osho Dang Dang Doko Dang Chapter 3

24.9.10

Havia um coração nas águas transparentes...




[ do you hear me calling you ]





[ the voice of a mother
and a father
and a child ]






[ take just a minute
come and rest you by my side ]






[ There's a hunderd thousand angels by your side ]


* Palavras retiradas desta música:
http://www.youtube.com/watch?v=qYFjGqBvGuE

23.9.10



there are some lights in our lives
that mean much more
than a light in each moment

look at the mirror



you don't know who you are,
you just have to know that mirror look






gosto do verão quando chega
e quando parte e,
para mim,
a partida do verão
e a chegada do Outouno
são duas coisas
muito diferentes...

1.8.10

esgotada para férias

Entrei oficialmente de férias há algumas horas atrás, mas a verdade é que ainda não me sinto de férias. Há um especie de "jet leg" que me faz discincronizar o momento da vida do meu momento.
Não sei por que motivo se me dão estas diferenças temporais. Os ciclos, em mim e na minha vida, podem não ter os dias do calendário e isso acontece-me com alguma frequência. Por vezes, isso preocupa-me, porque o mundo não espera por mim. Mas outras vezes, não me incomoda assim tanto andar ao meu ritmo de contra-tempo.
São fases, são manias, é impressão minha, é o meu mau feitio, sou eu que não vejo bem as coisas... chamem-lhe o que quiserem.
Parece que temos sempre tendência para fazer balanços... e chegadas as férias, o balanço parece vir coladinho! Não me apetece fazer balanços, não me apetece medir as coisas, os momentos, pesar as decisões, reflectir sobre esse passado recente e mais distante. Estou cansada. Na verdade, estou mais do que isso, estou esgotada!
Esgotada no sentido de não ter vaga, de estar totalmente ocupada e cheia de tudo o que se passou nestes meses, as coisas boas e as menos boas. Vou precisar de alguns dias para vazar, vagar, esvaziar isto tudo e conseguir arranjar espaço livre para o futuro que aí vem.
E eis que regresso ao tema: férias.
Neste caso, no momento certo em que mais preciso delas*

30.7.10




Existimos em relação com todos os pontos do universo, tal como com o futuro e o passado. É só da direcção e da duração da nossa atenção observadora que depende a questão de sabermos que relação preferimos cultivar, que relação será para nós a mais importante e a mais activa.

NOVALIS
Fragmentus
(tradução de Mário Cesariny)

23.7.10

deixa o amor chegar.
aos pouco, ele vai ficando mais próximo.
se hoje espreitares o pôr do sol,
vai parecer-te longe o horizonte,
mas as ondas do mar* vão traze-lo nesse espelho brilhante
(como se numa bandeja).
primeiro vais ouvi-lo.
depois vais cheirá-lo,
ainda sem que os teus olhos o vejam.
deixa o amor chegar mais perto.
de manhã, deixa-lhe a porta aberta.
e todas as janelas, para que possa escolher por onde quer entrar
na tua vida,
no teu coração de janelas em par

lido hoje

TANTO SILÊNCIO

Para cá de mim e para lá de mim, antes e depois
E entre mim eu, isto é, palavras,
formas indecisas
procurando um eixo que
lhe dê peso, um sentido capaz de conter
a sua inocência
uma voz (uma palavra) a que se prender
antes de se despedaçarem
contra tanto silêncio.
São elas, as tuas palavras, quem diz «eu»;
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti.
Tu és aquilo que as tuas palavras ouvem,
ouves o teu coração (as tuas palavras «o teu coração»?

Manuel António Pina (1943)
Os Livros

21.7.10

a palavra proibida

há palavras que me custam a sair. umas mais do que outras pelo seu significado, outras pela sua razão de serem ditas, outras porque não as conheço, outras ainda porque não consigo dizer.
mas há uma, está mais do visto pelo título do post, que é proibida. a razão pela qual eu faço das tripas coração para que ela seja silenciada é exactamente porque me custa dizê-la. e é toda uma aprendizagem... primeiro porque vivo uma vida sem a pronunciar, depois porque me apercebo nesta idade da sua importância na minha vida e na falta que me faz dizê-la a cada dia que passa.
e é uma outra aprendizagem... aprender a dizer: NÃO!
vou ter que aprender a dizer NÃO uma vez e outra e outra, muitas, muitas, muitas vezes seguidas. E, neste momento, apetece-me dizer NÃO a quase tudo na vida. Era mesmo o que eu devia fazer para aprender, numa espécie de overdose de NÃOs.

dizer tantas vezes NÃO até eu conseguir valorizar um único SIM meu.
é nisto que o meu coração pensa hoje com todo o carinho que nele cabe.

14.7.10

because change happenzzzzz 2

as mudanças na minha vida sucedem-se. Mais uma vez, ao fim de tomar decisões dificeis, de fazer escolhas indesejadas. Desta vez, escolhi com a razão. E sei, porque sinto, que o coração ficou triste e magoado porque não lhe dei ouvidos.
Mas há uma razão para eu ter feito a escolha assim... e o meu coração sabe qual é.

