30.7.10




Existimos em relação com todos os pontos do universo, tal como com o futuro e o passado. É só da direcção e da duração da nossa atenção observadora que depende a questão de sabermos que relação preferimos cultivar, que relação será para nós a mais importante e a mais activa.

NOVALIS
Fragmentus
(tradução de Mário Cesariny)

23.7.10

deixa o amor chegar.
aos pouco, ele vai ficando mais próximo.
se hoje espreitares o pôr do sol,
vai parecer-te longe o horizonte,
mas as ondas do mar* vão traze-lo nesse espelho brilhante
(como se numa bandeja).
primeiro vais ouvi-lo.
depois vais cheirá-lo,
ainda sem que os teus olhos o vejam.
deixa o amor chegar mais perto.
de manhã, deixa-lhe a porta aberta.
e todas as janelas, para que possa escolher por onde quer entrar
na tua vida,
no teu coração de janelas em par

lido hoje

TANTO SILÊNCIO

Para cá de mim e para lá de mim, antes e depois
E entre mim eu, isto é, palavras,
formas indecisas
procurando um eixo que
lhe dê peso, um sentido capaz de conter
a sua inocência
uma voz (uma palavra) a que se prender
antes de se despedaçarem
contra tanto silêncio.
São elas, as tuas palavras, quem diz «eu»;
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti.
Tu és aquilo que as tuas palavras ouvem,
ouves o teu coração (as tuas palavras «o teu coração»?

Manuel António Pina (1943)
Os Livros

21.7.10

a palavra proibida

há palavras que me custam a sair. umas mais do que outras pelo seu significado, outras pela sua razão de serem ditas, outras porque não as conheço, outras ainda porque não consigo dizer.
mas há uma, está mais do visto pelo título do post, que é proibida. a razão pela qual eu faço das tripas coração para que ela seja silenciada é exactamente porque me custa dizê-la. e é toda uma aprendizagem... primeiro porque vivo uma vida sem a pronunciar, depois porque me apercebo nesta idade da sua importância na minha vida e na falta que me faz dizê-la a cada dia que passa.
e é uma outra aprendizagem... aprender a dizer: NÃO!
vou ter que aprender a dizer NÃO uma vez e outra e outra, muitas, muitas, muitas vezes seguidas. E, neste momento, apetece-me dizer NÃO a quase tudo na vida. Era mesmo o que eu devia fazer para aprender, numa espécie de overdose de NÃOs.

dizer tantas vezes NÃO até eu conseguir valorizar um único SIM meu.
é nisto que o meu coração pensa hoje com todo o carinho que nele cabe.

14.7.10

because change happenzzzzz 2

as mudanças na minha vida sucedem-se. Mais uma vez, ao fim de tomar decisões dificeis, de fazer escolhas indesejadas. Desta vez, escolhi com a razão. E sei, porque sinto, que o coração ficou triste e magoado porque não lhe dei ouvidos.
Mas há uma razão para eu ter feito a escolha assim... e o meu coração sabe qual é.

Como é que podemos tomar decisões de vida ouvindo o nosso coração,
se nesse mesmo instante ele está partido em pedaços por outros motivos?
como?
não consegui!

há escamas que já não tenho na pele

mergulho após mergulho,
sinto-me cada vez menos Sereia*

E se os meus olhos não podem deixar de ver o Mar* a cada dia
e se o Sal é já a minha pele
e se a areia, as ondas, as rochas são já a minha casa

sinto-me menos água, agora
mas sinto-me mais funda.

*

Eu... que sempre disse que queria ser líquida.
E sou. Sou líquida, não sou sólida.

12.7.10

cara nova

de regresso... com cara renovada
desta vez, o sonho chegou a cores ao meu peito. ainda pus a minha mão no peito para sentir cromoterapia e o coração batia, vibrava para todo o corpo como que a dizer-lhe (me) que este sonho era para ser seguido, era para não perder de vista. logo eu, que nunca me lembro dos sonhos que tenho a cada noite... mas desta vez, só desta vez o sonho era a cores! na verdade sonhei acordada com cada detalhe, com cada pormenor. e, desta vez, senti que não podia desistir, senti que este sonho não era para esquecer ou para guardar apenas como sonho.
há sonhos assim...