7.7.11

Ao Avô que eu escolhi

O dia nasceu bonito, o céu de um azul maravilhosos e eu amanheci decidida a ir comprar 2 prendas para duas pessoas especiais. Levei a Bolota a passear e toca o telefone. Alguém precisava de ajuda urgente.
Fui ajudar... E tu não me respondeste. Percebi nesse momento que os meus pensamentos da noite anterior sobre a tua partida, tinham deixado de ser apenas pensamentos. Tu tinhas, de facto, partido. Os teus 92 anos e a tua debilidade física estavam aos poucos a dizer-me que estavas perto de partir. Mas eu... tenho este problema com as partidas definitivas. Raramente as aceito de ânimo leve. Eu sei que estás em paz e que o teu corpo descansa agora sem as dores a que foste obrigado a habituar-te. Eu sei que tu esperavas e, quase arrisco a dizer, desejavas que este dia de céu azul chegasse. Chegou. A tua voz rouca e os teus olhos verdes, o teu cabelo, desde sempre, branco e a tua serenidade vão sempre ficar na minha memória. As conversas de fim de tarde ou de meio da manhã, sentados no muro, na beira da estrada, a ver os carros passar ou sentados no banco de madeira à sombra... Outras vezes, eu passava e perguntava, depois dos beijinhos, "como é que isso vai?" e tu respondias invariávelmente: "Mal ou bem, tudo é ir..."
O Amor que sempre recebi, já o disse aqui depois da Pabia ter partido antes de ti, era o Amor de um Avô. E eu sempre me senti vossa neta.
Posso dizer que o afecto era mútuo e que foi sempre o que nos uniu.
Se eu tive um Avô, foste sempre tu*

1 comentário:

mfc disse...

Que lindo post cheio de amor e de sentimentos lindos!
Conseguiste tocar-me!