Como é que podemos tomar decisões de vida ouvindo o nosso coração,
se nesse mesmo instante ele está partido em pedaços por outros motivos?
como?
não consegui!

há escamas que já não tenho na pele

mergulho após mergulho,
sinto-me cada vez menos Sereia*

E se os meus olhos não podem deixar de ver o Mar* a cada dia
e se o Sal é já a minha pele
e se a areia, as ondas, as rochas são já a minha casa

sinto-me menos água, agora
mas sinto-me mais funda.

*

Eu... que sempre disse que queria ser líquida.
E sou. Sou líquida, não sou sólida.

12.7.10

cara nova

de regresso... com cara renovada
desta vez, o sonho chegou a cores ao meu peito. ainda pus a minha mão no peito para sentir cromoterapia e o coração batia, vibrava para todo o corpo como que a dizer-lhe (me) que este sonho era para ser seguido, era para não perder de vista. logo eu, que nunca me lembro dos sonhos que tenho a cada noite... mas desta vez, só desta vez o sonho era a cores! na verdade sonhei acordada com cada detalhe, com cada pormenor. e, desta vez, senti que não podia desistir, senti que este sonho não era para esquecer ou para guardar apenas como sonho.
há sonhos assim...

17.5.10

There is no place like home

There is a place I know
where the sun may shine
or may not
and somehow
when the right time comes,
the petals of flowers are ready to leave them,
the wind begins to flow,

there is a moment when the breeze meets the petals
and suddenly,

white hearts begin to loosen up
and fall in love spirals

15.3.10

Da transparência ou translucidez

Hoje quero ser transparente. Ser invisível, imperceptível, inalcançável com o olhar. À vista desarmada ou com uma arma apontada. A descoberto de tudo e de nada. Sem sombra que me denuncie na claridade e sem luz que me mostre as cores que trago no peito. Quero passar despercebida do mundo, sem que o mundo me perceba aqui.
E quero estar aqui. Quietude e silêncio por dentro e por fora, no fundo e em redor.

E, no entanto, não me canso de ouvir esta canção. Este som não me sai da cabeça. Faço uma tradução livre de qualquer conhecimento linguístico que me possa dizer que palavras são estas e/ou que sentido possam ter. Traduzo cada expressão de acordo com aquilo que quero ouvir o cantor dizer, em cada momento.
Descubro, mais tarde, que essas palavras que ouço não querem dizer nada daquilo que penso. E continuo a ouvir a mesma música. E continuo a traduzir cada expressão do modo que me apetece.
Se a música fosse como eu penso que a ouço, seria qualquer coisa relacionada com esta minha vontade de ser e estar transparente.

Se nada nem ninguém me vir, posso ser ou não ser. Não importa se sou ou se não sou. Não importa como sou. Ainda que existindo, a transparência de mim faz com que a minha pele não seja o limite do meu corpo e, consequentemente, faz com que a minha pele não me limite o ser.
Porque, em constante mutação, ou movimento, ou quietude, ou permanência… quase nunca serei a mesma coisa, ou pessoa, ou ser, ou estar. Às vezes da terra, às vezes do ar. E as raízes que tenho vão sendo fortes e fundas, ao mesmo tempo que voo.

10.3.10

Balançar

porque há coisas lindas de se ouvir...






pedes-me um tempo
pra balanço de vida
mas eu sou de letras não me sei dividir
para mim um balanço é mesmo balançar
balançar até dar balanço
e sair

pedes-me um sonho
pra fazer de chão
mas eu desses não tenho
só dos de voar

e agarras a minha mao com a tua mao
e prendes-me a dizer que me estas a salvar

de quê?
de viver o perigo
de quê?
de rasgar o peito
com o quê?
de morrer mais de que paixão

de quê?
se o que mata mais
é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir o vento ardente
a soprar no coração


pedes o mundo
dentro das maos fechadas
e o que cabe é pouco
mas é tudo o que tens
esqueces que, às vezes,
quando falha o chão
o salto é sem rede
e tens de abrir as mãos

pedes-me um sonho
pra juntar os pedaços
mas nem tudo o que parte se volta a colar
e agarras a minha mão com a tua mão
e prendes-me e dizes-me para te salvar

de quê?
de viver o perigo
de quê?
de rasgar o peito
com o quê?
de morrer mais de que paixão

de quê?
se o que mata mais
é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir o vento ardente
a soprar no coração


Balançar
intrepertada por Mafalda Veiga e Tiago Bettencourt

8.3.10

Chove outra vez!!!
Eu sei que passo a vida a dizer que só quero água na minha vida... mas talvez devesse ter uma conversa mais esclarecedora com o São Pedro... é que, quando digo isto, estou a falar de trabalho... ummpff!

