15.3.10

Da transparência ou translucidez

Hoje quero ser transparente. Ser invisível, imperceptível, inalcançável com o olhar. À vista desarmada ou com uma arma apontada. A descoberto de tudo e de nada. Sem sombra que me denuncie na claridade e sem luz que me mostre as cores que trago no peito. Quero passar despercebida do mundo, sem que o mundo me perceba aqui.
E quero estar aqui. Quietude e silêncio por dentro e por fora, no fundo e em redor.

E, no entanto, não me canso de ouvir esta canção. Este som não me sai da cabeça. Faço uma tradução livre de qualquer conhecimento linguístico que me possa dizer que palavras são estas e/ou que sentido possam ter. Traduzo cada expressão de acordo com aquilo que quero ouvir o cantor dizer, em cada momento.
Descubro, mais tarde, que essas palavras que ouço não querem dizer nada daquilo que penso. E continuo a ouvir a mesma música. E continuo a traduzir cada expressão do modo que me apetece.
Se a música fosse como eu penso que a ouço, seria qualquer coisa relacionada com esta minha vontade de ser e estar transparente.

Se nada nem ninguém me vir, posso ser ou não ser. Não importa se sou ou se não sou. Não importa como sou. Ainda que existindo, a transparência de mim faz com que a minha pele não seja o limite do meu corpo e, consequentemente, faz com que a minha pele não me limite o ser.
Porque, em constante mutação, ou movimento, ou quietude, ou permanência… quase nunca serei a mesma coisa, ou pessoa, ou ser, ou estar. Às vezes da terra, às vezes do ar. E as raízes que tenho vão sendo fortes e fundas, ao mesmo tempo que voo.

10.3.10

Balançar

porque há coisas lindas de se ouvir...






pedes-me um tempo
pra balanço de vida
mas eu sou de letras não me sei dividir
para mim um balanço é mesmo balançar
balançar até dar balanço
e sair

pedes-me um sonho
pra fazer de chão
mas eu desses não tenho
só dos de voar

e agarras a minha mao com a tua mao
e prendes-me a dizer que me estas a salvar

de quê?
de viver o perigo
de quê?
de rasgar o peito
com o quê?
de morrer mais de que paixão

de quê?
se o que mata mais
é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir o vento ardente
a soprar no coração


pedes o mundo
dentro das maos fechadas
e o que cabe é pouco
mas é tudo o que tens
esqueces que, às vezes,
quando falha o chão
o salto é sem rede
e tens de abrir as mãos

pedes-me um sonho
pra juntar os pedaços
mas nem tudo o que parte se volta a colar
e agarras a minha mão com a tua mão
e prendes-me e dizes-me para te salvar

de quê?
de viver o perigo
de quê?
de rasgar o peito
com o quê?
de morrer mais de que paixão

de quê?
se o que mata mais
é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir o vento ardente
a soprar no coração


Balançar
intrepertada por Mafalda Veiga e Tiago Bettencourt

8.3.10

Chove outra vez!!!
Eu sei que passo a vida a dizer que só quero água na minha vida... mas talvez devesse ter uma conversa mais esclarecedora com o São Pedro... é que, quando digo isto, estou a falar de trabalho... ummpff!