16.2.10

pois se até as cores do Universo
se misturam para criar cores novas...

e o arco-íris se mostra colorido
quando o sol passa pelas gotas

como não querer ser e ter cor?

11.2.10

(tradução livre, depois de ter ouvido uma música...)


...
podia sentar-me aqui
e escrever uma carta de amor.
depois,
podia lê-la
como se tivesses sido tu a escrevê-la

10.2.10

Como explicar o silêncio cheio de palavras?
Tenho palavras juntas num lugar dentro de mim. Muitas palavras.
Simplesmente não sinto vontade (nem necessidade) de as verbalizar.

Sinto o silêncio que me preenche.
Sinto que é suficiente, por agora.

9.2.10

Hoje sou Tartaruga.
Caminho devagar.
Levo a minha casa comigo.
Aonde quer que esteja, aí será a minha casa.
Por isso, já estou em casa.

26.1.10

A Sereia* faz anunciar...

Faço anunciar aos amigos, conhecidos e outros no geral e no particular...
o seguinte:

Sessões de Watsu Profissional

DATA: últimos domingos de cada mês

LOCAL: Barcarena, perto de Sintra

HORARIO: manhãs

Mais informações em: info.watsu@gmail.com

21.1.10

Breve interlúdio de pintor aprendiz




De que servem todas as cores,
se não soubermos pintar?


**************


com mãos de artista verdadeiro,
escolhemos a dedo a primeira côr a dar ao desenho do dia
começamos a medo, com o traço leve, rasgado
atravessamos a folha do dia a pensar na côr seguinte que lhe vamos dar
na nossa mão o lápis pede para o pousarmos suavemente,
e os olhos já sabem qual é a côr que fica melhor no próximo traço,
este mais carregado, mais certo de onde vai passar, da recta ou da curva
as cores são tantas, que ser pintor não é tarefa fácil
as cores chamam a cada dia
só temos que sentir o impulso de agarrar o lápis
e colorir

muitas vezes, duvidamos da nossa grandiosidade artística na vida
temos medo de borrar o risco, de vacilar na recta, de carregar demasiado na ponta do lápis e partir o bico. Muitas vezes, fazemos mesmo o traço no sítio errado do desenho e já não podemos apagar. Nesses dias pensamos: "já não sei pintar!" e sentimos a falta da inspiração atribuida a todos os génios do mundo que pintam telas.

e é aí que a vida nos obriga a pintar de novo,
porque um novo dia chegou a pedir mais cores*



E se um dia eu pintar o verde que trago no peito
em cima da ferrugem do tempo?
com essa expressão no rosto, andaría por muitos lugares do mundo
e procurava aquele lugar onde, num vislumbre, te encontrasse de novo
em memória, encontraría os caminhos por onde passaste sem eu saber,
em memória, saberia de cor por onde passou a tua alma
de olhos abertos via-te passar nesses lugares onde estiveste sem mim

mas não
não vou andar pelo mundo,
nem passar por esses caminhos teus, como se fossem meus
parece que sei de memória, mas não sei.
A única coisa que tenho comigo, na minha pele, é a tua.
E algo me diz que não voltarei a encontrá-la...
essa expressão no rosto*

18.1.10

"How does it feel being in these arms?"*


- disse a Corinne Bailey Rae numa música perfeita...



(foi a primeira vez que a ouvi e fiquei fã)

*Watsu no sábado à noite :)

15.1.10

"Pábia"

Não escolhemos a família que temos.
Foste a avó que eu nunca tive e sabias como ninguém como eu gostava do pão com marmelada. Não era manteiga, nem fiambre, nem queijo. Era marmelada. Não era muita, nem pouca. Só tu sabias a quantidade certa para me fazer lanchar sem fazer birras.
Foi no teu pátio dei os primeiros passos e à volta do pilar que sustentava a pequena varanda rodopiei milhares de vezes. Dancei e cantei. Com um nó que davas na ponta de uma corda fazia um microfone com fio e tudo. Teimava que a tua comida era melhor que a da minha mãe e fazia a pobre coitada ir deixar a comida em tua casa antes de me anunciar quer era dia de ir comer a casa da vizinha. Passei tardes e manhãs, dias e dias enfiada em tua casa só porque sim. Só porque gostava de lá estar ao pé de ti. Adorava ver o teu cabelo comprido a ser penteado e ver-te fazer o carrapito. Adorava sentar-me no muro à conversa a ver passar os carros. Não chegaste a comer as bolachinhas que te deixei anteontem. Hoje despedi-me de ti com todo o carinho que uma neta pode ter por uma avó. Se pudesse ter escolhido, tinhas sido tu a minha. Com todo o atrevimento que sempre tive, acho que posso dizer que também eu fui a neta que tu nunca tiveste*

4.1.10

Osho times

1. Abundância
2. O Rebelde
3. Inocência
4. Brincadeira
5. Existência

Este ano, andarei entretida com estas palavras dentro de mim.
Vamos ver como me vou sair...